Inferno! O que a Bíblia diz a seu respeito

Da autoria de John R. Rice, foi publicado em 1945 por “Sword of the Lord Publishers” (Publicaçôes Espada do Senhor) – Tennessee – U.S.A. Reimpressão autorizada. Traduzido para Português por Julio de Andrade

Abstract: A Portuguese translation of Dr. John Rice’s article on the doctrine of eternal punishment for the wicked in Hell.

1. Como podemos informar-nos sôbre o Inferno?

“Havia um certo homem rico, vestido de púrpura e linho fino, que vivia sumptuosamente dia a dia. E havia também um certo pobre chamado Lázaro, que se sentava à sua porta, cheio de feridas, desejando ser alimentado com as migalhas que caiam da mesa do homem rico. Aínda mais, os cães vinham até si e lambiam-lhe as chagas. E aconteceu, que o pobre morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraâo. O homem rico também morreu e foi enterrado e, já no Inferno, em grande tormento, levantou os olhos e viu Abraâo à distância com Lázaro no seu seio. E, gritando, disse: ‘Pai Abraâo, tem compaixão de mim e envia-me Lázaro para que êle mergulhe a ponta do seu dedo em água e refresque a minha língua, pois estou em tormentos nestas chamas.’ Mas Abraâo respondeu-lhe: ‘Filho, lembra-te de que tu, em vida recebeste as coisas boas e Lázaro as coisas más; e agora, êle é confortado e tu és atormentado. Além disso, entre nós e ti há um grande abismo, de forma que, quem quer que fôsse daqui para aí não poderia fazê-lo, nem alguém daí pode vir até nós.’ O rico então disse: ‘Peço-te portanto pai, que o envies a casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos a quem desejo que fale, para que êles não venham também para este tormento.’ Abraâo ripostou: ‘Não, êles têm Moisés e os profetas: Que oiçam a sua voz.’ Ricaço: Não, Pai Abraâo, se alguém fôsse falar-lhes ido dos mortos, arrepender-se-iam.” Mas Abraâo respondeu: ‘Se êles não dão ouvidos a Moisés e aos profetas, nem mesmo que alguém de entre os mortos lhes fale, não se convencerão’” (Lucas 16:19-31).

Inferno! Que pensamento horrível!

Se há um lugar de tormento eterno onde as almas condenadas gritam em vão por água, entre chamas de que nunca escaparão, êsse é o mais terrível e alarmante facto do Universo! A simples possibilidade de semelhante fim estar à espera do pecador é tão chocante, que nada se lhe pode comparar em importância. Como é que se poderia comparar a glutonisse ou a fome dos nossos dias, a abundância de roupas ou a nudez, a honra ou a infâmia, o prazer ou a dor, com um milhão de anos de mágoa, tormento do corpo, da alma e da consciência? Peço ao pecador que pense bem no que Deus afirma, e veja como vale a pena considerar o que Éle diz sôbre o Inferno. E, amigo cristão, se um dos teus familiares está correndo o risco do fôgo do Inferno, quanta ânsia e alarme não deves sentir! Quão diligentes os teus esforços, quão fervorosas as tuas preces e noites sem sono deverão ser, para salvar êsse do destino das almas perdidas! Sim, se um ser humano vai a caminho de tão terrível destino, os nossos esforços não se devem limitar a laços de família ou amizades.

Se houver um único homem na terra, mesmo um estranho total, em risco de ir para o Inferno, todo e qualquer de nós com um pouco de amor pelo seu semelhante, deve ter um desejo apaixonado de salvar essa pobre alma. Para santos e pecadores, sem qualquer diferença, a questão do Inferno transforma-se em assunto da mais alarmante importância. Devemos elucidar-nos sôbre o Inferno para lhe escaparmos nós próprios e também para salvarmos outros.

A Bíblia é a nossa única fonte de informação sôbre o Inferno

O único sítio onde podemos elucidar-nos e aprender sôbre o Inferno, é na Bíblia. A ciência humana, nada sabe além da morte. A experiência humana, não atinge além da sepultura. Se o homem da terra alguma vez desejar saber o que se encontra para além desta vida, deve procurar sabê-lo de Deus. O Céu, o Inferno, as recompensas, os castigos, a felicidade e a tristeza para além da sepultura, são assuntos sôbre os quais a Palavra de Deus é a única autoridade. Assim, êste livro vai mostrar-vos o que a Bíblia diz sôbre o Inferno.

A escritura com que começamos êste livro constitui o que o próprio Jesus disse àcerca do Inferno e Êle disse muito mais que isso, conforme se regista em muitos versos do Novo Testamento. Jesus Cristo foi o maior prègador sôbre o Inferno, de todos os prègadores da Bíblia. Muita gente fala com frequência do Senhor Jesus como “o humilde Nazareno” ou “o manso e humilde Jesus.” Mas, na verdade, embora Jesus seja a própria essência do amor de Deus manifesta em forma humana, a Sua mensagem de aviso contra as terríveis consequências do pecado, foi a mais clara e contundente de toda a Bíblia. Reparai e pensai nas seguintes escrituras, todas afirmações do Senhor Jesus sôbre o Inferno:

·      “Mas, quem quer que disser ‘Tu, louco’, corre o risco do fôgo do Inferno” (Mateus 5:22).

·      “E não temais aqueles que matam o corpo, mas não são capazes de matar a alma: Antes, temei Aquele que é capaz de destruir tanto a alma como o corpo, no Inferno” (Mateus 10:28).

·      “Portanto, da mesma maneira que as taras são arrebanhadas e queimadas no fôgo, assim será também no fim dêste mundo. O Filho do Homem enviará os seus anjos, e êles retirarão do seu reino todas as coisas que ofendem e aqueles que praticam iniquidade e lançà-los-á na fornalha de fôgo. E haverá lamentos e ranger de dentes” (Mateus 13:40-42).

·      “Assim será no fim do mundo: os anjos virão, e separarão os maus dos justos e lançá-los-âo na fornalha de fôgo. E haverá lamentos e ranger de dentes” (Mateus 13:49-50).

·      “Vós serpentes, vós geração de víboras, como podereis escapar a danação do Inferno?” (Mateus 23:33).

·      “Então dirá Êle também aos que estão à sua esquerda: Afastai-vos de mim, vós malditos, para dentro do fôgo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos” (Mateus 25:41).

·      “E êstes se afastarão para o castigo eterno: Mas os justos para a vida eterna” (Mateus 25:46).

·      “E se a tua mão te ofender, corta-a: Pois é preferível para ti entrares na vida aleijado, do que teres duas mãos e ires para o Inferno, para o fôgo que nunca será apagado: Onde os seus vermes não morrem e o fôgo não é abrandado. E, se o teu pé te ofende, corta-o: Pois é melhor para ti entrares coxo na vida, do que teres dois pés e seres lançado no Inferno, no fôgo que nunca será apagado: Onde os seus vermes não morrem e o fôgo não é abrandado. E se o teu ôlho te ofende, arranca-o: Pois é melhor para ti entrares no reino de Deus com um só ôlho, do que teres dois olhos e seres lançado no fôgo do Inferno, onde os seus vermes não morrem e o fôgo não é abrandado. Pois cada um será purificado com fôgo, e cada sacrifício será purificado com sal” (Marcos 9:43-49).

As escrituras acima mencionadas, são todas palavras do próprio Senhor Jesus. Jesus era um prègador do Fôgo do Inferno. Para Êle, o Inferno era um facto, um facto horrivel, mas um facto necessário. Com indignação santa Êle prègou contra o pecado e, num aviso solene, instou junto dos homens no sentido de fugirem da ira que está para vir. Os prègadores da Bíblia, prègadores que seguem o Senhor Jesus, devem prègar sôbre o Inferno.

Mas, chamo a vossa atenção de novo para a passagem em Lucas 16:19-31 citada no princípio dêste capítulo. Jesus proferiu estas palavras na presença de homens, como palavras solenes, históricas. Isto não é uma parábola. A Bíblia não lhe chama parábola. Não tem as características de uma parábola. Abraâo, uma figura histórica, é mencionado pelo seu nome. Lázaro também. Isto não são personagens imaginárias. Sem dúvida, que o nome do homem perdido teria sido mencionado também, mas o coração sensível do Salvador não quis magoar os seus amados parentes, que podiam ter ouvido a história do homem rico que morreu e foi para o Inferno porque se não arrependeu dos seus pecados.

Se não acreditarmos nesta passagem, então não acreditamos também em Jesus Cristo. Se esta escritura sôbre o Inferno não é absolutamente digna de confiança, então teremos de rejeitar a Bíblia como a Palavra de Deus e Jesus como o Filho de Deus. Se não pudessemos acreditar o que a Bíblia diz sôbre o Inferno, então não poderiamos acreditar o que ela diz sôbre o Céu, sôbre Deus, sôbre Cristo, sôbre a salvação, ou sôbre o bem e o mal. Se se provar que a Bíblia é incorrecta e não é de confiança num só ponto, então ela é um livro humano, não um livro divino e a religião cristâ não é mais que qualquer outra religião inventada pelo homem. Mas, se Bíblia é verdadeira, então temos que acreditar no que ela diz sôbre o Inferno.

Jesus falou mais do Inferno, do que Moisés, David, Isaías, Paulo, Pedro, João ou qualquer outro na Bíblia. Jesus é autoridade. Somos obrigados a acreditar naquilo que Éle disse. Não nos atrevemos a rejeitar uma palavra apenas sôbre o que Êle disse relativamente aos tormentos de uma alma perdida, no Inferno. Não podemos acrescentar um facto consolador ao que Jesus disse a tal respeito. Interferir ou alterar o que Êle proferiu significa verdadeira infidelidade. Se eu provar qualquer parte dos seus ensinamentos como falsa, terei considerado Jesus um impostor, não o Filho de Deus e a Bíblia como um livro humano e não como a Palavra de Deus. Se não acreditarmos neste relato do homem rico no Inferno, não haverá nada na Bíblia que podemos acreditar e nada mais restará da religião cristâ. Devemos acreditar, e aceitar tal como se nos apresenta, tudo o que Jesus disse sôbre o Inferno. Se brincarmos ou menosprezarmos êste ponto, só ganharemos a maldição daqueles que morrerem não salvos, que não foram avisados, e que acabarão nêsse mesmo Inferno.

Porque é que o Diabo engana as pessoas sôbre o Inferno

Desde os dias do paraíso do Eden, até hoje, o Diabo tem estado empenhado em levar o homem à rebelião contra Deus e a pecar. O melhor argumento que o Diabo pode apresentar ao homem para o levar a pecar, é dizer-lhe que Deus não castiga o pecado. A Eva, no jardim do Eden, quando Deus lhe disse “no dia que comeres dessa fruta certamente morrerás” o Diabo contradisse: “Certamente não morrerás.” Êle levou Israel a acreditar, no tempo de Malaquias, “é vão Servir a Deus.” Porque o povo dizia “os que fazem o mal são ajudados, sim, os que tentam a Deus são até libertos!” E ainda mais, fez Israel acreditar na frase do povo “todo aquele que faz o mal é bem visto aos olhos do Senhor e o Senhor deleita-se neles!” (Malaquias 3:14-15; 2:17).

A grande finalidade do Diabo é fazer acreditar ao homem que o pecado não será castigado. Se o Diabo conseguir fazer acreditar ao homem que não há Inferno, ou que o Inferno é a sepultura, ou que o Inferno é apenas uma figura de prosa, não um lugar real e literal, ou que os malditos serão queimados de uma vez, rapidamente, sem muita dor, ou que terão ainda outra oportunidade de se salvarem, ou que “no fim de contas Deus é bom demais para enviar pessoas para o Inferno,” entâo, o Diabo terá levado a bom termo o seu propósito e levará o homem a continuar a pecar, dêsse modo levando os incautos ao Inferno. O papel do Diabo é reduzir ou negar a verdade dos ensinamentos da Bíblia sôbre o Inferno.

No fim de contas, as ideias modernas sôbre o Inferno, são parte da filosofia moderna que nega que o ser humano é inerentemente máu, a deidade de Cristo, a reconciliaçâo pelo sangue e a inspiração da Bíblia. Em vez da creaçâo directa do homem, a sua queda no jardim do Eden, e o depravado coração de toda a humanidade, que a Bíblia ensina, o modernista acredita que o homem é um producto da evolução e está a ficar melhor a toda a hora. Em vez da salvação pelo sangue de Cristo, reconciliaçâo pelo Filho de Deus para o homem pecador, ensina que a salvação se obtém pelas obras e pelo carácter do homem. Em vez de seguir a Bíblia – que é a Palavra de Deus verbalmente inspirada e que descreve o homem como pecador condenado a um Inferno de horror – com a salvação oferecida gratuitamente por um grande Salvador, o modernista segue as tradições dos homens e as suas teorias científicas e de raciocínio.

O Inferno é um assunto pouco popular. O Dr. J.M. Dawson afirmou em 1930: “que a velha ideia do Inferno se esfumou, e que os pastores das igrejas cultas se recusavam a reavivar essa ideia.” O facto é, que um homem de Deus que acredita na Bíblia deve prègar a terrível verdade, ou responsabilizar-se pela ruína daqueles que gritam por ajuda, sem esperança, num Inferno sôbre o qual não foram avisados! Uma pessoa que acredita na Bíblia e procura agradar a Deus, deve prègar sôbre o Inferno.