6. Israel Durante a Tribuilação

Jerusalem restaurada

Muita gente comete o êrro de não ver Israel nos acontecimentos do Apocalipse. Devido a tal ignorância, perde-se muito da perspectiva bíblica da grande tribulação, assim como um dos mais importantes sinais proféticos do fim da era da igreja, nomeadamente a restauração do povo de Israel e da sua capital, Jerusalem.

Com relação ao regresso de Cristo,  Apocalipse 1:7 diz que "todo o ôlho O verá, e tambem  aqueles que o trespassaram." Êste verso contem a expressa implicação de  que Israel deve ter voltado à sua terra, de forma a poder tomar uma decisão quanto ao Cristo crucificado, rejeitado pelos seus antepassados na altura da Sua primeira vinda.

A condição de Jerusalem é a indicação mais importante  que o Senhor nos deu, a respeito do fim da presente era e do comêço do período da tribulação. Depois de ter delineado a destruição física de Jerusalem em Lucas 19:41 a 44 e 21: 5, 6, Êle  mencionou a dispersão mundial dos judeus, assim como o facto que Jerusalem seria pisada pelas nações não-judaicas durante êsse tempo:

"Pois haverá grande angústia na Terra, e ira sôbre êste povo. E cairão a fio de espada, e serão levados cativos para todas as nações. E Jerusalem será pisada pelos gentios até se terem cumprido os tempos dos gentios" (Lucas 21:23, 24; ênfase acrescentado).

Paulo refere-se ao tempo da dispersão de Israel, como um período de  endurecimento espiritual, e ao paralelo tempo dos gentios, como um período de evangelismo mundial: "...um endurecimento veio em parte sôbre Israel, até que a plenitude dos gentios tenha chegado. E assim, todo Israel será salvo, como está escrito: O Libertador chegará de Sião, e afastará a rebeldia de Jacob." (Romanos 11:25, 26)

A expressão até que, em Lucas 21:24, não aponta apenas para a altura em que Jerusalem deixará de ser espezinhada, mas tambem para o fim da era da igreja, quando terminará o tempo das nações. É aconselhável tomarmos nota dos acontecimentos em, e à volta de Jerusalem, se quizermos interpretar correctamente  os sinais dos tempos  (Lucas 12:54 a 56).

A independência de Israel em 1948, deixou apenas a área nova de Jerusalem sob jurisdição judaica. Isto constituiu importante indicação, de que o profetizado final dos tempos estava  próximo. Em Junho de 1967, criou-se uma significativa situação, quando a parte de Jerusalem conhecida como a Velha Cidade, (Sião e o Monte do Templo, que constituem a Jerusalem bíblica), assism como a Jerusalem Oriental, foram conquistadas à Jordânia na Guerra dos Seis Dias. Nessa altura completou-se a restauração física de Jerusalem, e devia seguir-se-lhe a restauração política como capital. É de lembrar, que a última vez que Jerusalem havia sido uma capital judaica independente, tinha sido antes do cativeiro da Babilónia, no século sexto antes de Cristo. Durante o tempo de Cristo, era a bandeira do Império Romano que era desfraldada na cidade.

Em Agôsto de 1980, o primeiro ministro israelita Menachem Begin declarou Jerusalem capital eterna e indivisível de Israel, e  moveu o seu escritório de Tel Aviv para a capital.  Durante os dois anos seguintes, e à medida que o espaço oficial ficava disponível, todo o seu gabinete foi transferido para Jerusalem, e assim se completou a resturação política da cidade. 

A restauração espiritual de Jerusalem e a reconstrução do templo, aínda estão para vir. No que respeita à religião,  a cidade continua aínda a ser infestada de pagãos, como prova a existência das três mesquitas muçulmanas do Monte do Templo. Um acontecimento religioso importante a ocorrer aínda em Israel, vai ser um reavivamento ao princípio do período da tribulação, de que sairão 144 000 Judeus Messiânicos. O outro acontecimento de grande significado para os judeus, será a reconstrução do templo. Em Daniel 9:27 e 11:31; Mateus 24:15; 2 Tessalonicenses 2:4 e Apocalipse 11:1-2, encontram-se referências à reconstrução do Templo, que será violado a meio da tribulação. A profecia de João  em Apocalipse 11, foi dada depois da destruição do templo anterior, em 70 AD, e portanto só se pode referir a um templo reconstruido futuro.

O renascimento espiritual de toda a nação - o resíduo de Israel no final da grande tribulação – acontecerá quando o Messias, na Sua segunda vinda,  aparecer no Monte das Oliveiras:

"E nêsse dia, os Seus pés assentarão sôbe o Monte das Oliveiras que confronta Jerusalem a Léste." (Zacarias 14:4)

Muita gente está ansiando por êste grande acontecimento. O antigo presidente da câmara de Jerusalem, Teddy Kollek, afirmou, que a sua tarefa de preparar a cidade para a vinda do Messias, era a tarefa mais difícil que qualquer dos seus colegas do mundo inteiro podia ter pela frente. 

Uma semana de prova e tribulação

A moderna nação de Israel restaurou a sua cronologia bíblica, em têrmos da qual os anos são contados em múltiplos de sete, e chamados anos-semanas. Cada período de seis anos é seguido de um ano sabatical para completar o ciclo, e, depois de sete anos-semanas (49 anos), celebra um ano de jubileu, como festa do quinquagésimo ano (Levítico 25:1 a 10). Porque a tribulação vai compreender um período de sete anos, como indicado em Daniel  9:27, o ciclo israelita do ano-semana é alvo de muito interêsse.

O último ano-semana antes da chegada do Messias ao Monte das Oliveiras, será  um tempo de prova e de despertar espiritual para Israel. A nação continua espiritualmente cega e enfrentará uma hora difícil de purificação,durante os sete anos da tribulação. (Jeremias 30:7; Daniel 9:27; Ezequiel 22:19 a 21; e Zacaria  13:8, 9). Depois desta purificação, um resíduo de Israel entrará no descanso do Reino Messiânico e gozará todas as promessas de bênçãos e perfeição.Embora a conversão nacional de Israel tenha lugar apenas no final dos sete anos, (tambem chamados  a Septuagésima Semana de Daniel), já no princípio dos sete anos se registará um grande reavivamento.

A tradição judaica dos anos-semana, torna-nos possível compreender a razão porque a próxima tribulação vai ser um período exacto de sete anos proféticos.Numa escala de tempo profética, cada mês tem 30 dias. Daniel 9:27 refere-se a êste próximo ano-semana do reino do falso Messias e à sua violação do templo no meio da semana. Êste último ano-semana é portanto dividido em duas metades de 3 anos e meio (42 meses ou  1 260 dias) cada. É apenas contra êste pano de fundo, que podemos compreendeer as seguintes afirmações no Apocalipse:

·        Duas testemunhas especiais prègarão durante 1 260 dias no período da tribulação (Apocalipse 11:3).

·        Templo reconstruido, em Jerusalem, será violado durante 42 meses (Apocalipse 11:2). 

·        A mulher (O povo de Israel), fugirá para o deserto, onde será sustentada por Deus durante 1 260 dias (Apocalipse 12:6).

·        Anticristo  terá autoridade absoluta como ditador durante 42 meses (Apocalipse 13:5).

Os 144 000 selados

Um acontecimento de grande importância no princípio do período da tribulação é o reavivamento espiritual entre o povo judaico. Apocalipse 7:4 afirma com clareza, que haverá  144 000 servos de Deus em Israel, que serão selados na testa: ''E eu ouvi o número dos que foram selados – cento e quarenta e quatro mil de todas as tribos dos filhos de Israel foram selados.''

Não há nada vago àcêrca desta afirmação, e não tem justificação alguma atribuir o reavivamento de Apocalipse 7:1 a 8 à igreja ou a qualquer outro grupo. Aplica-se enfàticamente a Israel. Nessa altura, o Senhor já terá retirado os verdadeiros crentes do planeta terrestre. Êle reavivará depois espiritualmente 144 000 judeus de entre o povo israeleita restaurado, que serão as Suas testemunhas especiais. Apocalipse 7 está de harmonia com uma extensa série de profecias da Bíblia, em que se dá a garantia de que o Senhor não só fará voltar Israel fìsicamente à sua terra, como tambem levará a nação a um reavivamento espiritual, nos últimos dias:

"Portanto, diz à casa de Israel... Eu vos tirarei de entre as nações... depois aspergir-vos-ei com água limpa e ficareis limpos... colocarei o Meu Espírito em vós e farei com que caminheis  nos Meus estatutos,  e guardeis os Meus julgamentos e os observeis. E então morareis na terra que dei aos vossos pais; sereis o Meu povo e Eu serei o vosso Deus." (Ezequiel 36:22-28)  

Hoje em dia, há muitos milhares de judeus a  quem foram mostrados os factos sôbre Jesus como Messias, mas a maior parte dêles está à espera de tomar uma decisão final, por causa de incerteza ou com mêdo de serem perseguidos. Só tomarão uma decisão depois do arrebatamento e de todos os judeus messiânicos (os que  já tinham aceitado Jesus como Messias), terem sido arrebatados com a Igreja de Cristo. Aqueles que ficarem para tràs, terão então de rever cuidadosamente os factos relacionados com o Messias.

Por causa dêstes acontecimentos dramáticos, um vasto número de judeus de todo o mundo aceitrá então Yeshua Ha Mashiach (Jesus o Messias) como seu Salvador, guiados pelo Espírito Santo e em grande arrependimento. Devido a êste reavivamento, de acôrdo com Apocalipse 7:3, o Senhor terá então 144.000 dos Seus servos selados ao princípio da tribulação, a quem nomeará para um ministério evangelístico especial. Conforme aconteceu com os três amigos de Daniel, como testemunhas especiais êles serão mantidos em segurança no fôgo da tribulação, durante êsse período de grandes dificuldades.

O grande enganador ataca

Enquanto o palco é preparado para o reavivamento espiritual de Israel,  o Diabo não vai deixar a oportunidade escapar de produzir um falso Messias. Imediatamente após o arebatamento, reinará em Israel grande mêdo e ansiedade. A situação será agravada por um ataque aliado russo-árabe, que  rodeará a nação por todos os lados (Ezequiel 38 e 39). Deus intervirá de maneira inesperada e espetacular, salvando Israel  de forma sobrenatural com a destruição dos seus inimigos.   

Ao mesmo tempo e sùbitamente, aparecerá em cena um homem dinâmico e operador de milagres, de ascendência judaica. Erradamente, será dado crédito pela vitória a êste homem extraordinário que, aparentemente, apareceu em cena no momeno crítico para ajudar Israel. Apresentar-se-á como redentor de Israel e como o Messias prometido e, depois de breves consultas, os dirigentes da nação vão aceitá-lo como tal. O Senhor Jesus referiu-se a esta trágica decisão quando disse:

"Eu vim em nome de meu Pai, e vós não Me recebeis; mas se outro vier em seu próprio nome, êsse vós o recebereis." (João 5:43)

Êste enganador, que  imitará o verdadeiro Messias e tentará ocupar o Seu lugar, é o cavaleiro montado no cavalo branco – o Anticristo. Êle não poupará esforços para consolidar a sua posição, e autorizará Israel a reconstruir o templo. Desacreditará o reavivamento espiritual de que resultaram as 144 000 testemunhas, como sendo um pérfido movimento fóra da vontade de Deus. Em oposição ao reavivamento messiânico, êle dirigirá todas as iniciativas religiosas numa róta ortodoxa, que incluirá a reconstrução do templo e a restauração dos sacrifícios. 

Por motivos óbvios, registar-se-á uma tremenda polarização entre os Judeus messiânicos por um lado, e os Judeus ortodoxos dirigidos pelo falso Messias por outro. Êste último grupo constituirá a maioria, e dará apôio unânime ao seu há tanto tempo esperado 'Messias'. Mesmo quando êste espraiar as suas actividades a outras nações e religiões, apresentando-se nelas tambem como Messias, e atraíndo Israel a alianças com essas mesmas nações, mesmo assim a maioria continuará a não ver o engano e vai apoiá-lo incondicionalmente.

As duas testemunhas

Durante êste período de decepção em massa, o Senhor enviará duas testemunhas excepcionais, que proclamarão a todo Israel que se deve voltar para o verddeiro Deus (Apocalipse 11:3 a 12). Há indicações na Bíblia, de que estas duas testemunhas podem ser Moisés e Elias, que apareceram com Cristo no Monte da Transfiguração (Mateus 17:1-3). No que diz respeito a Elias, não há dúvidas. Nos últimos dois versos do Velho Testamento, foi dito a Israel: 

"Olhai, Eu vou enviar-vos Elias, o profeta, antes da chegada do grande e terrrível  dia do SENHOR: E êle virará os corações dos pais para os filhos e os corações dos filhos para os pais, para que Eu não venha e mande uma maldição sôbre a Terra" (Malaquias 4:5, 6).

De 'Principe da Paz' a tirano

A meio caminho do período da tribulação, o acôrdo  entre o falso Messias e Israel será quebrado, quando aquele se declarar Deus, no templo: "...haverá um tempo de grande rebelião contra Deus e então o homem da rebelião virá - o filho do inferno. Êle desafiará todos os deuses e deitará abaixo todo e qualquer outro objecto de adoração e louvor. Êle entrará e sentar-se-á como Deus no templo de Deus, clamando ser êle próprio o Deus." (2 Tessalonicenses 2:4 LB). Com a assistência do Falso Profeta, êle colocará uma estátua de si mesmo no Santo dos Santos, a forçará toda a gente a adorá-la. Abandonará todas as outras formas de louvor, incluindo os sacrifícios no templo. Daniel diz, a respeito dêste vil dirigente:

"Êste rei fará um acôrdo de sete anos com o povo, mas a meio dêsse período quebrará o acôrdo e porá têrmo a todos os sacrifícios e ofertas dos Judeus; e então,  como climax de todas as suas terríveis acções, o inimigo violará por completo o Santuário de Deus. Mas na altura própria e de acôrdo com o plano de Deus, o Seu julgamento será derramado sôbre o assolador." (Daniel  9:27 LB)

Daniel confirma assim, que o Anticristo abandonará todas as outras formas de louvor, incluindo os sacrifícios no templo, depois dos primeiros 3 anos e meio do seu reinado.

Desiludido, Israel  rejeitará toda e qualquer aliança contínua com o falso  Messias, que sùbitamente se declarará como Deus. E, por assim agir, tornar-se-á objecto da sua ira. Nesta altura, o falso Messias será o auto-proclamado  deus dêste mundo, assumindo o papel de cavaleiro do cavalo vermelho. Lançar-se-á no caminho da guerra, tentará acabar com Israel e com todos os outros grupos dissidentes, e matará as duas testemunas especiais que insistentemente avisaram o povo contra si. (Apocalipse 11:7). Além disso, ordenará tambem a execução de todas as outras pessoas que acreditem em Cristo. Jesus avisou de forma bem clara o povo judaico contra esta perseguição sem precedentes por parte do Anticristo:        

"Portanto, quando virdes a abominação da desolação mencionada pelo profeta Daniel de pé no lugar santo (quem quer que leia que compreenda), então, que aqueles que estão na Judeia fujam para as montanhas. Que aquele que estiver no telhado não desça para ir tirar  qualquer coisa de casa. E que aquele que se encontrar no campo não volte a tràs a buscar a sua roupa... E orai para que a vossa fuga não seja no inverno ou no Sábado. Pois haverá então grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até ao presente, não, nem nunca mais haverá. E, a não ser que êsses dias sejam encurtados, nenhuma carne se salvará." (Mateus 24:15 a 22)

Nêsses dias de tribulação, vão perecer muitos Judeus. Zacarias afirma:

"E acontecerá em toda a Terra, diz o SENHOR, que  dois têrços nela serão separados e morrerão; mas um têrço será deixado nela." (Zacarias 13:8)

Esta terceira parte será purificada na forja da tribulação, até à altura do regresso de Jesus, altura essa em que se reconciliará com Êle. (Zacarias 13:9)

A fuga para o deserto

Apocalipse 12 descreve a fuga dos israelitas para o deserto. Deve acontecer pouco depois da violação do templo e da quebra do acôrdo entre Israel e o falso Messias, a meio caminho da tribulação.

No cenário de Apocalipse 12  torna-se óbvio, que o conflito entre Israel e o Anticristo não é um acontecimento isolado, mas sim parte da velha batalha entre o reino de Deus e o reino de Satanás. A série de acontecimentos que vai culminar nesta confrontação é mencionada por João:    

"E apareceu uma grande maravilha  nos céus; uma mulher vestida com o Sol e com a Lua debaixo dos pés, tendo na cabeça uma corôa com dôze estrêlas: E, estando ela grávida, gritava com as dôres de parto, e ansiava por dar à luz. E apareceu outra maravilha nos céus; e olhai, um grande Dragão vermelho com sete cabeças e dez chifres e sete corôas sôbre as cabeças.E a sua cauda arrebatou a terça parte das estrêlas do Céu, atirando-as para a Terra: E o Dragão estava à frente da mulher que estava para dar à luz, para devorar a criança logo que nascesse. E ela deu à luz um Menino, que havia de reinar sôbre todas as nações com um varão de ferro: E o seu Menino foi arrebatado  para Deus e  para o Seu trono. E a mulher fugiu para o deserto, onde tinha um  lugar preparado por Deus, onde haviam de a alimentar durante mil duzentos e sessenta dias." (Apocalipse 12:1 a 6 KJV)

Nesta passagem, a nação de Israel é comparada a uma mulher casada – não a uma noiva virgem como a Igreja de Cristo – (ver Jeremia 31:1a 5, Isaías 54:4 a 8 e Oseias 2:15 para Israel; e Mateus 25:1 a 13 e 2 Coríntios 11:2 para a igreja).

A mulher é tambem identificada pelas dôze estrêlas na cabeça, que representam as 12 tribos de Israel, assim como pelo Sol e Lua, que apontam para Jacob e Raquel, como antepassados de Israel. Êste simbolismo é evidente no sonho de José:

"Então êle teve aínda outro sonho, e contou-o aos irmãos, dizendo: Sonhei outro sonho. E desta vez o Sol, a Lua e as onze Estrêlas curvaram-se perante mim. Assim o disse ao seu pai e aos seus irmãos; e o seu pai admoestou-o e disse-lhe: Que sonho é êste que sonhaste? Deverei eu, e a tua mãe e os teus irmãos curvar-nos de facto à terra perante ti?" (Génesis 37:9, 10. Ver Jeremias 31:11 e 15, onde Jacob e Raquel são personificados como Israel).

A gravidês da mulher sugere o período do nascimento de Jesus. O Dragão que arrebata consigo do Céu um terço dos anjos e está pronto a destruir o Menino, não é outro  senão o próprio Diabo. Nesta altura, o incitador destas coisas era Herodes, que exigia que os recem-nascidos fôssem mortos, num esfôrço para tirar a vida tambem a Jesus. Mas o Senhor Jesus veio até nós  e realizou o Seu trabalho,  e foi levado de novo ao Céu. O período em que reinará sôbre todas as nações com um varão de ferro, começará depois da Sua segunda vinda. De acôrdo com Apocalipse 2:26,27, os Seus discípulos fiéis reinarão com Êle. Até à segunda vinda de Jesus, o Diabo anda a dirigir os seus esforços de oposição ao reino de Deus, atacando a Igreja e Israel. Depois da verdadeira Igreja ter sido arrebatada, êle vai focar toda a sua atenção em Israel – primeiramente enganando a nação, e mais tarde tentando aniquilá-la – de forma a fazer fracassar o plano e acôrdo de Deus com o Seu povo. É durante êste período, que é ordenado a Israel que fuja para as montanhas, para um lugar no deserto, provàvelmente para Petra, de forma a sobreviver à grande tribulação. Ali, o Senhor protegerá o povo durante mil duzentos e sessenta dias – isto é 3 anos e meio.

Os mártires cristãos

O Anticristo vai tambem perseguir os Cristãos do período da tribulação. Êles vão rejeitá-lo e, em contravenção do seu comando explícito, vão adorar apenas o Deus de Israel na pessoa do Messias Jesus Cristo. Sob êste aspecto, os Cristãos são parentes íntimos da mulher, Israel (Apocalipse 12:17).  Em Romanos 11:15 a 20, Paulo diz que os Cristãos das nações não-judaicas foram enxertados na Oliveira (Israel), e estão consequentemente intimamente associados a ela. Êste laço íntimo, é a razão do nosso amor por Israel. A oração e sincero desejo dos nossos corações  é que os Judeus venham igualmente a reconhecer Jesus como seu Senhor e Salvador, entrando assim no novo acôrdo com Êle (Hebreus 8:8 a 13).

Os verdadeiros Cristãos vão reconhecer logo de princípio o Anticristo como um falsário. Vão rejeitá-lo assim como à falsa igreja universal. Durante o curto reinado da Bêsta, haverá para êles apenas um destino: A perseguição, o martírio e a morte. João afirma referindo-se a êstes mártires: 

"Quando Êle abriu o quinto sêlo, eu vi debaixo do altar as almas daqueles que foram mortos por serem fiéis à palavra de Deus  e por causa do  testemunho que deram: E clamavam em alta voz, dizendo: Quanto tempo, ó Senhor, santo e verdadeiro, até que julgues e vingues o nosso sangue naqueles que vivem na Terra?" (Apocalipse 6:9, 10).

Êstes mártirers incluem  todos aqueles que se vão converter depois do arrebatamento, pois vai haver muitos que se vão converter sob o ministério das 144 000 testemunhas judaicas. Êles dedicar-se-ão à oposição ao Anticristo, resistindo-lhe e revelando a sua decepção.

Todo aquele que estiver vivo nessa altura, deverá ter em mente, que a  salvação não é afectada pela oposição ao Anticristo e rejeição da sua marca, mas depende sim, primàriamente, de uma conversão positiva ao Senhor Jesus Cristo. Deverá confessar os seus pecados, aceitá-l'O como Redentor e ser lavado pelo Seu sangue. Só então estará realmente  equipado para resistir ao Anticristo, mesmo à custa da própria vida. Certamente deve estar preparado para aceitar a inevitabilidade de uma morte de mártir, pois os cristãos não sobreviverão à grande tribulação:

"E êles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até à morte" (Apocalipse 12:11). No Céu,  saberão que todos os seus irmãos em Jesus tinham tambem de sofrer e morrer como mártires. "E foi-lhes dada a cada um uma veste branca e foi-lhes dito que deviam esperar um pouco mais, até que tanto o número dos servos seus companheiros como o de seus irmãos, que haviam de ser mortos como êles foram, estivesse completo." (Apocalipse 6:11)

Quando todos os mártires tiverem sido juntos no Céu, receberão corpos ressurrectos e alegrar-se-ão grandemente no Senhor. Não mais se lembrarão dos sofrimentos e tristezas da perseguição, da fome, do martírio e da morte que sofreram por causa  da sua fé. João afirma a respeito dêste grande ajuntamento:

"Depopis destas coisas  olhei, e, vede, uma grande multidão que ninguem podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas,  postada em frente do trono e do Cordeiro, vestida de vestes brancas.... Êstes são aqueles que saíram da grande tribulação e lavaram as suas vestes e as fizeram brancas no sangue do Cordeiro.... O Cordeiro que está no meio do trono os apascentará e guiará para fontes de água viva. E Deus enxugará todas as lágrimas dos seus olhos." (Apocalipse  7:9, 14, 17)

Encontro no Monte das Oliveiras   

O aparecimento de Cristo na cena mundial está descrito em Apocalipse 19, e terá lugar no Monte das Oliveiras, em Jerusalem:

"E nêsse dia os Seus pés poisarão no Monte das Oliveiras, que está em frente de Jerusalem, a Léste, e o Monte das Oliveiras abrir-se-á ao meio de Léste a Oeste, e haverá aí um enorme vale; e metde da montanha mover-se-á para o Norte e a outra metade para o Sul. E fugireis para o vale das montanhas; porque o vale das montanhas chegará a Azal: Sim, fugireis, como fugistes a quando do abalo de terra no tempo de Uzias, rei de Judá: E o SENHOR meu Deus virá, e todos os santos contigo." (Zacarias 14:4, 5 KJV)

O Senhor Jesus virá, e com Êle os santos que foram arrebatados e se juntaram a Êle sete anos antes. Nessa altura, Êle vem para reconciliar consigo o resíduo de Israel que, durante o período da grande batalha de Armagedon,  se refugiará nos abrigos rochosos, no Monte das Oliveiras. O seu encontro com Jesus será para a sua salvação, porque "nêsse dia se abrirá uma fonte para a casa de David e para os habitantes de Jerusalem, para o pecado e para a impureza." (Zacarias 13:1 KJV)

No dia da crucificação do Messias, há quase 2 000 anos, a fonte foi aberta potencialmente para todo Israel e todo o mundo. Na segunda vinda do Messias, a fonte será aberta na realidade para a nação judaica. A limpeza espiritual da nação está associada em outras passagens das Escrituras, com a regeneração espiritual de Israel e com a inauguração do Novo Contrato, (por exemplo em Jeremias 31:31-37; Ezequiel 36:25-32; Romanos 11: 26, 27). A "Casa de David" (dirigentes políticos), e "Os habitantes de Jerusalem", incluem todo o povo do país necesitado da limpeza espiritual que apenas o Messias pode graciosamente conceder-lhes.

Quando os Judeus sobreviventes se referem às marcas dos pregos nas Suas mãos, e perguntam: "O que são estas feridas nas tuas mãos?"  Então Êle responderá: "Aquelas com que me feriram na casa dos meus amigos" (Zacarias 13:6). Haverá momentos de grande emoção, quando o resíduo de Israel sentir profundos remorsos  pelos seus pecados e por os seus antepassados terem rejeitado o Messias durante a Sua primeira vinda:

"E Eu  derramarei o espírito de Graça e de súplica sôbre a casa de David e sôbre os habitantes de Jerusalem; e êles olharão para Mim, a quem trespassaram; chorarão por Êle como quem se lamenta pelo seu  único  filho, e gemerão por Êle como quem geme por um primogénito. Nêsse dia haverá grande lamentação em Jerusalem, igual à lamentação em Hadat Rimon, na planície de Megido." (Zacarias 12:10, 11)

A grande lamentação dos últimos dias descrita por Zacarias, refere-se ao arrependimento do povo judaico e à sua profunda contrição perante a sua antiga descrença. Sob a convicção do pecado da rejeição do Messias, o povo olhará para Êle, a quem trespassaram, e vai lamentar-se, encontrando ao mesmo tempo limpeza espiritual na fonte que lhes é aberta para o pecado e impureza. "E assim todo Israel será salvo" (Romanos 11:26). Abençoados são os que se lamentam desta maneira, (Mateus 5:4), pois serão confortados com o perdão misericordioso do nosso Deus, que gratuitamente lhes perdoará todos os pecados e trará paz à sua alma.  

Jesus unir-se-á ao resíduo do Seu Povo purificado, fugitivo e entristecido, e confortá-lo-á com as seguintes palavras: "Êste é o Meu povo; e cada um dirá, O SENHOR é o meu Deus." (Zacarias 13:9)