Um Plano Vitorioso Para A Vida

Os verdadeiros crentes em Jesus Cristo desejam ser bem sucedidos em todas as suas actividades e viver vidas espirituais em vitória. Em Galatas 5, a Bíblia fornece-nos êsse plano vitorioso para a nossa vida:

“Portanto eu digo: Caminhai no Espírito, e não obedecereis aos desejos desenfreados da carne. Pois a carne luta contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes estão um contra ao outro, de maneira que vós não fazeis as coisas que desejais… Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, auto-domínio… E os que pertencem a Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e desejos” (Galatas 5:16-17,22-23,24).

Estes nove frutos são instilados pelo Espírito Santo, e portanto não são imitações humanas de características divinas. Mas, em primeiro lugar, o domínio da carne ou velha natureza, deve ser vencido nas nossas vidas, de forma a que o Espírito Santo tenha oportunidade para Se manifestar livremente e sem impedimento através de nós. Muitos Cristãos não se submetem do coração ao Senhor, consignando-se assim à categoria de crentes falhados e carnais, em cujas vidas a carne não crucificada se opõe ao Espírito Santo. No jôgo de xadrez da vida, tal situação constitui cheque-mate, em que o nosso rei é rodeado de fôrças hostis. Em circunstâncias como esta não podemos fazer o que desejamos, anulando assim as nossas melhores intenções. Em primeiro lugar é necessário derrubar nas nossas vidas as fortificações do inimigo. Como Cristãos, devemos identificar-nos ìntimamente com a cruz de Jesus Cristo, em que não somos apenas lavados de todo o pecado, mas em que obtemos também a vitória sôbre a carne ou velha natureza (homem antigo) – (Lucas 9:23; Galatas 6:14).

Uma rendição desta natureza, é seguida pelo enchimento com o Espírito Santo, pois tal pessoa é lavada pelo sangue do Cordeiro, tornando-se canal aberto através do qual o Espírito se pode manifestar na forma de várias disposições e obras (1 João 3:18). Paulo chama-lhes o fruto do Espírito e descreve nove de las. As primeiras três exprimem o nosso relacionamento com Deus, as segundas três o nosso relacionamento com outras pessoas e as últimas três o nosso relacionamento entre nós próprios. As primeiras três são o amor, a alegria e a paz.

Amor – O amor refere-se ao mor divino agape, que é algo muito diferente do amor natural, do amor humano. O amor de Deus é sempre dirigido ao exterior, estando disposto a dar-se a si mesmo no preenchimento das necessidades materiais e espirituais dos outros. Em contrapartida, o amor da humanidade caída é sempre levado pelo egoísmo. O ser humano apenas se ama a si próprio, e cobiça tudo o que os seus olhos vêem. Isso é uma característica da carne, de que nos devemos libertar. Em vez dela, devemos encher-nos com o amor de Deus. Em Romanos 5:5 diz-se: “O amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que  nos foi dado.” Nós devemos estar enraizados e firmados neste amor, e compreender que é mais abençoado dar do que receber (Actos 20:35).

Em Nome do Senhor devemos dirigir-nos desta maneira a um mundo perdido na sua grande necessidade. Nunca aceitemos a ideia que o amor agape faz de nós pacifistas ou fracos. Há uma dinâmica de poder no amor de Deus que pode vencer toda a forma de mal: “Não vos deixeis dominar pelo mal, antes vencei o mal com o bem” (Romanos 12:21). Êste amor é indestrutìvelmente poderoso. Paulo afirma que poder algum, tribulações ou mesmo a morte nos podem separar do amor de Deus  existente em Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 8:38-39). Salomão afirma: “O amor é tão forte como a morte…Muitas águas não podem quebrantar o amor, nem as inundações o podem afundar” (Canção de Salomão 8:6-7). O amor de Deus é mais largo  que o mundo, mais profundo que o mais profundo mar, e mais alto que o mais alto céu (Efésios 3:18-19). Não há crise alguma ou problema que não possa ser vencido pelo amor e portanto, o amor é uma fonte de vitória nas nossas vidas. O mor de Deus deve ser aperfeiçoado em nós (1 João 2:5), através de obediência completa Àquele que nos dá o amor agape.

Alegria – O Cristão deve ser sempre uma pessoa alegre, porque êle sabe que os seus pecados foram perdoados – por mais graves e feios que possam ter sido. Êle sabe que a sua alma foi salva e  que está a caminho do céu. Êste conhecimento ajuda-o a não ser dominado pelas tentações, tristezas e desapontamentos da vida. Neemias disse aos filhos de Israel, que acabavam de passar pela experiência traumática do cativeiro na Babilónia: “Não vos entristeçais, pois a alegria do Senhor é a vossa fôrça” (Neem.8:10). E Paulo escreveu da prisão – “Alegrai-vos sempre no Senhor” (Filip. 4:4). Nós não nos devemos deixar vitimizar por pensamentos nêgros, que ameaçam mergulhar-nos num pôço de depressão. Para os Cristãos, há sempre uma luz a brilhar no fim do túnel, pois a expectativa da vida eterna no céu nunca deve esmaecer nos nossos corações. E também porque estamos alegremente à espera de um novo dia, que amanhecerá sôbre este mundo vil e nêgro quando Jesus regressar.

Paz – O Espírito Santo estabelece sempre a paz de Deus nos nossos corações: “E a paz de Deus, que ultrapassa toda a compreensão, guardará os vossos corações e mentes através de Cristo Jesus” (Filip. 4:7). Nós nunca mais teremos uma consciência culpada por causa das coisas que correram mal nas nosss vidas; por conseguinte, podemos dormir despreocupados e começar cada novo dia sem nos arrastarmos com a bagagem de pecados e êrros de julgmento anteriores. O sangue de Jesus Cristo lava-nos de todos os pecados que nos perturbavam (1 João 1:7). E a paz de Deus também nos guia em todas as decisões que temos de tomar. Não devemos fazer o que quer que seja, se a paz do Espírito Santo não nos disser nos nossos corações, que estamos a fazer a coisa correcta.

Paulo volta agora às disposições que determinam o nosso relacionamento com outras pessoas. O amor, a paz e a alegria do Senhor, que d’Êle recebemos nos nossos corações, devem ser postos agora em acção para com outras pessoas, pois nos comprometemos a amá-las. O nosso relacionamento com os nossos semelhantes humanos deve portanto ser caracterizado pela paciência, benignidde e bondade.

Paciência – Uma vez  que um Cristão cheio do Espírito Santo beneficia da paciência e perdão do Senhor, êle nunca é rápido a julgar e a condenar outros. Êle perdoa fàcilmente aos seus devedores, dando-lhes sempre uma nova oportunidade. No entanto, isto não quere dizer que tal atitude cubra má conduta, corrupção ou maldade, pois devemos sempre insistir em que o mal  deve ser afastado (Efésios 4:31).

Benignidade – Também somos instruidos que a nossa benignidade deve ser vista por toda a gente (Filip. 4:5). Na vida raramente se encontra verdadeira benignidade. A benignidade do mundo é falsa e de curta duração, pois muitas vezes nem de facto existe e é substituida pelo desprêzo para com os outros. Mas o Senhor dá-nos a verdadeira benignidade, que garante a abertura de portas para tocar os corações de outras pessoas.

Bondade – Aínda mais, nós fomos instruidos no caminho da bondade. O nosso relacionamento com os outros não deve ser caracterizado apenas por disposições positivas, mas sim também por acções positivas. “Portanto, quando tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos que pertencem à família da fé” (Galatas 6:10). Como o Bom Samaritano, devemos extender a mão da nossa ajuda aos necessitados, o que nos dá ocasião para os ganharmos espiritualmente para o reino de Deus. Mas, acima de tudo o mais, devemos dedicar-nos a apoiar outros Cristãos, particularmente aqueles que andam a fazer o trabalho do Senhor com magros recursos à sua disposição.

Por fim, o Espírito Santo também deseja instilar em nós certas características que determinarão o nosso relacionamento com nós próprios. Há sempre o perigo de podermos esquecer-nos de nós mesmos, não compreendendo por completo a extensão do nosso potencial através de um aumento de sabedoria, experiência e dedicação ao Senhor. Não devemos ser caracterizados por um amor próprio mundano, que dá lugar à arrogância, mas sim por um amor próprio divino que nos ajudará a subir a maiores alturas. As nossas vidas pessoais devem ser caracterizadas por fidelidade, mansidão e auto-domínio (temperança).

Fidelidade – Como pessoas, devemos ser fiéis e auto-disciplinados em tudo quanto fazemos. Pessoas esquecidas, infiéis e sem disciplina, muitas vezes  têm de dar desculpas pela sua negligência. E isso não promove uma imagem cristã valiosa. A fidelidade começa com a observância pronta dos nossos encontros diários com o Senhor e com  a Sua Palavra. Mesmo  com um programa muito ocupado, devemos sempre criar espaço para os nossos momentos de quietude, conseguindo assim manter-nos espiritualmente fortes. Muitos Cristãos são como um telemóvel com bateria descarregada: - o seu contacto com quem fala é fraco e ou interrompido.

Mansidão – Ainda mais; a vida de um Cristão cheio do Espírito Santo deve ser caracterizada pela mansidão. Quere isto dizer que não devemos ser duros, inconvencíveis e resistentes ao ensino. A Bíblia diz: “Hoje, se ouvirdes a Sua voz, não endureceis os vossos corações” (Hebreus 3:7-8). Todas as pessoas possuem a capacidade de endurecer os seus corações contra a Palavra do Senhor, ignorando os Seus mandamentos e fazendo coisas que apenas a si agradam. O pecado, assim como o mundo vil, tornam as pessoas duras e resistentes ao Senhor. Os seus corações ficam como uma pedra e a semente da palavra não pode penetrá-los e criar raiz. Paulo diz: “Exortai-vos uns aos outros diàriamente… para que nenhum de vós seja endurecido pela decepção do pecado” (Hebreus 3:13). Tiago diz: “Recebei com mansidão a palavra implantada, que pode salvar as vossas almas” (Tiago 1:21). As pessos que assim procedem progridem nas suas vidas espirituais, visto que a boa semente cresce nelas e produz muito fruto – mesmo cem.

Auto-domínio (Temperança) – O auto-domínio é também uma característica pessoal muito  importante. Indica a habilidade de uma pessoa se controlar antes de proferir palavras duras e ofensivas, ou cometer actos impulsivos que mais tarde pode lamentar. A Bíblia diz: “Aquele que demora a zangar-se vale mais que os poderosos, e aquele que controla o seu espírito vale mais que aquele que conquista uma cidade” (Provérbios 16:32). Nós ganhamos uma grande vitória quando, através do poder do Espírito Santo, conseguimos evitar explosões emocionais. Quando alguém para sùbitamente na estrada à nossa frente, para deixar sair do carro ou receber passageiros, nós devemos respirar fundo algumas vezes antes de darmos larga à nossa ira e berrarmos e insultarmos essa pessoa. Ao respirarmos fundo, pedimos ao Senhor as palavras apropriadas para nos dirigirmos a essa pessoa. E o mais provável é sermos aconselhados a simplesmente cumprimentar civilmente essa pessoa e seguir viagem. Ao procedermos desta maneira, estamos a ser melhores que os poderosos que destroiem os inimigos, pois estamos a vencer o mal com o bem. Em circunstâncias semelhantes estamos a proclamar a mensagem que existe um caminho divino de vitória que se sobrepõe alto ao mundo doente e cheio de problemas dos nossos dias. É um previlégio santo e fruto do Espírito Santo, sermos capazes de perdoar sem tornar os outros responsáveis pelos seus êrros, pois isso revelaria um espírito incapaz de perdoar.

Quando o Espírito Santo enche todo o nosso ser e controla por completo as nossas vidas, tornamo-nos capazes de espalhar por toda a parte a fragrância do conhecimento de Cristo. Então o fruto do Espírito será visto nas nossas vidas por toda a gente, pois estamos a fazer obras próprias do arrependimento. Isso é um plano vitorioso para a vida. Referindo-se ao Espírito Santo, o Senhor Jesus disse que rios de água viva brotariam dos nossos corações (João 7:37-39). Esforcemo-nos para que essa água corra sempre através de nós. Jeremias disse: “Abençodo é aquele que confia no Senhor, e cuja esperança está no Senhor. Pois êsse será como uma árvore plantada junto às águas, que estende as raizes ao longo do rio e não tem mêdo quando o calor chega; as suas folhas serão verdes, não terão mêdo no ano da seca, e não deixará de produzir fruto” (Jeremias 17:7-8).

Continua o leitor a produzir o fruto do Espírito num mundo hostil e espiritualmente sêco? Isso só pode acontecer se as palvras de Cristo residirem firmemente em nós, pois o Espírito Santo fala-nos através da Palavra para nos encorajar e manter no caminho certo. Um coração cheio da Palavra de Deus é um coração puro; por isso o salmista diz: “A Tua palavra eu guardei no meu coração, para que não peque contra Ti” (Salmo  119:11). Jesus Cristo é a Palavra viva. Se vivermos n’Êle, produziremos muito fruto (João 15:4-5). E se essa é uma característica das nossas vidas, podemos esperar confiadamente pela grandiosa festa de casamento do Cordeiro no céu, para a qual todos os verdadeiros crentes foram convidados (1 João 2:28;  Apocalipse 19:9).