Fundamentalismo Cristão (“Christian Fundamentalism”)

Prof. Johan Malan, Middelburg, South Africa (Abril 2008)

Existem tantas variedades de Cristianismo no que respeita às suas práticas e credos, que se pergunta muitas vezes: Qual é a verdadeira? Os cristãos que aderem fortemente às afirmações, princípios e valores das Escrituras, são chamados crentes fundamentais, conservadores ou evangélicos. As características desta disposição são aqui revistas em têrmos da sua importância para uma fé sã.

O fundamentalismo cristão está associado aos seguintes 32 princípios básicos:

Reconhecimento da autoridade das Escrituras. Nas suas línguas originais a Bíblia é reconhecida como a literal e inerrante Palavra de Deus, que foi inspirada pelo Espírito Santo. Contem conhecimento verdadeiro sôbre a nossa salvação em Jesus Cristo, e fornece também uma fundação segura para a nossa vida cristã em todos os seus aspectos:  “Toda a Escritura é dada por inspiração de Deus, e é proveitosa para doutrina, reprimenda, correcção e instrução em rectidão, para que o homem de Deus possa ser completo e perfeitamente preparado para toda a bôa obra” (2 Tim. 3:15-17; 2 Pedro 1:19-21). Deus é a autoridade suprema no universo e a Sua pre-eminência confere autoridade a todas as afirmações contidas na Sua Palavra. Se temermos a Deus, devemos reconhecer a autoridade da Sua Palavra e caminhar diligentemente na sua luz. São-nos  prometidas bênçãos divinas se não nos desviarmos da Palavra (Deut. 5:32; Isa. 66:2; Rev. 3:8). Por outro lado, os julgamenos de Deus caiem sôbre todos aqueles que Lhe voltam as costas, rejeitam Sua autoridade e desprezam a Sua Palavra.

A interpretação literal das Escrituras. A interpretação literal, gramático-histórica das Escrituras é fundamental para o Cristianismo evangélico. O Senhor significou o que disse, a um povo particular, durante uma época particular. A linguagem figurativa e o simbolismo, devem limitar-se a passagens que a própria Bíblia indica deverem ser compreendidas dessa maneira. A regra é: Quando o sentido simples da Palavra tem senso comum, não procurar qualquer outro sentido. Mesmo quando são usados símbolos, geralmente êles têm os seus anti-tipos literais, e portanto não devem ser interpretados alegòricamente. Por exemplo, a bêsta com as sete cabeças não é um conceito abstrato que deva ser interpretado alegòricamente, mas sim a descrição simbólica de uma pessoa, o Anticristo. Na Bíblia são muitas vezes usados nomes descritivos, para dar ênfase a certas características espirituais ou morais de uma pessoa. Assim, Cristo é descrito como a luz do mundo, a água, e o pão da vida, o Cordeiro de Deus etc. Quando as pessoas se desviam da interpretação literal das Escrituras, por exemplo, alegando que Israel é a igreja, ou que Jesus apenas metafòricamente ressuscitou dos mortos, só proclamam a sua própria interpretação subjectiva da Palavra, alterando dessa maneira por completo o seu significado básico.

A rejeição da espiritualização. Os apóstolos e os pais da antiga igreja, seguiam o princípio do sensus plenior (Ingl. significando simples), ao interpretarem as Escrituras. Aceitavam que as Escrituras só têm um significado básico. Durante séculos seguintes, esta atitude foi cada vez mais rejeitada. Origen, (185 AD), é o pai da interpretação alegórica, e escreveu vários livros sôbre o assunto. Êle foi fortemente influenciado pela filosofia grega de Platão e tentou sintetizar a filosofia com o dogma cristão. Êle considerava a Bíblia como um livro cheio de simbolismos e construções alegóricas, e portanto não a interpretava literalmente. Para êle, o verdadeiro significado da Bíblia encontrava-se no conhecimento filosófico-espiritual (conhecimento dos mistérios espirituais), que todo o crente devia procurar. Para êle, não havia a mínima possibilidade de um reino literal de Cristo na Terra, nem de um Anticristo pessoal a reinar no mundo por sete anos antes da vinda de Cristo. A interpretação alegórica das Escrituras tem uma origem muito duvidosa, pois a Bíblia não é interpretada por si mesma, mas sim vista em têrmos de uma compreensão filosófica, como um livro abstrato com um signifado esotérico oculto. Êste ponto de vista continua perpetuado na teologia reformada, pois os reformadores assim como os seus sucessores preferiram rejeitar a regra do sensus plenior de forma a, entre outras coisas, evitarem a ideia da restauração literal de Israel. Grupos de estudo e de beneficência nas igrejas, são muitas vezes encorajados a explorar os significados múltiplos que podem ser obtidos espiritualizando as Escrituras. Para cada pessoa, um determinado verso pode significar algo completamente diferente. Desta maneira, é raro considerarem o significado básico, de raiz, de um verso. Os fundamentalistas não podem aceitar esta visão da Bíblia. Aplicações diferentes da mesma verdade são aceitáveis, mas não interpretações completamente diferentes das mesmas afirmações das Escrituras.

Reconhecimento das realidades espirituais. Uma forma literal de interpretação também possíbilita o reconhecimnto das afirmações espirituais da Bíblia. Não há qualquer verdade  na afirmação dos teólogos espiritualistas, que apenas êles compreendem a Bíblia espiritualmente, ao passo que os fundamentalistas a compreendem  literalmente, negando assim as suas verdades espirituais. Tal argumento sugere que apenas êles são espirituais e nós não. O facto é que nós aceitamos o significado de raiz de cada verso. Se o significado básico de um particular verso é espiritual, nós o aceitamos à face do valor que nos apresenta, como afirmação espiritual. Nós não tentamos alterar Escrituras que possuem significado òbviamente espiritual. De acôrdo com a nossa compreensão, não constitui sã prática exegética espiritualizar virtualmente toda a Bíblia, privando-a assim do seu significado básico e da autoridade das Escrituras. Não existe base sã para a espiritualidade, se não possuirmos uma Bíblia com autoridade.

Conservatismo teológico. Um cristão fundamental é conservador, porque é dedicado à interpretação e aplicação da mensagem da Bíblia à base do seu simples significado. As pessoas que tomam a liberdade de alterar o significado básico de uma escritura espiritualizando-a ou alegorizando-a, estão a agir de maneira liberal e propositada. Elas não respeitam o significado de raiz da Palavra de Deus, decidindo por sí próprias que outro significado lhe atribuir. Não há limites para a interpretação egoísta dos teólogos liberais. Muitos deles pegam em conceitos literais como o céu, o inferno, o diabo, o Anticristo, Israel e o reino milenário de Cristo, e depois apresentam explicações que diferem radicalmente daquelas dadas pela Bíblia. E vão mesmo ao extremo de negarem a realidade de alguns desses mesmos conceitos. Como justificação para a sua presunção liberal, alegam que a Bíblia foi escrita em têrmos de uma visão antiga do mundo, quando as pessoas aínda acreditavam em dragões, no diabo e no inferno. Os modernistas afirmam que as revelações de Deus na Bíblia foram redigidas à base de superstições primitivas, utilizando êste argumento para de facto re-escreverem toda a Bíblia. Deus vai castigá-los severamente, como se afirma no último capítulo da Bíblia (Apocal. 22:18-19).

A doutrina bíblica da criação. A afirmação bíblica que Deus é o criador de tudo quanto existe, é totalmente aceite nos circulos evangélicos. Esta crença conduz à rejeição completa da teoria da evolução, que se baseia nas hipóteses sem provas que toda a vida teve origem num organismo unicelular, algures num grande pântano. A teoria da evolução compreende uma negação clara do facto que os seres humanos possuem atributos que os animais não possuem. Os seres humanos são também entes espirituais, que foram criados à imagem de Deus, e que portanto Lhe têm de dar contas das suas acções. A maioria dos evolucionistas é agnóstica, visto que pensa ter evidência científica de que Deus não teve nada a ver com a origem da vida. Estão profundmente enganados, pois não existe qualquer evidência sólida que apoie a sua teoria. Não se encontrou prova alguma da existência de espécies de transição, à base da qual êles acreditem na mudança evolutiva para mais elevadas formas de vida. Desde a criação, macacos continuam a ser macacos, não tendo evoluido para algo diferente. Êles não são nossos antepassados!

O reino hostil de Satanás. Os cristãos fundamentais acreditam na existência de um reino inimigo de trevas controlado por Satanás e seus demónios. O Senhor preparou o lago de fôgo, como lugar de eterna condenação para o diabo e seus anjos e para todos os pecadores não salvos (Mat. 25:41; Apocal. 20:11-15). Porque os nossos primeiros pais foram enganados por Satanás, êles torrnaram-se pecadores e, em consequência disso todos nós nascemos com uma natureza pecadora (Rom. 5:12). Só  por Jesus Cristo nós podemos ser salvos do poder de Satanás e do efeito destrutivo do pecado (Efes. 1:7; 1 João 3:18). Nós devemos prevalecer contra a nossa natureza pecadora (Gal. 5:16-17) e ao mesmo tempo cobrirmo-nos com toda a armadura de Deus, para sermos capazes de enfrentar todas as armadilhs do diabo (Efes. 6:10-13). A guerra espiritual é o caminho da vitória na nossa batalha pessoal contra Satanás. Mas não devemos utilizar êste método em esforços anti-bíblicos para expulsar Satanás e seus demónios de cidades, países, continentes e até do mundo inteiro. Durante esta dispensação, nós estamos a viver num mundo que se encontra sob a influência do Maligno (Gal. 1:4; 1 João 5:19). Estamos envolvidos numa luta contra o mal, e essa luta vai ser mais intensa à medida que nos aproximamos do fim desta mesma dispensação.

Dispensacionalismo. Uma interpretação literal da Bíblia, obriga-nos a uma exposição dispensacional da verdade revelada por Deus. Toda a dispensação (ou época) tem as suas próprias características, embora possa também participar de certas semelhanças com outras dispensações. Devem-se ter em conta por exemplo, em afirmações de fé baseadas na crucificação de Cristo do Novo Testamento (NT), distinções dispensacionais que òbviamente sejam diferentes das afirmações de fé do Velho Testamento (VT) É impossível manter a perspectiva correcta, se não considerarmos as realidades dispensacionais. Quando diferentes dispensações no conselho de Deus para a humanidade, se confundem umas com as outras, podem daí resultar grave decepção e falsas esperanças. E isso acontece quando aspectos da dispensação da lei em Israel, noVelho Testamento, se confundem com a dispensação da graça do NT (dispensação da igreja), ao promover-se uma forma legalística de adoração. Segue-se uma aínda maior decepção, quando a dispensação da igreja é confundida com a futura dispensação do reino – ou seja, o reino de paz de Cristo na Terra, que apenas vai ser estabelecido depois da Sua segunda vinda Quando não se distinguem claramente estas duas dispensações, a falsa expectativa nasce, que o diabo pode ser agora preso e desprovido do seu poder, que os cristãos podem agora conquistar o mundo e dominá-lo governando como reis e que sinais e maravilhas vão aumentar como parte da sua manifestação dos poderes do reino. Tais pessoas estão iludidas e não possuem a mínima compreensão das profecias bíblicas que descrevem um mundo a deteriorar progressivamente, durante o estágio final da dispensação da igreja (1 Tim. 4:1; 2 Tim. 3:1-5).

A restauração de Israel. Os cristãos fundamentais reconhecem o moderno estado de Israel, porque acreditam no cumprimento literal das múltiplas promessas bíblicas sôbre a sua restauração na Terra Prometida, no fim dos tempos (Isa. 11:11-12; Jer. 31:3-10,20-21,31-39; Ezeq. 11:17; 36:22-29; 37:21). Israel encontra-se presentemente a regressar à terra dos seus antepassados (Gen. 13:14-15; 17:8; 26:3; 28:13). Êles têm o direito bíblico inegável a essa terra, o que implica claramente que não lhes pode ser negada – nem pode ser dividida. A solução de dois estados que os Estados Unidos e as Nações Unidas estão a impôr, exige a divisão dessa terra em dois estados – Israel e Palestina – mas tal solução está em conflito directo com a Bíblia. Deus vai enviar severos castigos sôbre os Gentios que aprovam a divisão de Israel (Joel 3:1-2). O Senhor não só ligou o Seu nome a Israel como um povo (Jer. 31:1), mas também a Jerusalém como sua capital espiritual e política, situação que será completa realidade durante o Milénio, depois da vinda de Cristo (Reis  9:3; 11:36; Isa. 2:1-4; Jer. 3:17).

Reforma contínua. Os cristãos verdadeiros deviam estar ocupados a alinhar a teologia e práticas da sua igreja ou assembleias com a Palavra de Deus. O estudo bíblico e os recursos para investigação deviam ser utilizados para obter um conhecimento mais profundo da Palavra, seguidos de esforços para a aplicação prática do novo conhecimento. Deve-se ter cuidado em não perpetuar as convicções e crençs não-bíblicas que podem ter sobrevivido por muito tempo como tradições da igreja, mas que nunca foram sèriamente investigadas ou interrogadas. Muitas das igrejas reformadas são culpadas disso e desleixam-se, não examinando crìticamente os êrros graves que os seus antecessores infiltraram nos seus credos. Desta maneira, mesmo usos e dogmas inteiramente não-bíblicos da igreja romana penetraram na igreja da Reforma, sobrevivendo até aos nossos dias. Em vez de uma reforma verdadeira, que é um movimento de regresso às normas e princípios bíblicos, muitas igrejas estão envolvidas numa reforma não-bíblica, em que as crenças evangélicas que tinham ficado na igreja são arrancadas e rejeitadas. Na África do Sul existe uma Nova Reforma dêste tipo, que é responsável por extensa destruição teológica. Tal não é uma  reforma para levar a igreja mais perto da Bíblia, mas sim uma deforma destinada a destruir os fundamentos da fé da mesma igreja. Os novos reformadores mantêm que a “história-mestre” do Cristianismo tem por base os limitados e em muitos casos erróneos conhecimentos dos pais da igreja e dos autores de livros bíblicos. Por meio da investigação moderna, que não passa de desconstrução post-moderna e mal colocada “reflexão académica”, andam a construir um “Jesus histórico”, que não nasceu de uma virgem, que não é Deus,cuja morte na cruz não tem significado redentor e que não ressuscitou fìsicamente da sepultura. Esta “investigação” é feita em seguimento ao Seminário Jesus  nos Estados Unidos. Para todos êles, a Bíblia não é a Palavra infalível de Deus, mas sim opiniões religiosas e pura especulação por pensadores primitivos. Êles também igualam o Cristianismo às religiões não-cristãs. Êste processo de deformação religiosa deve ser rejeitado e substituido por uma verdadeira reforma.

Cristologia Bíblica. Os Cristãos Fundamentais acreditam na completa revelação de Jesus Cristo na Bíblia, e assim o proclamam. Deve haver clareza absoluta quanto à Sua auto-existência, o Seu papel na criação do mundo, a posição de igualdade que ocupa na Trindade como Deus Filho junto com Deus Pai e Deus Espírito Santo, o Seu nascimento virgem durante a Sua incarnação, o significado total da Sua morte apaziguadora na cruz, a Sua ressurreição corpórea dos mortos, a Sua ascenção, as Suas funções como Profeta, Sumo Sacerdote e Rei, bem assim como a Sua revelação como Rei de Israel e do mundo inteiro, na altura da Sua segunda vinda. Então Êle governará o mundo do trono de David em Jerusalém no Seu reino milenário de paz. Num contexto dispensacional, os Seus atributos devem também ser correctamente compreendidos. Na dispensação da igreja o mais saliente é a crucificação de Cristo, que é rejeitado pelo mundo, o Seu papel de Sumo Sacerdote intercedendo por nós junto do trono do Pai, e também a maneira especial como guia os Seus discípulos através do Espírito Santo e lhes dá poder para a sua comissão de evangelizar o mundo Durante o milénio Êle estará fìsicamente na Terra. E então o mais importante será o Seu papel como Rei, todo o joelho se curvando perante Si.

Singularidade da Fé Cristã. No nosso relacionamento com o mundo exterior, nós devemos adoptar uma posição forte relativamente à singularidade da Fé Cristã. Ninguém pode vir ao Pai senão através de Jesus Cristo (João 14:6). “Nem existe salvação em qualquer outro, pois não existe  nenhum outro nome entre os homens sob o Céu, pelo qual devamos ser salvos” (Actos 4:12). Não podemos dar qualquer credibilidade às religiões não-cristãs, nem se podem formar ligações ecuménicas com elas. Nem mesmo se podem manter relações de irmão para irmão com igrejas cristãs nominais que não possuam uma clara confissão da salvação baseda na morte apaziguadora de Jesus Cristo.

A doutrina evangélica da salvação. A Bíblia afirma com clareza, que a condição para a salvação é o arrependimento e a aceitação de Jesus Cristo pela fé, como nosso salvador (João 1:12; Actos  16:31). Com a Sua morte na cruz, Jesus Cristo constituiu o sacrifício propiciatório para os pecados de todo o mundo (Actos 17:30; 1 João 2:2). Um pecador deve exprimir a sua fé no crucificado Senhor Jesus, que, através da Sua ressurreição também  venceu a morte e a cova, e vive para sempre para interceder por nós. Nenhuma pessoa pode declarar-se justificada em qualquer outra base, como por exemplo na base das suas obras ou do seu batismo e confirmação (Veja Ef. 2:8-9). Não existe qualquer base bíblica para o ponto de vista reformado comum, que diz que o Senhor escolheu certas pessoas para a salvação antes da fundação do mundo e que a sua predestinação é confirmada pelo batismo de infantes. Esta é a doutrina católica romana do batismo de regeneração. A Bíblia clara e repetidamente confirma que Deus deseja salvar todas as pessoas (João 3:16; Actos 17:30; 1 Tim. 2:3-4; 2 Pedro 3:9). A porta da graça está aberta para toda a gente, e cada pessoa tem de decidir se êle ou ela deseja entrar.

Sensibilidade ao trabalho do Espírito Santo. Os ministérios mais importantes do Espírito Santo estão relacionados com a convicção do pecado, a regeneração, a concessão de poder, ensinar e confortar. Nós deviamos ter uma grande sensibilidade à voz do Espírito Santo, e obedecer-Lhe, mesmo quando nos convence do pecado, visto que Êle nunca nos força a obedecer-Lhe. O Espírito Santo pode fàcilmente ser ofendido (Efe. 4:30), o que significa que quem O ofende actua fora da vontade de Deus. Devemos  também ter muito cuidado e não atribuir ao trabalho do Espírito Santo estranhas  manifestações nas dimensões física e mental, como por exemplo o cair no Espírito. Êste fenómeno conduz usualmente a transes e a um procedimento bizarro e embriagado, como o riso descontrolado, palavras incoerentes e ruidos animalescos. Quando verificamos estas manifestações estranhas à luz das Escrituras (1 João 4:1), prova-se claramente que são não-autênticas e estão em conflito com a interpretação fundamental das Escrituras.

A liberdade da vontade humana. Deus deu ao ser humano uma vontade livre, de modo que êle pode decidir entre o bem e o mal. Êle deseja de nós amor voluntário, o que significa que nós devemos tomar de livre vontade a decisão de nos arrependermos e de O amar e adorar, depois de sermos convictos pelo Espírito Santo. A doutrina da predestinação não é bíblica, visto que ensina que Deus manipula todas as pessoas de uma maneira predeterminada para agirem de acôrdo com a Sua vontade. O Senhor Jesus refuta tal doutrina quando afirma “Que aquele que tem sêde venha. E quem quer que queira (ou deseje) que êsse tome livremente a água da vida” (Apocal. 22:17). Êle também disse que queria trazer a Si os habitantes de Jerusalém, mas que êles não queriam (Mat. 23:37). O facto que as pessoas podem agir em conflito com a vontade de Deus, ofendendo assim o Seu Espírito, de modo algum restringe a soberania de Deus. Êle Próprio tomou a decisão soberana de dar às pessoas uma vontade livre, de forma a que elas possam decidir por si mesmas a quem desejam servir (Veja-se Jos. 24:15; 2 or. 5:20). O Senhor conhece de antemão quem se vai reconciliar Consigo, e então escolhe (ou nomeia) êsses para a santidade e serviço produtivo. Isto quer dizer, que os nomeia no Seu reino e lhes determina a natureza do serviço a prestar.

A doutrina bíblica do pecado. O homem tinha sido criado à imagem de Deus, mas devido à Queda morreu espiritualmente e adquiriu uma natureza pervertida, com tendências imorais. As suas acções e pensamentos que estão em desharmonia com a divina natureza de Deus, são descritos como pecado. No Velho Testamento, a lei culpou Israel de pecado e, na presente dispensação,é o Espírito Santo que convenve as pessos do pecado, de harmonia com as normas e ditames das Escrituras.Deus deseja restaurar a Sua natureza divina na vida das pessoas mas, para isso acontecer, são necessários o arrependimento, a regeneração e a santificação. O Seu chamamento a Israel no Velho Testamento  e a todos os crentes no Novo Testamento, é o mesmo: “Sêde santos, pois Eu sou santo” (Lev. 11:44; 1 Pedro 1:15-16). A definição de pecado nunca mudou desde  a Queda até hoje, visto que inclui todas as formas de comportamento que estão em conflito com a inalterável e santa natureza de Deus. Os valores humanos nunca podem tornar-se normas para a apreciação do pecado, porque são determinandos subjectivamente por pessoas que estão aínda dominadas na maioria dos casos, pela sua natureza pecadora não crucificada. Só a Bíblia é a norma que define o pecado. Se a Bíblia diz que a homosexualidade é pecado (Rom. 1:26-27), a homosexualidade continuará para sempre a ser pecado, porque Deus não criou as pessoas dessa maneira. A Bíblia discute muitas vezes o pecado, entre outras coisas como o fruto da carne, que é a natureza pecadora dos seres humanos. “O salário do pecado é a morte” (Rom. 6:23). Portanto, necessitamos urgentemmente de ser salvos dos nossos pecados por Jesus Cristo (Mat. 1:21).

Princípios bíblicos e práticas culturalmente determinadas. Os princípios bíblicos para o comportamento humano nunca mudam, mas as expressões culturalmente determinadas dêsses princípios podem variar de cultura para cultura e com o decorrer do tempo. No século primeiro, as mulheres tinham de cobrir a cabeça quando adoravam o Senhor, como indicação de que se submetiam à autoridade dos maridos. Hoje, pôr um chapéu de modo algum é tido como símbolo de aceitação de autoridade; portanto, êste princípio deve ser honrado de outras maneiras. Os homens têm de se saudar uns os outros calorosamente. Durante o primeiro século, faziam isso beijando-se (1 Cor. 16:20; 1 Tess. 5:26). Hoje em dia existem outras formas de nos saudarmos com o mesmo calor! O vestuário também mudou. O princípio é que nos devemos vestir com modéstia. No século primeiro  os homens não usavam casacos e fatos, mas sim roupas compridas. Hoje temos maneiras completmente diferentes de nos vestir como deve ser. Mas devemo-nos manter sempre fiéis e honrar os princípios bíblicos da nossa própria cultura.

Pensar em opostos. A Bíblia ensina-nos a pensar em opostos. Os cristãos fundamentais devem poder distinguir sempre entre a luz e a escuridão, a rectidão e o pecado, o que é belo e o que é feio, o bem e o mal, a verdade e as mentiras. Para o poderem fazer, necessitam de normas espirituais e morais, que se podem então aplicar a todas as situações, para estabelecer uma linha divisória entre fenómenos e ideias aceitáveis e não aceitáveis, como a Bíblia ensina. Na emergente nova ordem mundial e também no Movimento Nova Era, existe uma tendência clara em direcção ao pensamento holístico, que conduz à convergência e à unificação de todas as coisas. Já se não estabelecem limites, porque perturbam a unidade mútua de todas as coisas. Hoje em dia, o que importa é a construção de pontes, a reconciliação e a unidade. Por exemplo, todas as religiões deviam juntar as mãos em têrmos da ideia holística que todos nós adoramos o mesmo Deus. Da mesma maneira, todas as culturas e ideologias deviam convergir, de forma a substituir a diversidade existente por uma unidade que inclua tudo. Esta maneira de pensar é diametricamente oposta ao pensamento bíblico, que se baseia em conceitos claramente definidos. Deus separou a luz da escuridão, e espera de nós que compreendamos as características definidoras de diferentes categorias de coisas, de forma a não as misturarmos ou confundirmos (2 Cor. 6:14-18).

Uma disposição (apologética) defensiva. A mensagem e exigências da Bíblia estão em oposição a um mundo depravado e pecador. Por essa razão como cristãos nós devemos brilhar como luzes no meio de uma geração malvada e perversa (Fil. 2:15), ao mesmo tempo que travamos a bôa luta da fé (1 Tim. 6:12). Nós somos o sal de uma Terra corrupta e a luz num mundo de trevas (Mat. 5:13-16). É óbvio que devemos defender o Senhor, a Sua Palavra, a nossa fé e um estilo de vida cristão, contra os ataques de um mundo hostil. Os falsos professores que se desviaram da verdade da Palavra, também desacreditam e questionam incessantemente a Bíblia e as suas doutrinas. Paulo diz: “Prègai a Palavra! Estai contìnuamente prontos. Convencei, admoestai, exortai com toda a paciência e ensino. Pois há-de chegar a altura em que não aceitarão sã doutrina” (2 Tim. 4:2-3). Nós somos nomeados para defender o evangelho (Fil. 1:17). No verdadeiro sentido da palavra, devemos ser protestantes que continuam a protestar contra todas as formas de decepção doutrinal e práticas corruptas.

Rejeição do pensamento positivo. A maneira de  pensar por opostos, seguida pelos cristãos fundamentais, leva-os a reconhecer por completo a existência de pensamentos pecadores e actos negativos Nós devemos ser cristãos com discernimento, capazes de identificar e resistir às coisas malignas, particularmente à decepção religiosa. Um pecador deve ser chamado pecador, embora o facto constitua uma mancha negativa para a pessoa. Do mesmo modo, os julgamentos de Deus sôbre os pecadores devem ser proclamados juntamente com a solução para o pecado. No entanto, as igrejas liberais e o movimento ecuménico olham os cristãos fundamentais como uma grande ameaça ao seu programa para a promoção da união com os católicos romanos e com as religiões não-cristãs, apresentando-nos de uma maneira negativa como intolerantes e dispostos a semear sementes de conflito e discórdia. Ao fazê-lo, nós constituimos uma ameaça aos seus esforços para se conformarem com o mundo. Da nossa posição, nós rejeitamos o seu  pensamento positivo humanista, porque êles estão enganados e são incapazes de distinguir entre o bem e o mal.

Conformidade com Cristo. Deve ser o nosso mais elevado propósito agir de harmonia com o exemplo da vida do Senhor Jesus: “Aquele que diz estar n’Êle devia êle próprio caminhar também como Êle caminhou” (1 João 2:6). O Senhor Jesus não viveu para si mesmo mas sim para os outros: “Aquele de entre vós que desejar ser o primeiro, que seja o teu escravo, assim como o Filho do Homem não veio para ser servido mas sim para servir e para dar a Sua vida como resgate para muitos” (Mat. 20:27-28). Nós devemos ser servos do Senhor Jesus e proclamar a mensagem da Sua graça salvadora a toda a gente. Devemos fazer coisas com valor para a eternidade e não nos ocuparmos a acumular tesouros terrestres perecíveis. Se necessário,também devemos estar preparados para sofrer seguindo o exemplo de Cristo (1 Pedro 2:21). Não devemos seguir outras pessoas, incluindo os pais da igreja, a não ser que êles próprios tenham sido dedicados seguidores de Cristo, como Paulo (1 Cor. 11-1).

Manter uma ordem bíblica de autoridade. Deus ocupa o lugar de suprema autoridade no Universo. Êle nomeou Cristo cabeça da Igreja (Efe. 1:22). Os anciãos e diáconos são nomeados na igreja sob a autoridade de Cristo. Êles são todos homens (1 Tim. 3:2-4). Não é permitido às mulheres governar os homens nem ensiná-los na Palavra de Deus, e por conseguinte não podem ser pastores. Devido às exigências da prègação apologética, que inclui a admoestação e a aplicação de disciplina aos membros, esta responsabilidade deve manter-se na mão dos homens. É humilhante para um homem ser disciplinado e admoestado por uma.mulher Paulo afirma: “Eu não permito que uma mulher ensine ou tenha autoridade sôbre um homem” (1 Tim. 2:12). No entanto, as mulheres são livres, e muitas vezes muito capazes de ensinar outras mulheres e crianças, assim como dar aulas bíblicas de adultos em que não haja qualquer elemento governador preponderante. Às sociedades humanas aplica-se a mesma ordem de autoridade, visto que o Senhor instituiu as famílias sob a direcção do homem “Porque o marido é a cabeça da mulher, como Cristo é a cabeça da igreja” (Efes. 5:23).

Diversidade cultural. O Senhor estabeleceu fronteiras entre as nações e grupos culturais, e espera que nós as honremos (Actos 17:26). De outro modo, teriamos a continuação da confusão de línguas que se registou durante a construção da T ôrre de Babel (Gen. 11:5-8). Estava errado aos olhos do Senhor estarem os babilónios a construir um estado mundial apenas com uma língua oficial, e por isso Êle deu a cada grupo a sua própria lingua. Por conseguinte, êles dispersaram-se e cada grupo estabeleceu-se no seu próprio território, com o seu próprio govêrno. Êste foi o princípio dos difererntes grupos culturais entre as nações. O reconhecimento da diversidade cultural é a única base para a existência de relações saudáveis entre os povos. Na nossa comissão para evangelizar o mundo, nós somos enviados a todas as tribos, línguas e povos, para que (de preferência) cada grupo seja evangelizado na sua própria lingua. No tempo do fim, sob a instigação de Satanás, do Anticristo e do falso profeta, será estabelecido um império mundial com um único govêrno, uma única religião e um único sistema económico (Apocal. 13:1-18). A emergente nova ordem mundial manifesta-se a favor do estabelecimento de um sistema de contrôlo global. Isso constituirá uma grave infração à ordem de Deus para as nações independentes e auto-governadas, e por êsse motivo o Senhor Jesus, na Sua segunda vinda, destruirá o presente vil estilo de vida, a ordem social holística e o império satânico do Anticristo.

Reconhecimento da identidade biológica. A par da identidade cultural, o Senhor Jesus também determinou a identidade pessoal básica de cada indivíduo como masculina ou feminina (Gen. 1:27). A razão de ser disto foi para que homens e mulherres heterosexuais contraíssem casamentos, que são as unidades sociais básicas para a procriação, criação de filhos, educação, cultura e manutenção de autoridade na sociedade. Definitivamente que Deus não criou pessoas sem género, que realmente não sabem se são do sexo masculino ou feminino, (homosexuais ou “gays”em inglês).As pessoas que se tornam tais, são assim devido a um comportamento adquirido e não a comportamento herdado. Não há pessoas com genes homosexuais. A sodomia é uma abominação aos olhos do Senhor, porque as pessoas que a praticam negam o Criador com o seu comportamento. Algumas delas até culpam Deus da sua pervertida orientação sexual. Mas há libertação para esta inclinação pecadora (1 Cor. 6:10-11), e existem muitos testemunhos de antigos homosexuais que presentemente mantêm relações heterosexuais normais. A sodomia não deve ser apoiada ou justificada, pois é contrária a sã doutrina (1 Tim. 1:10; Rom. 1:24-27). O estabelecimento de congregações homosexuais bem assim como a nomeação de pastores homosexuais, são mais uma evidência de que o fundamentalismo bíblico é rejeitado por gente enganada, que assim destroi os fundmentos da fé cristã e das sociedades cristãs. (Salmos 2:2-3; 11:3).

Nada de concessões. O Senhor Jesus deu-nos uma fé segura e normas de vida claras.Êle não veio com concessões. Todas as pessoas nascem em pecado, e são convidadas com fé no Senhor Jesus, a efectuar uma transição clara da escuridão do pecado para a luz maravilhosa do Seu reino (1 Pedro 2:9). Êle espera de nós que, pelo arrependimento, façamos um corte limpo com o nosso passado pecador. O jóvem rico não estava disposto a abandonar os seus bens terrenos e tipo de santidade e a tornar-se um verdadeiro seguidor de Jesus. O preço era demasiado elevado. Êle queria ter o melhor de dois mundos tentando servir a Deus e ao dinheiro Quando êle se voltou, o Senhor Jesus não o chamou e fez qualquer concessão convencendo-o a abandonr apenas metade dos seus bens, numa tentativa para o ganhar como discípulo. Isso não quere dizer que as pessoas ricas tenham de se desfazer de tudo quanto têm para se tornarem cristãs. Mas devem dedicar-se a Deus com todos os seus bens materiais. E então serão servos na causa do Senhor, que não terá dificuldade em fazer contribuições substanciais para o avanço do Seu reino na Terra.

Moralidade cristã, valores e práticas. Um cristão fundamental é uma pessoa para quem o modo de vida cristão constitui a única forma aceitável de existência. Êle esforça se por ter uma constituição e govêrno cristãos, educação cristã e a observância das normas cristãs na sociedade. Houve ocasiões, particularmente durante os grandes reavivamentos dos séculos 18 e 19, em que as reformas cristãs eram característica da maior parte das nações da Europa e América do Norte, e também de nações de origem europeia de outras partes do mundo. Depois, o secularismo e o humanismo ganharam de novo proeminência, e essas sociedades começaram a perder gradualmente o seu carácter cristão. Isso trouxe maior pressão e maiores responsabilidades às famílias cristãs, tornando-lhes mais difícil perseverarem no caminho direito e darem uma educação cristã aos seus filhos. As pessoas que não pensam a sério na Bíblia, abandonam fàcilmente êste modo de vida e aceitam uma orientação post-moderna,que é inerentemente post-cristã.

Estranhos e peregrinos. Apesar das reformas positivas em muitos países durante os grandes reavivamentos, a história humana é predominantemente caracterizada por sociedades sem Deus e pecadoras, em que não existe apreciação alguma pelas verdades bíblicas fundamentais. No máximo, será tolerada uma semelhança de santidade, mas sem princípios e normas rigorosas. Nos tempos do fim os princípios conservadores cristãos estão a ser abandonados cada vez mais (1 Tim. 4:1; 2 Tim. 3:1-5). O resultado desta apostasia é que os verdadeiros cristãos são estrangeiros e peregrinos num mundo que se encontra sob a influência do maligno (1 João 5:19; 1 Pedro 2:11). Nós temos de aceitar esta realidade, bem assim como a oposição e perseguição dirigidas aos cristãos evangélicos. O reino de Deus definitivamente que não vai ser estabelecido na Terra agora, visto que Cristo só será revelado como Rei dos reis na altura da Sua segunda vinda. Nessa altura Êle destruirá os poderes do Anticristo (Apocal. 19:19-21), e prenderá e encarcerará Satanás no poço sem fundo (Apocal. 20:1-3). Apenas nessa altura será estabelecido um govêrno de rectidão e paz no mundo inteiro (Isa. 2:2-4; Jer. 3:17; Zacar. 8:20-22). Nesse reino futuro não seremos discípulos rejeitados (João 15:18-19), mas seremos reis a governar com Jesus Cristo (Apocal. 5:9-10; 20:4).

Perseverança. Uma das mais fortes características de um cristão evangélico é a perseverança na sua vida cristã. Quando a estrada é a subir e o avanço difícil,quando os amigos nos ignoram e os membros da família nos viram as costas, devemos manter-nos firmes na nossa dedicação ao Senhor Jesus. “Porque nos tornámos participantes de Cristo, se mantivermos com firmeza até ao fim o princípio da nossa confiança” (Hebr. 3:14; 3:6,13). Não deixemos que os desapontamentos ou a oposição nos forcem a sair do caminho direito: “Se de facto continuardes na fé, seguros e firmes, e não vos afastardes da esperança do evangelho” (Col. 1:23; 1 Tim. 1:19). Perseverai em seguir e servir ao Senhor (Lucas 8:15; 21:19). Nós sabemos que o Senhor nunca nos deixará ou abandonará (Hebr. 13:5), mas a possibilidade sempre existe de Lhe podermos ser infiéis. Jesus disse: “Mantende-vos em Mim e Eu em vós… Se algum não está em Mim, êsse é deitado fora  como um ramo e seca” (João 15:4,6). Como é que isso acontece? Em primeiro lugar as pessoas arrefecem no seu amor por Jesus, e por último muitas abandonam o seu primeiro amor (Apocal. 2:4-5). Pedro afirma que existem aqueles que abandonan a sua primeira firmeza, sendo afastados pelo êrro dos maus (2 Pedro 3:17). Nas nossas vidas espirituais, nós necessitamos de fé, obediència e disciplina. Paulo disse: “Eu disciplino o meu corpo e sujeito-o à submissão” (1 Cor. 9:27).

Uma expectativa bíblica futura. É evidente que uma pessoa que guarda a Palavra de Deus e não nega o Senhor Jesus (Apocal. 3:8), tem os olhos fortemente fixos na segunda vinda de Cristo. Essa pessoa saberá que êste mundo não é a nossa morada, porque o Senhor está a preparar-nos uma cidade eterna no Céu, com fundações (João 14:2-3;  Hebr. 11:10). Esta expectativa evita que nos prendamos a um mundo pequeno de materialismo e interesses egoístas. Paulo disse: “Se tivermos esperança em Cristo apenas para esta vida, devemos ser lastimados mais que todos os homens” (1 Cor. 15:19). Nós devemos amar e servir a Cristo tendo em vista os interesses eternos do Seu reino celestial. No dia em que o Senhor Jesus levar os verdadeiros crentes no arrebatamento, nós abandonaremos êste mundo corrupto, para ficarmos com Cristo para empre (1 Tess. 4:16-17). É para isso que estamos a viver e por isso esperamos diàriamente. Nós esperamos o Noivo celestial a todo o momento. A Bíblia descreve como mau servo todo aquele que perdeu a esperança na próxima vinda de Cristo. Êsse diz no seu coração: “O meu Mestre está a demorar a Sua vinda” (Mat. 24:48), e depois torna-se arrogante e indulge no pecado.

Responsabilidade perante Deus. O homem deve evitar tornar-se o seu próprio deus, que se instala no trono do seu coração.Nós fomos criados por Deus e somos chamados a tornar-nos conformes com a imagem de Seu Filho. Por tal motivo, somos responsáveis perante Êle pelo que fizermos das nossas vidas. Todas as pessoas não salvas estão a viver num estado de rebelião contra Deus, e comparecerão diante do grande trono branco, onde serão condenadas ao lago de fògo eterno por causa dos seus pecados (Apocal. 20:11-15). Os cristãos comparecerão diante do trono de julgmento de Cristo, onde receberão prémios por terem servido ao Senhor (2 Cor. 5:10; Lucas 19:15-17). Nesse dia tornar-se-á evidente que muitos deles não foram cheios com o Espírito Santo, e por conseguinte não produziram o fruto próprio do arrependimento. Quando as suas obras forem verificadas pelo fôgo, elas vão arder como madeira, feno ou palha: “Se as obras de algum arderem, êsse sofrerá perda; mas êle próprio será salvo, no entanto como por fôgo” (1 Cor. 3:15). Preparai-vos para êste encontro, e cuidai que não apareçais perante o Senhor de mãos vasias.

Fundamentalismo e radicalismo. O fundamentalismo cristão não deve ser confundido de modo algum, com acções radicais ou comportamento violento. Embora tenhamos uma fé e princípios que diferem radicalmente dos do mundo, nós não utilizamos meios violentos ou radicais para os promover: “Não pela fôrça nem pelo poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor” (Zacar. 4:6). Nós não fazemos demonstrações pelas ruas, não ameaçamos pessoas e nunca pegamos em armas ofensivamente contra outros. Apenas defensivamente e quando absolutamente necessário. Como grupo de pequena maioria, não estamos em posição de fazer exigências. Podemos apenas, de maneira civilizada, fazer pedidos à sociedade e ao govêrno, em que justificamos bem o nosso caso. Muitas vezes apresenta-se uma imagem errada dos cristãos fundamentais, por exemplo comparando-os com muçulmanos fundamentais. No que repeita à Bíblia, êste último grupo não se ocupa com a verdade, e justifica também a violência utilizando uma jihad contra Israel e o Cristianismo. Muitas vezes o Korão pede-lhes que se envolvam em semelhante guerra. Nesta dispensação, os cristãos nunca são chamados a fazer a guerra, e portanto evitamos acções radicais. Nós pertencemos a um reino celestial que não pode ser defendido por meios militares, mas apenas pela palavra do nosso testemunho. Nós somos chamados a proclamar a graça salvadora de Jesus Cristo a toda a gente, mesmo aos inimigos do Cristianismo, cujas mentes foram cegas pelo deus desta era (2 Cor. 4:4).

Perseguição. O evangelho de Jesus Cristo nunca teve por fim tornar-nos aceitáveis pelo mundo, mas preparar-nos sim para sermos rejeitados, odiados e perseguidos por êle (João 15:18-20; Actos 14:22). Nós sabemos que não conquistaremos o mundo durante esta dispensação. Onde quer que o evangelho seja correctamente proclamado sem se baixarem as suas normas nem se misturar com sensacionais promessas do reino, apenas uma minoria de pessoas será salva (Lucas 13:23-24; Mat. 7:14). É no nosso melhor interesse agarrarmo-nos a toda a verdade da Palavra de Deus, isto é, sermos crentes evangélicos fundamentais e lutarmos com perseverança pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos (Judas 1:3).

Lembremo-nos sempre, que a vida de um cristão fundamental é construída sôbre uma fundação, que é Jesus Cristo: “Porque ninguém pode construir qualquer outra fundação que não seja aquela que já está construída, que é Jesus Cristo” (1 Cor. 3:11). Se as nossas vidas forem construídas sôbre esta rocha firme, nós nunca fraquejaremos quando as tempestades da vida nos caírem em cima. A segurança desta Rocha, a certeza da nossa confiança n’Êle e a inalterável natureza da Sua Palavra, oferecem-nos um futuro de esperança no Seu eterno reino celestial. O Senhor Jesus disse: “O Céu e a Terra desaparecerão, mas as Minhas palavras não desaparecerão” (Lucas 21:33).