5. Salvar pessoas do Inferno

Que profunda emoção um cristão devia experimentar, ao pensar no Inferno e nos milhões que para lá vão! Não é de admirar, que os cristãos modernos tenham perdido a preocupação e paixão pela salvação dos pecadores. Eles esqueceram os ensinamentos da Bíblia sôbre o Inferno. Os pastores explicam os tormentos dos danados! Que razões poderosas temos para a oração, para a prègação, para salvar almas, quando aprendemos que todo o cidadão humano responsável, que parte dêste mundo sem uma definida mudança de coração, abre os olhos imediatamente no Inferno, atormentado em chamas!

Foi a salvação de almas do Inferno, que motivou o apóstolo Paulo. Ele estava tão preocupado por os seus compatriotas, os judeus, correrem o risco de ir para o Inferno, que pôde dizer, honestamente:

“Eu digo a verdade em Cristo, não minto; a minha consciência sendo também minha testemunha no Espírito Santo, que tenho um grande pêso e tristeza contínua no meu coração. Pois podia desejar ser eu próprio separado de Cristo por amor de meus irmãos, meus parentes segundo a carne” (Romanos 9:1-3).

O pêso no seu coração era tão grande, que depois de partir de Efeso juntou todos os prègadores da cidade, a maioria sem dúvida convertidos em resultado do seu ministério e lembrou-lhes:

“Portanto olhai e lembrai-vos que, pelo espaço de três anos, não deixei de vos avisar a todos com lágrimas, dia e noite” (Actos 20:31).

Paulo compreendia a perdição de uma alma; o pensamento nunca o abandonava! Dia após dia lutava, trabalhando até altas horas, ensinando as pessoas a arrependerem-se. E Paulo não tinha qualquer evangelho diferente do que nós temos hoje em dia. Tinha apenas, sim, uma mais profunda preocupação pela salvação dos pecadores. Para êle, era uma paixão santa, praticamente a única preocupação da sua vida. Para ver pecadores salvos do Inferno, para Paulo quase valia a pena ser êle próprio separado de Cristo.

Judas diz o seguinte sôbre o dever dos cristãos para com os pecadores:

“E outros salvai com mêdo, puxando-os para fóra do fôgo; odiando mesmo a roupa manchada pela carne” (Judas verso 23).

Deus queira que êste livrinho ajude a imprimir nos corações dos cristãos, um mêdo santo do Inferno, que lhes permita livrarem do fôgo os seus entes queridos.

O dever do homem para com o homem

Ponhamos de lado por um momento, toda a ideia de deveres para com Deus. Esqueçamos por um momento, todos os comandos da Palavra de Deus para salvar almas. Mesmo assim, a obrigação mantem-se de, se amarmos o nosso semelhante, levarmos pessoas para Cristo, salvando dessa maneira as suas almas da eternidade do Inferno. Nada de desculpas aqui. Ninguém exigiria ser oficialmente apresentado a uma pessoa, antes de encostar uma escada a um edifício em fôgo, onde essa pessoa estava em risco de morte numa janela alta. Um homem bom não esperaria que salva-vidas pagos chegassem, antes de lançar uma corda salvadora a alguém a afundar-se. Deixar a tarefa de salvar almas aos pastores e prègadores, é algo não só sem coração, mas também maldade sem desculpa. Deus tenha compaixão de nós. Nós próprios prègadores temos todos muita culpa! Estamos demasiado preocupados com centenas de pormenores, para verter lágrimas e fazer esforços pelos pecadores!

Como Jesus deu valor a uma alma

Jesus disse: “Porque, o que aproveitará a um homem, ganhar o mundo inteiro e perder a própria alma? Ou, o que é que um homem poderá dar em troca da sua alma?” (Marcos 8:36-37).

A minha alma é mais valiosa que o mundo! E a alma de cada pobre pecador tem para Êle tanto valor, como a minha alma para mim. Mais valiosa que o mundo inteiro. Pecador ouve: Tudo está perdido, se tua alma está perdida. Esta é uma maneira como Jesus avaliou o valor de uma alma.

Mas a melhor prova do que Jesus sente pelos pecadores, é que Éle morreu pelos pecadores. Se alguma vez duvidares da existência de um Inferno real, terrível, ardente e eterno, então volta a tràs e lê de novo a história de Cristo no jardim de Gethsemane, de Cristo na cruz do Calvário. Se não há Inferno, então o suor sangrento vertido no Gethsemane foi vertido em vão. Se não há Inferno, então a vergonha, o cuspo na cara do Senhor, os puxões à sua barba, a corôa de espinhos, a vergasta nas suas costas, foram mais que inúteis! Se não houvesse um Inferno terrível, do qual há que salvar os pecadores, então a horrível morte de Jesus depois de horas de agonia na cruz, não valeu de nada. Jesus conhecia os tormentos do Inferno e essa é a única razão que torna a sua morte pelos pecadores lógica e razoável. Conhecendo o destino dos pecadores condenados, não é de admirar que Jesus tenha interrompido o seu sono, para ganhar Nicodemo, tenha passado fome para salvar o povo de Samaria, sim, tenha retardado a sua própria morte no seu tormento da Cruz, o tempo suficiente para salvar o ladrão.

Querido cristão: Se tens algum relacionamento com o Salvador, se o teu coração se preocupa com as coisas que movem o Seu coração, então uma coisa te peço: Ajuda a manter pecadores fóra do Inferno!

Como é que podes comer ou dormir, tendo entes queridos nâo-salvos?

Num serviço de reavivamento em Shamrock, no Texas, uma jovem senhora levantou-se e, com lágrimas nos olhos e a soluçar, contou que o marido não estava salvo. E disse: “Quando quero outras coisas vou e procuro-as.” “E esta manhâ decidi que quero ver o meu marido salvo, mais que qualquer outra coisa neste mundo.” No dia seguinte dirigi-me à casa do jovem casal, para o almoço. Depois da refeição, a “senhorinha Jessie” como era familiarmente chamada, foi buscar a Bíblia e declarou na presença do marido: “Irmão Rice, Carlos não é Cristâo. Queria que lesse e orasse por êle agora, para que êle seja salvo.” Lemos as Escrituras e eu orei pelo jovem marido. Fiz-lhe ver o seu dever e o perigo que corria, mas êle não quiz confiar no Senhor.

Ao levantarmo-nos da mesa, o marido fez preparativos para levar a esposa à loja onde trabalhava e para seguir depois para o seu próprio trabalho. Mas a senhorinha Jessie disse: “Carlos, esta tarde não vou trabalhar. Diz ao senhor Forbis que não irei hoje.” Admirado e muito grave, o jovem marido foi para o trabalho. Ao sair da casa a esposa disse-me em lágrimas: “Irmão Rice, como poderia eu colocar-me detràs do balcão, medir as mercadorias, vender mangueiras, fitas ou luvas, sabendo que meu marido está perdido e que pode morrer a qualquer momento e ir para o Inferno? Tenho que me agarrar a Deus hoje. Meu marido tem de ser salvo!”

Essa mesma noite, quando Carlos regressou a casa, a mulher chamou-o para jantar. Havia apenas um prato na mesa. Algo perturbado, o marido nada perguntou. E quando à noite ia descançar, a senhorinha Jessie disse-lhe:”Não Carlos, tens que vir comigo à igreja.” E êle foi.

Nessa noite, prèguei o melhor que pude. Mas Carlos não respondeu. Outros foram salvos, a última chamada à frente foi feita, mas êle não veio! Depois disso ficamos muitos ali, e falámos e orámos, até que finalmente toda a gente foi embóra, salvo uns poucos dos presentes. Jeff Mankins estava pronto a fechar a luz no tabernáculo. O encarregado da igreja estava prestes a fechar a porta. Jessie estava de pé no centro da sala, a chorar. Então Carlos sugeriu: “Querida é melhor irmos.” E ela simplesmente abanou a cabeça e chorava ainda mais. Eu vi depois Carlos andar de um lado para o outro, perturbado e aflito, até que por último, quando coloquei a minha mão sôbre o seu ombro, êle rompeu em lágrimas também. Nunca mais esquecerei como se aproximou por tràs da esposa, pôs os braços à sua volta e disse: “Jessie, vou decidir-me esta noite.” Jessie conseguiu a salvação do marido, porque colocou isso em primeiro lugar na sua vida. Ela compreendia um pouco o terrível perigo e condenação de uma alma perdida. Milhões de pessoas vão para o Inferno, por causa de pais e de mães, irmãos, irmãs, esposas, maridos e vizinhos pouco se importarem e nada fazerem para seu bem, pelo seu destino eterno. Que Deus lembre disto os vossos corações hoje mesmo. Se há alguém que possas salvar do inferno – tenta-o hoje.

“Socorre o que perece, cuida do moribundo,

arranca-os com compaixão do pecado e da cova,

chora pelo que erra, levanta o caído,

fala-lhes de Jesus o Poderoso que salva.”