2.  A Dispensação da Igreja

Cristo enviou sete cartas de encorajamento e admoestação às sete igrejas do Novo Testamento. Numa altura em que já haviam sido estabelecidas mais de cem congregações, Êle escolheu sete que refletiam as características típicas representativas de toda a igreja da corrente dispensação. Não há portanto qualquer razão escondida, pela qual a maior parte das congregações não receberam cartas. Cada igreja, assim como cada Cristão, individualmente, podem identiificar-se  com uma ou mais destas congregações, e tomar a peito as suas mensagens.

Apocalipse 2 e 3, oferecem uma perspectiva tanto horizontal como vertical, da igreja cristã. Se se cortasse uma "amostra" vertical da igreja cristã em qualquer fase, essa amostra revelaria sete camadas diferentes. Esta era a característica da antiga igreja, quando estas cartas foram escritas, e as mesmas sete categorias continuam hoje tambem como marcas distintivas da igreja  do fim dos tempos.

Além desta perspectiva, tambem se pode fazer uma divisão horizontal da igreja em períodos sucessivos. Embóra êstes tipos diferentes de igreja tenham existido todos através de toda a dispensa, a característica geral da igreja cristã tem seguido sempre o caminho dêstes sete tipos. De acôrdo com êste ponto de vista, há sete períodos distintos na história da igreja. Presentemente encontramo-nos no período de Laodiceia, a última das sete igrejas. Mas embora algumas denominações aínda mostrem características dos seis primeiros tipos, a igreja do fim dos tempos pode ser descrita como predominantemente laodiçaica.

Como se tornará evidente na discussão que segue, há uma grande diferença entre a Igreja de Cristo e a igreja cristã. A primeira inclui aqueles que sinceramente pertencem a Cristo por terem sido lavados dos seus pecados pelo Seu sangue. A segunda compreende todos os que pertencem a igrejas cristãs, incluindo Cristãos nominais, que aínda não estão salvos. Na situação espiritual degradante em voga em todas as grandes igrejas, a maior parte dos membros são Cristãos nominais, que mostram uma simples aparência de santidade. É com êstes em mente, que o Senhor envia mensagens de arrependimento a cinco das sete igrejas.

1.  Efeso – Igreja desviada

No ano de 95, quando João recebeu estas mensagens, já havia uma indicação de rebeldia no seio da igreja cristã.  As congregações fervorosas de que nos fala o livro dos Actos estavam a desaparecer, e o seu zêlo tinha-se transformado apenas numa aparência de santidade em que Cristo já não era a figura central. A maior parte das actividades da igreja continuava a ser praticada, mas o amor do Senhor Jesus já não era a motivação básica. Cristo não pode tolerar êste formalismo espiritual, mesmo que os membros se mantivessem extremamente activos. Êle aponta o Seu dedo claramente  ao centro do problema, quando afirma:

"No entanto, tenho isto contra ti, que tu abandonáste o teu primeiro amor. Lembra-te portanto de onde caíste; arrepende-te e faz as primeiras obras;  de outra maneira Eu virei ràpidamente a ti, e tirarei do seu lugar o teu candelabro – a não ser que te arrependas." (Apocalipse 2:4, 5)

O Senhor convida a igreja a arrepender-se da situação em que se deixou cair. Obras humanisticamente  motivadas  feitas  pelos membros a favor da igreja,  não são aceitáveis por Deus. Numa igreja cheia de júbilo,  os membros servem a Deus sob a inspiração e orientação do Espírito Santo.  A congregação é convidada a voltar às suas  primeiras obras.

Se o não fizer – afirma Jesus – retirar-lhes-ei o Espírito Santo. E então não haverá luz para as suas lâmpadas, e descerá sôbre a igreja total escuridão espiritual. Como organização controlada por seres humanos, pode continuar a sobreviver, mas não será mais o portavoz de Cristo. Êle dará o Seu candelabro a outra igreja, que esteja disposta a servi-LO em Espírito e em Verdade.

Leitor: Qual é realmente a verdadeira natureza da tua experiência cristã? Serves o Senhor devido a pressões morais e sociais e pelo teu próprio esfôrço, ou é o Espírito Santo que te leva a proclamar a excelência do teu Redentor?  Deixemos que a nossa luz brilhe de tal maneira,  que toda a gente a possa ver e assim nos possamos aproximar todos, mais, do Senhor.

Um aspeto positivo interessante dos membros desta igreja, é que ela, apezar do seu retrocesso epiritual, não abrira a porta às seitas. Denunciara fortemente os Nicolaitas, que eram odientos aos olhos de Deus. Os Nicolaitas aspiravam ao poder e ao prestígio, na sociedade,  mas eram  muito carnais e bem conhecidos pelas suas dissolutas práticas morais. Esforçavam-se pelo estabelecimento duma ierarquia de sacerdotes, de harmonia com o Velho Testamento,  dividindo as pessoas em  sacerdotes com previlégios especiais de um lado e leigos sem qualquer posição religiosa de outro. Em vez de simples pastores, eram uma ierarquia endeusada de homens santos quem regia a igreja. Êste princípio reflete-se no nome Nicolaitas, que deriva de niko (sujeitar), e laos (os leigos ou o povo).

Esta  divisão  incisiva, é estranha à prática do Novo Testamento, uma vez que limita o crescimento espiritual dos crentes. Os membros comuns da congregação eram inibidos e desencorajados  no seu caminhar como testemunhas de Cristo. E, em tais circunstâncias, a igreja não podia evangelizar o mundo com eficiência.

A situação em Efeso, é característica da antiga igreja cristã até à volta do ano 100, e aplica-se tanto ao seu amor inicial pelo Senhor, como à sua  subsequente deterioração espiritual.

2.  Smirna  –  A igreja perseguida

Smirna significa amargura, e indica a perseguição cruel e grande sofrimento da igreja sob o jugo romano. Dificilmente se poderia conceber qualquer método  de humilhação, perseguição e martírio, que não tenha sido usado contra os Cristãos. A troça pública, o desprêzo, as multas pesadas, a expulsão dos emprêgos e a expropriação da propriedade, contavam-se entre as formas mais leves de perseguição. De uma maneira mais geral, a ordem do dia para milhares de Cristãos, era a prisão em  tôrres húmidas, em condições onde prevaleciam a fome, a doença, a tortura, e a execução por heresia. Às vezes,  os presos eram soltos em  vastas arenas, para serem despedaçados por leões e outras feras. Não se dava qualquer valor às suas vidas, e, durante as execuções públicas,  a insensível assistência até se deleitava com estas cenas trágicas e macabras.

O Senhor dispensa intensa simpatia por êstes mártires, porque Êle mesmo caminhou o caminho do sofrimento e bebeu até à última gôta, a amarga taça da perseguição. Êle apresenta-se a esta igreja, como Aquele  que esteve morto  mas está agora vivo. Insiste com os crentes para que adoptem uma atitude firme perante o sofrimento, pois serão recompensados com vida nova incorruptível, se se mantiverem fiéis. Em Apocalipse 2:10, Êle diz à igreja mártir:

"Não tenhais mêdo de qualquer das coisas  que estais prestes a sofrer. De facto, o Diabo prepara-se para enviar  alguns de vós para a prisão, para que sejais provados, e tereis dez dias de tribulação. Sêde fiéis até à morte e Eu vos darei a corôa da vida."

Os dez dias referem-se provàvelmente à perseguição dos Cristãos durante os reinados de dez imperadores romanos sucessivos – de Nero  em 64 AD até Diocleciano no ano 305. No princípio do período de Smirna, a perseguiçâo já tinha começado e continuaria o seu curso pelos dois séculos seguintes. Os dois últimos anos do reinado de Diocleciano,  foram os mais sangrentos. Êste tirano, como a maior parte dos seus predecessores, considerava-se Deus. E foi aínda mais longe, ordenando que o povo se rojasse a seus pés quando o visse, e que lhe beijasse a borda das vestes e gritasse:  Dominus et Deus! (Meu Senhor e meu Deus!). No ano de 305 proclamou um édito, ao abrigo do qual os Cristãos seriam despojados dos seus direitos civis e possesões, e todas as igrejas cristãs encerradas. A perseguição que acompanhou êstes acontecimentos, é considerada a mais sangrenta de todas as perseguições cristãs. Depois da abdicação de Diocleciano, em 305, a campanha para a erradicação do Cristianismo continuou até ao ano de 312.   

3.  Pérgamo – A igreja complacente

Em 312 AD, quando o imperador Constantino terminou a perseguição aos Cristãos, e reconheceu e aceitou a fé cristã, deu-se uma importante reviravolta nos acontecimentos. Acredita-se, que durante uma das suas guerras de conquista, êle viu uma cruz no Céu e as palavras seguintes: In hoc signo vinces  (com êste sinal vencerás). Depois desta experiência, obteve vitórias militares de vulto, e foi por isso que adoptou a fé cristã. Com o édito de Milão, em 313, garantiu ao Cristianismo direitos iguais aos de todas as outras religiões. No entanto, levantam-se dúvidas quanto ao seu envolvimento pessoal no Cristianismo, pois não condenou as religiões idólatras e só foi batizado pouco antes da sua morte.

De qualquer modo, a mudança verificada na esfera religiosa foi enorme. De um momento para o outro, a igreja perseguida teve de escancarar as portas a oficiais de alta patente e cidadãos proeminentes, incluindo o imperador. Todos êles se sentiram compelidos a tornar-se "Cristãos." E as exigências do evangelho foram reduzidas, de forma a tornar a mensagem mais popular e aceitável  para as massas. O imperador aprovou vastas somas de dinheiro para o clero, e com êste generoso auxílio financeiro, construiram-se magestosos e imponentes  edifícios para a igreja.

Em 325 AD, no Concílio de Niceia, um grupo de bispos conseguiu o domínio da igreja. Isto abriu o caminho à doutrina dos Nicolaitas, possibilitando asssim o regresso à atitude de Efeso. O direito dos membros comuns da igreja operarem independentemente foi gradualmente suprimido, até que se chegou ao ponto de  toda a gente ter de se submeter às regras e leis ditadas pelos  bispos e sacerdotes. E, desta maneira, a igreja começou a uzurpar a autoridade da Palavra de Deus e do Espírito Santo nas vidas dos crentes.

A aliança comprometedora que a igreja fez com  o mundo secular, deu inevitavelmente origem a deslealdades e infidelidades  entre os membros. Esta situação reflete-se tambem na igreja de Pérgamo palavra que significa casamento. Durante o reino de Constantino, a igreja e o estado deram-se de facto as mãos,  mas aos olhos de Deus uma ligação dêste género constitui adultério espiritual:

"Adúlteros e adúlteras! Não sabeis que a amizade com o mundo constitui inimizade com Deus?  Portanto, quem quer que deseje ser amigo do mundo, faz-se a si próprio inimigo de Deus." (Tiago 4:4)

O Senhor  refere-se a esta adulteração como "A Doutrina de Balaão, o qual ensinou Balak a fazer tropeçar o povo de Israel, a comer coisas dedicadas a ídolos, e a cometer imoralidade sexual." (Apocalipse 2:14). De acôrdo com Números 22 a 24, Balaão foi recrutado por Balak rei dos Moabitas, para lançar uma maldição sôbre Israel. No entanto, Balaão recusou-se a obedecer-lhe e convenceu Balak a não usar maldições e confrontação militar, mas sim antes  tentar Israel a participar nas festas ao deus Baal. Esta estratégia deu resultado,  pois nós vemos em Números 25, que Israel aceitou um convite para uma de tais festas em Moab.  A paixão venceu, e em breve esta nova amizade levou os homens de Israel a cometer imoralidade sexual com as filhas de  Moab e a render homenagem aos seus ídolos. Isto provocou a ira do Senhor contra Israel e Êle fez cair uma praga sobre a nação, em resultado da qual morreram 24 mil pesoas. Balak alegrou-se com esta tragédia, porque ela favoreceu os seus  planos de castigar Israel. Em seguida, Moisés exprimiu o seu ressentimento por Israel abandonar os seus princípios entregando-se à depravação. Em Números 31 disse: 

"Deixaste viver todas as mulheres? Repara, estas mulheres  levaram os filhos de Israel a ofender ao Senhor, no negócio de Peor, por conselho de Balaão, e veio uma praga entre a congregação do Senhor." (Números 31:15, 16)

Nos tempos modernos, os inimigos de Deus tambem causam grande cáos entre os crentes, com a mesma mudança de estratégia. Substituindo a estratégia de confrontação e perseguição pela estratégia do comprometimento, largos sectores da igreja cristã são atraídos a várias práticas de fornicação com as religiões não-cristãs e com o mundo. As perseguições severas nos países comunistas, não conseguiram destruir a igreja cristã. No entanto, no mundo ocidental as igrejas cristãs tornaram-se apóstatas e de tal maneira mundanas, com algumas excepções, que se privaram em grande parte do favor do Senhor. Em vez de bênçãos espirituais, estão a trazer sôbre si a ira de Deus por causa da sua fornicação e comprometimento com um mundo vil.

O aviso à igreja de Pérgamo, para não se entregar às coisas do mundo, deve ser olhado com a máxima seriedade. A cidade era tão vil, que o Senhor se referiu a ela como o 'lugar onde Satanás tinha o trono!'  (Apocalipse 2:13). A cidade possuia uma biblioteca de 200.000 volumes, que incluia muitos livros com forte influência da filosofia grega. Promovia-se o panteísmo e a metafísica de Platão, que levavam à crença  em vários tipos de poderes sobrenaturais. Tambem havia vários templos, entre os quais o de Esculápio, um  deus pagão curador de doenças, simbolizado por uma serpente,  e imagens do imperador deificado que o povo devia venerar, e a que se devia curvar ao passar em frente delas.

Nos tempos antigos, durante a queda da Babilónia, o sacerdote-rei caldeu e os seus súbditos refugiaram-se em Pérgamo. E, porque a Babilónia era um centro importante para as religiões pagãs, por causa da sua queda um dos tronos de Satanás foi transferido da Babilónia para Pérgamo. A tradição não-bíblica de se dar posição política e grande poder a dirigentes religiosos, foi assim estabelecida na cidade. Como resultado da instituição babilónica de uma ordem de sacerdotes chefiada por um sacerdote-rei, foi introduzida na igreja cristã uma ierarquia sacerdotal de homens que tambem aspiravam a lugares seculares de relêvo. Alem disso, a tradição babilónica da adoração do deus-Sol e da Raínha dos Céus com seu querido filhinho, exerceu muita influência nos circulos cristãos e  conduziu à eventual  adoração da Madona e Menino, e à deificação de Maria mãe de Jesus. E, por êste motivo, a igreja foi assaltada e mal dirigida de uma variedade de direcções. E aqueles que não se queriam comprometer ou associar com estas tradições pagãs, foram perseguidos e tornaram-se mártires da fé. Como Antipas, pagaram o preço supremo, por recusarem comprometer-se com crenças não-bíblicas. Nesta carta, o Senhor Jesus Cristo louva as pessoas como Antipas, e chama-lhes testemunhas fiéis (Apocalipse 2:13). A palavra Antipas significa contra todas as coisas e, na cidade sem Deus de Pérgamo, Antipas pouca escolha tinha além de se opôr a quase tudo.

4.  Tiatira – A igreja apóstata

De acôrdo com Alexander Hislop em (As duas Babilónias), a sede da ordem sacerdotal babilónica foi transferida de Pérgamo para Roma, e com ela o trono de Satanás com o seu sistema religioso pagão. No ano 606, Bonifácio Terceiro foi coroado como bispo universal e êste acontecimento introduziu um longo período de domínio católico-romano. Durante a nêgra Idade Média, a igreja foi dirigida por uma ierarquia de sacerdotes, bispos, arcebispos, cardeais e papas, ansiosos pelo poder. A autoridade da igreja foi elevada acima da autoridade da Bíblia, e a regra da infalibilidade foi aplicada às decisões ex-catedra do Papa. Resultou desta reforma, que a posição de Cristo como Mediador foi gradualmente abolida, e as pesoas foram eventualmente forçadas a confessar os seus pecados aos sacerdotes.

Como consequência das influências babilónicas trazidas à Igreja Católica Romana de várias direcções, verificaram-se graves divergências teológicas e comprometimentos com os costumes pagãos. Entre êstes citamos a adoração de Maria, que é simplesmente uma réplica cristã da babilónica Rainha dos Céus, Semiramis. Maria foi deificada no ano 381, com base na afirmação de que ela tinha subido ao Céu. Êste ponto de vista mantém-se ainda na Igreja Católica, e o actual Papa declarou o período de 17 de Julho de 1987 a 15 de Agosto de 1988, como ano especial para a veneração da Madona (Ano Mariano). Ela é chamada a Mãe de Deus, sem pecado  e tambem  a Mãe celestial da Igreja.

Na carta a Tiatira, o Senhor compara êste tipo de infidelidade, com outra mulher, Jezebel, que levou o povo de Israel ao adultério e a servir Baal.  Na introdução a esta carta, Jesus lembra à igreja que Êle é o Filho de Deus. Para ela,  Êle é simplesmente o filho de José e de Maria. E ao mesmo tempo, erradamente, atribui divindade a Maria.

Na carta a Tiatira, o Senhor tem uma palavra especial de encorajamento aos crentes fiéis ameaçados de se tornarem vítimas da poderosa e tirânica  Igreja Católica Romana, durante as chamadas guerras santas:

"Mas a vós digo, e ao resto de Tiatira, a todos quantos não seguem esta doutrina e não conheceram, como lhes chamam, as profundezas de Satanás, que não vos porei nenhuma outra carga.Mas agarrai-vos ao que tendes, até que Eu venha. E ao que vencer, e guardar as Minhas obras até ao fim, a êsse Eu darei poder sôbre as nações – e as regerá com vara de ferro, e serão feitas em pedaços como vasos de oleiro, como tambem recebi de Meu Pai. E dar-lhe-ei a Estrêla da  Manhã." (Apocalipse 2:24-28)

Através dos tempos, tem sido grande o número de mártires que encontrou encorajamento nestas promessas. Se se mantiverem fiéis e não negarem a sua fé em Cristo, reinarão com Êle no Seu reino milenário. E, nêste reino, a desordem, a corrupção e as leis de duas faces não vão subsistir, pois a justiça e a rectidão serão as únicas regras válidas. A Estrêla da Manhã é a promessa do Senhor Jesus para um novo dia, que amanhecerá sôbre êste mundo nêgro.

O período de Tiatira continuou através da Idade Média, até à Reforma Protestante.

5.  Sardis – A igreja morta

Fazer referência à igreja da Reforma, no contexto profético desta carta, como igreja morta, é aparentemente um paradoxo. No entanto, o Senhor afirma: "Eu conheço as tuas obras, que te consideras viva, mas estás morta" (Apocalipse 3:1). Durante êste período, apenas uma parte da igreja foi teològicamente reformada, devido a terem sido expostos os êrros da Igreja Católica Romana e a ter sido re-instituido o conceito da graça. Contudo, a despeito destas necessárias alterações, continuava a haver, em geral, falta de verdadeira santidade na igreja. O movimento reformista não chegou a todos os níveis das actividades da igreja, pois não tinham sido aínda estabelecidas igrejas de crescimento dinâmico, que pudessem evangelizar a idolatria das áreas à sua volta. O Senhor reprova-as pela sua indiferença para com êste sério problema: "Sêde vigilantes, e fortalecei as coisas que vos restam e estão prestes a morrer; pois não encontrei as vossas obras perfeitas perante Deus." (Apocalipse 3:2)

Cristo apresenta-Se a esta igreja como sendo Aquele que possui os sete Espíritos de Deus. Êste atributo do Senhor, era de aplicar directamente ao problema desta igreja, pois ela não mostrava o zêlo evangelístico que é de esperar de uma igreja cheia do Espírito Santo. Ela começara bem, mas aínda necessitava da experiência de uma rendição total ao Espírito Santo, para obter o poder e motivação que a levassem a cumprir a missão da igreja do Novo Testamento.

A  História confirma, que, durante os 200 anos da sua existência, a igreja da Reforma fez menos trabalho de evangelização, do que em 20 anos do período seguinte de Filadélfia. Esta deficiência, pode atribuir-se a formalismo teológico, destituido da devoção e dedicação devidas Àquele que enviou o Seu Espírito para dotar a igreja  de poder vindo do alto.           

No entanto, havia tambem excepções. Muitos dos reformadores enfrentaram tremendas ameaças pessoais e estavam preparados para defender a sua posição declarando as suas convicções em público. A êstes, é dado o encorajamento: "Tu tens alguns nomes, mesmo em Sardis, que não contaminaram as suas vestes; e êles caminharão Comigo vestidos de branco, pois são dignos." (Apocalipse 3:4)

6.  Filadélfia – A igreja evangelizadora

Filadélfia  significa  amor fraternal, e êste amor foi certamente a fôrça por trás  do reavivamento e  esforços missionários globais, que caracterizaram os anos entre 1750 e 1900. Cheios do Espírito Santo, homens de fé  tornaram-se pioneiros, levando a luz do evangelho às regiões desconhecidas da Ásia, África, América do Sul e regiões insulares. Mal equipados e muitas vezes em risco das próprias vidas, devido à hostilidade dos locais, às doenças tropicais e aos animais selvagens, êstes missionários aceitaram o desafio difícil que os enfrentava. As linguas indigenas eram estudadas com grande devoção. Faziam-se traduções da Bíblia, abriam-se escolas e prestava-se assistência médica com os magros proventos que lhes chegavam às mãos, de congregações e missionários amigos dos seus países de origem.

Em face de todos êstes problemas, o trabalho progredia, porque o Senhor estava nêle. Isto é o que o Senhor tem a dizer aos Seus fiéis embaixadores: "Vede – Eu coloquei à vossa frente uma porta aberta que ninguem pode fechar;  porque tendes alguma fôrça, mantivesteis a  Minha palavra e não negasteis o Meu nome." (Apocalipse 3:8) 

Entre os heróis da fé que, a seu tempo, incendiaram o mundo com a mensagem de Cristo, contam-se nomes como  George Whitefield, John Wesley, Charles Finney, D.L. Moody, Hudson Taylor, William Carey, Andrew Murray e muitos outros.

O Senhor encoraja  os Seus servos a trabalhar em circunstâncias difíceis, a aguentar-se e a não perder o ânimo  ao longo do caminho:

"Olhai,  Eu venho rápido! Agarrai-vos bem ao que tendes, para que ninguem vos tire a vossa corôa." (Apocalipse 3:11; ver tambem Hebreus 11:24-26). 

É de notar, que apenas a igreja evangelizadora de Filadélfia e a igreja mártir de Smirna não foram criticadas pelo Senhor por haver apostasia nas suas congregações. O verdadeiro chamamento da Igreja de Cristo, cumpre-se na fidelidade e negação do 'eu', quaisquer que sejam as circunstâncias difíceis prevalecentes na Terra.

7.  Laodiceia – A igreja materialista

A confortável e  morna  igreja de Laodiceia, é típica da igreja do século vinte e, como tal, reflete o último período da história da igreja. Como nos períodos anteriores, podem-se reconhecer nela alguns elementos de todos os sete tipos de igreja, mas o elemento dominante é o de Laodiceia. Uma situação alarmante semelhante, prevalece hoje na maior parte das igrejas modernas. Satisfeitas com a sua aparência exterior de santidade, continuam no caminho de um  louvor formalista, não se dando conta ao mesmo tempo da sua probreza espiritual. A pezar da sua prosperidade e bem organizadas actividades, Cristo não é louvado com um  coração sincero. O Senhor desliga-Se dessa religião humanista, que aspira apenas às aparências exteriores. E dá-nos a razão dessa Sua atitude:       

"Assim, portanto, porque não estás nem fria nem quente mas apenas morna, hei-de te cuspir da Minha bôca. Porque tu dizes enriqueci-me e sou rica, e não tenho falta de nada – e não compreendes que estás desgraçada e és miserável, pobre, cega e nua.'' (Apocalipse 3:16, 17 e tambem 1 Timóteo 6:7-12).

A riqueza que caracteriza tão fortemente as igrejas laodiçaicas, é constituida por mais que simples possessões materiais. Refere-se tambem aos êxitos intelectuais do homem moderno, e à sua aptidão para procurar soluções políticas para os seus problemas. Encantado com a sua complacência e auto-justificação, mostra relutância em reconhecer a sua dependência de Deus, e é tambem orgulhoso, não se Lhe querendo curvar.    

Laodiceia quere dizer direitos humanos, e a palavra reflete claramente a natureza humanística desta igreja. Como instituição, a igreja é agora controlada pelo homem e é usada como instrumento para a criação de uma sociedade mais humanística (centrada no homem). O resultdo é que, toda ela  mostra apenas uma simples forma de religião. O homem é o seu próprio deus e prega um evangelho artificial de prosperidade, baseado na acumulação de riquezas seculares e obras humanísticas.  

Laodiceia, reflete a imagem do homem racional sem fé, que discute todas as coisas com o cérebro. Por conseguinte, a sua religião limita-se ao conhecimento intelectual da Bíblia. A experiência real da fé, que inclui a aceitação da promessa de Deus do renascimento, é-lhe estranha. Com a sua interpretação alegórica e relativista da Bíblia, êle pode pôr de parte êstes requisitos espirituais básicos e ensinar os seus adeptos a fazer o mesmo. Êste processo conduz ao estabelecimento de um Cristianismo nominal e de igrejas que se avaliam apenas de acôrdo com as normas humanas. Tomando como base os seus parâmetros académicos, o homem considera-se excepcionalmente bom.

A auto-decepção desta natureza traz consequências gravíssimas. As pessoas dêste tipo, sem renascimento espiritual, não pertencem ao Senhor. No caso de suspeitarem que algo lhes falta, ou racionalizam a sua fé, ou procuram refúgio num ritual religioso como o Baptismo ou a Santa Comunhão. Estas atitudes  são tambem erróneas, pois tais rituais foram instituidos para fortalecer  ou confirmar a fé já existente, do crente. Não  produzem fé. A dedicação real a uma vida de fé, é declarada numa oração sincera, e recebida como dádiva de Deus.    

Em Apocalipse 3:20 lemos que, embóra o Senhor Jesus se desassocie do louvor ôco de Laodiceia, mostra grande preocupação com essa gente enganada, e pede-lhe insistentemente que se arrependa. É por êste motivo que Êle está à porta da igreja do século vinte, e bate à porta, para que os que estão dentro  compreendam a sua  fome espiritual e aceitem o Seu convite para uma festa revitalizadora:

"Olhai, Eu estou à porta e bato. Se alguem ouvir a Minha voz e abrir a porta, Eu virei até si, e jantarei com êle e êle Comigo."

Exceptuando algumas igrejas e congregações que por certo não podem ser classificadas como laodiçaicas, o facto é que a maior parte das igrejas de maior vulto está a comprometer-se com o mundo. Estão empenhadas em esforços concentrados para encontrarem soluções para os problemas políticos, económicos e sociais dos nossos dias, que são cada vez mais profundos. O declínio teológico e os baixos valores espirituais que acompanham êste processo de secularização, vão continuar até ao aparecimento do Senhor para levar Consigo os Seus servos fiéis.               

Devido à sua atitude egoísta e forte envolvimento nos assuntos seculares, a igreja dos últimos dias está espiritualmente falida, e profèticamente sem visão. O arrebatamento dos verdadeiros crentes vai constituir portanto um tremendo choque, para os teólogos, ministros da igreja e próprios membros da mesma. Vai ser um acontecimento sobrenatural, que desafiará toda a explicação racional, e forçará as pessoas a fazer uma avaliação honesta dos factos fundamentais da Bíblia. Abençoados aqueles que se dirigem à Biblia para obter respostas, e estão reconciliados com o Salvador. Os outros continuarão no caminho da decepção, e far-se-ão membros  da falsa igreja mundial do Anticristo.

Désteis por acaso ouvidos a estas cartas pessoais do Senhor Jesus, dirigidas à Sua Igreja na terra? Em caso afirmativo, as vossas fraquezas espirituais  terão sido identificadas, e as soluções correctas  foram-vos dadas. À luz dêstes factos, sabereis agora se estais ou não no bom caminho. Se estais, não tendes motivo para recear o futuro.

Mas se não estais salvos,  ou estais apenas na condição de mornos, e não levásteis aínda a sério os avisos do Senhor e  o seu chamamento ao arrependimento, então estais a caminho de uma tremenda desilusão espiritual. Quer o compreendais quer não, a condenação e a escuridão eterna esperam-vos. O fim da era da igreja está a chegar, e em breve todos nós teremos de dar conta da nossa fé, ou da falta dela. O melhor é seguir o conselho de Isaías para tempos como o de hoje:

"Procurai o SENHOR enquanto Êle pode ser encontrado, clamai por Êle  enquanto está perto." (Isaías 55:6)