Uma Tempestade no Mar

A Storm Out at Sea

Prof. Johan Malan, Middelburg, África do Sul.

Em Mateus 14 vemos uma situação difícil, em que o Senhor Jesus tinha colocado os seus discípulos. Enquanto um vento contrário aumentava de violência e se aproximava uma tempestade, ao anoitecer tiveram de atravessar o Mar da Galileia num pequeno barco a remos.

“Imediatamente Jesus mandou os Seus discípulos entrar no barco e seguir à Sua frente para o outro lado…E depois de ter mandado embora a multidão, subiu sòzinho a uma montanha para orar. E, quando a noite chegou, Êle estava ali só. Mas o barco encontrava se nessa altura ao largo, açoitado pelas ondas, pois o vento estava contra êles. E, na quarta vigília da noite Jesus foi ter com êles caminhando sôbre as águas. E quando os discípulos O viram a andar sôbre a água, tiveram mêdo e disseram: É um fantasma! E gritaram de mêdo. Mas Jesus falou-lhes logo dizendo Alegrai-vos! Sou Eu; não tenham mêdo! E Pedro respondeu-Lhe e disse-Lhe Senhor,se és Tu, diz-me para ir a Ti sôbre  a água. E Êle disse-lhe Vem. E ao sair do barco Pedro caminhou sôbre a água para Jesus. No entanto, ao ver que o vento era tão forte teve mêdo e começando a afundar-se gritou dizendo, Senhor, salva-me! E Jesus extenddeu-lhe imediatamente a mão e disse-lhe Ó tu de pouca fé, porque é que duvidaste? E logo que entraram no barco o vento parou. E os outros que ali estavam vieram e adoraram-nO dizendo, De verdade Tu és o Filho de Deus. E, depois de atravessarem para o outro lado, chegaram a Genesaret. E quando os locais O reconheceram, foram ter com os residentes daquela região e levaram até Êle todos os que estavam doentes, implorando-Lhe que deixasse que êles tocassem simplesmente a orla das Suas vestes. E, tantos quantos as tocaram ficaram perfeitamente bem” (Mat. 14:22-36).

Isto constitui um retrato típico da inteira igreja de Cristo na sua viagem noturna através do mar da vida. O encontro de Jesus com os Seus discípulos na quarta vigília da noite, equipara-se ao futuro encontro de Cristo com a Sua igreja no arrebatamento, quando as tempestades da vida finalmente terão fim para os que acreditam em Jesus.

No princípio da jornada dos discípulos, êles estavam separados de Jesus. Foi à tardinha, e tinham receio de embarcar sòzinhos para a travessia, mas Jesus tinha-lhes comandado que entrassem no barco e fôssem para o outro lado. A atitude dos discípulos faz-nos lembrar do Mêdo que os tomaria antes da crucificação e ascenção de Jesus. Nessa altura, Êle disse-lhes: “Que o vosso coração não receie; acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Na casa de Meu Pai há muitas mansões; se assim não fôsse, Eu vos teria dito. Eu vou preparar-vos um lugar. E, se Eu vou e vos preparo um lugar, Eu hei-se voltar e receber-vos para Mim Próprio, para que onde Eu estou vós possais estar também” (João 14:1-3). O facto que Jesus estava prestes a partir dos Seus discípulos, deixando-os sós no meio de um mundo hostil, explica a preocupação e mêdo nos seus corações. Êles desesperavam ao pensar que Êle os ia deixar sós e entregues a si mesmos.

O mesmo aconteceu ali na praia. Os discípulos estavm com mêdo de tentar viagem  através de um mar tempestuoso, sòzinhos e à noite. No entanto, Jesus tinha-lhes dito que entrassem no barco sem Êle e começassem a viagem para o outro lado.

Pouco antes do comêço desta, Jesus afastara-Se dêles para ir orar sòzinho para uma montanha elevada. Esta acção refere-se profèticamente à Sua ascenção e ao cumprimento do Seu ministério como Supremo Sacerdote, para interceder pelos Seus discípulos junto do trono de Seu Pai no Céu.

A viagem noturna dos discípulos através de um mar tempestuoso e de ventos contrários, é tipica da vida que todos os cristãos podem esperar durante a dispensação da igreja na Terra. Espiritualmente, nós estamos a viver num mundo de trevas, onde devemos brilhar como luzes no meio de uma geração fraudulenta e perversa (Filip. 2:15). O vento está consistentemente contra nós. Isto é indicativo do facto que estamos sempre em conflito com a direcção e princípios de um mundo depravado. Devemos preparar-nos para esta situação, pois Jesus avisou-nos: “No mundo ides ter tribulação” (João 16:33). Na nossa vulnerabilidade, apanhados na violência da tempestade, devemos confiar por completo em Deus. Paulo disse: “Pois nós não queremos que ignoreis as dificuldades que enfrentámos na Ásia: Que estávamos sobrecarregados sem medida, acima das nossas fôrças, de tal maneira que até receámos pela nossa vida. Sim, tinhamos em nós a sentença da morte para que não confiássemos em nós mesmos mas em Deus, que ressuscita os mortos, que nos livrou de tamanha morte, e nos livra; em Quem confiamos que aínda nos vai livrar” (2 Cor. 1:8-10). Êle continua a elaborar sôbre isto:

“Dos judeus eu recebi cinco vezes 40 vergastadas menos uma. Fui espancado à paulada três vezes; fui apedrejado uma vez; três vezes sofri naufrágio; estive no abismo uma noite e um dia; muitas vezes em viagens, em perigos de rios, no meio de ladrões, em perigo no meio dos meus próprios conterrâneos, perigando entre os gentios, na cidade, no deserto, no mar, entre falsos irmãos; em desânimo e trabalhos, muitas vezes sem dormir, com fome e sêde, muitas vezes em jejuns, com frio e nú – além das outras coisas que me acontecem diàriamente: A minha profunda preocupação sendo por todas as igrejas. Quem é  fraco que eu não seja fraco? Quem é feito tropeçar e eu não arda de indignação? Se comvém gloriar-me, gloriar-me-ei então no que diz respeito à minha fraqueza “ (2 Cor. 11:24-30).

No capítulo seguinte Paulo explica a sua estranha mas alegre disposição de espírito, relativamente a todas as dificuldades que encontrou, contra as quais, como homem, não tinha defesa alguma: “Portanto, de bôa vontade me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Assim, tenho prazer em enfermidades, em reprovações, em necessidades, em perseguições, em dificuldades, por amor a Cristo. Porque, quando estou fraco então sou forte” (2 Cor. 12:9-10). Quando as tempestades da vida ameaçam vencer-nos e destruir-nos, encontramos fôrça espiritual no Senhor e também a motivação necessária para continuar a luta. É bom sabermos, que as tempestades da vida nos são muitas vezes dirigidas pelo inimigo das nossas almas, por causa de Cristo que reside em nós. Êle disse aos discípulos, “Se o mundo vos odeia, vós sabeis que êle Me odiou antes de vos odiar a vós” (João 15:18). Quando nós somos perseguidos e rejeitados por pertencermos a Cristo, isso é sempre uma honra e algo que devíamos esperar:

“Amados, não considereis estranhas as provas ardentes porque ides passar, como se algo estranho vos acontecesse; mas alegrai-vos pelo facto de serdes participantes dos sofrimentos de Cristo para que, quando a Sua glória fôr revelada, vos possais também regozijar com grande alegria. Se fordes atacados por amor a Cristo, abençoados sois vós, pois o Espírito da glória e de Deus está sôbre vós…Se alguma pessoa sofrer como cristão, que essa pessoa não se envergonhe mas glorifique Deus neste assunto” (1 Pedro 4:12-14,16).

O Senhor permite muitas vezes sofrimentos e admoestações nas nossas vidas, para nos libertar de desejos mundanos, de maneira a podermos tornar-nos mais santos e a podermos prestar-Lhe serviço. Nós devemos aprender a aceitar as dificuldades e a confiar no Senhor, lembrando-nos que tais experiências vão operar em conjunto para nosso bem e para nos fortalecer para a batalha:

“Presentemente toda a correcção e dificuldades nos parecem tristes e dolorosas; no entanto, depois produzem o pacífico fruto da rectidão naqueles que foram treinados por elas. Portanto, fortalecei as mãos cansadas e os joelhos fracos, e abri caminho direito aos vossos pés, de modo a que o que é côxo não continue mas antes seja curado. Segui a paz com todos os homens e a santificação, sem as quais ninguém verá o Senhor” (Hebr. 12:11-14).

Devemos compreender que nenhuma tribulação, aflição ou problemas nos podem separar do amor de Deus que reside em Cristo Jesus, pois nós somos mais que conquistadores através d’Aquele que nos amou (Rom. 8:35-39). Nós devemos entregar-nos nos braços eternos e carinhosos do Senhor. Sempre que permitirmos ao mêdo, à dúvida, ou à auto-comiseração levar-nos a afundarmo-nos espiritualmente – como aconteceu com Pedro quando tirou os olhos do Senhor Jesus no meio da tempestade – devemos lembrar-nos de extender a mão da fé a Jesus. Êle tem poder para nos salvar, pois é para sempre mais poderoso que as tempestades que ameaçam os Seus discípulos. Êle é o Conquistador, e nós temos de manter os olhos fixos n’Êle. Quando os nossos olhos se viram para os problemas que nos rodeiam, as crescentes ondas nêgras podem levar-nos ao desespêro. É apenas quando mantemos os olhos em Jesus, que a nossa fé e coragem não nos abandonam durante os ataques do inimigo. A presença do Senhor Jesus deve ser sempre conscientemente sentida em todas as situações, através do Espírito Santo.

Um Encontro Secreto, Seguido da Manifestação Pública

Jesus apareceu sùbitamente na quarta vigília da noite aos seus discípulos do barco, caminhando sôbre a água. A quarta vigília da noite é entre as 3 e as 6 da manhã, período êste que é a mais fria e escura parte da noite. É a altura em que a estrêla da manhã aparece acima do horizonte. O Senhor Jesus afirma que Êle é a Brilhante Estrêla da Manhã (Apocal. 22:16), simbolismo êste que se refere ao encontro secreto com a sua congregação-noiva no arrebatamento, quando o resto do mundo aínda está a dormir. Apenas as pessoas que estão espiritualmente àlerta vão ver aparecer a Brilhante Estrêla da Manhã.

O súbito aparecimento de Jesus a andar sôbre a água, constituiu acontecimento sobrenatural e inesperado para os discípulos que estavam no barco. Êste encontro teve resultados maravilhosos, pois o vento parou e a tempestade acalmou imediatamente. E, Juntamente com Jesus, fizeram a última parte da viagem para o outro lado. As tempestades da vida terminarão para todos os verdadeiros discípulos do Senhor Jesus Cristo quando se encontrarem com Êle no ar (1 Tess. 4:16-17).

No entanto, os que ficarem na Terra vão ter de enfrentar durante o sete anos da tribulação a maior tempestade de todos os tempos. Jesus tinha-os avisado: “Porque então haverá grande tribulação como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, não, nem  nunca mais haverá” (Mat. 24:21). Durante êste tempo todos os verdadeiros cristãos estarão com o Senhor, pois não estão destinados aos julgamentos de Deus sôbre um nundo que rejeita Cristo” (Lucas 21:36).

Jesus Cristo voltará à Terra depois do período da tribulação. Essa será a Sua revelação pública, quando todo o ôlho o verá acompanhado pela Sua igreja glorificada (Zac. 14:4-5; Col. 3:4). A vinda do Rei iniciará então mil anos de paz, em que reinará a rectidão, a harmonia e a prosperidade em toda a Terra, e serão curados todos os males do passado. A chegada de Jesus e dos discípulos à praia, simboliza esta dramática  mudança nos acontecimentos. A nêgra e tempestuosa noite acabará e o sol  nascerá para iluminar o mundo. Deus prometeu que, “Para vós que temeis o Meu nome, o Sol da Rectidão nascerá com a cura nas suas asas” (Malaq. 4:2).

O nascer do sol em Genesaret refere-se profèticamente à revelação publica de Jesus depois do período da tribulação, quando todos os olhos O vão ver. “E quando saíram do barco, a gente reconheceu O imediatamente” (Marcos 6:54). A gente da terra “enviada por toda a região, trouxe-Lhe todos os doentes e pediram-Lhe que deixasse apenas que Lhe tocassem na orla da Sua toga. E todos quantos a tocaram foram curados” (Mat. 14:35-36). No milénio a vir, Jesus Cristo será universalmente reconhecido e adorado e toda a gente o procurará para resolver os seus problemas. Isaías diz “A Terra estará cheia do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11:9).

No presente momento, os cristãos estão muito perto do fim da sua viagem noturna pelo mar da vida. Muito em breve o Senhor Jesus vai aparecer aos Seus discípulos, para os arrebatar para os lugares celestiais. E isso será o início da hora de escuridão e tribulação cá na Terra. No final dêsse período, o Rei dos reis aparecerá triunfalmente a público no Monte das Oliveiras em Jerusalém, para estabelecer o Seu  reino milenário de paz.

Depois de ter atravessado um período de tribulações devido a toda a sua rebelião, maldade e apostasia, êste mundo vai viver um futuro maravilhoso, em que todos os pecadores endurecidos e não arrependidos vão ser destruidos. E essa nova era amanhecerá quando vier o grande Príncipe da Paz, Jesus Cristo:

“Imediatamente depois da tribulação dêsses dias, o sol vai escurecer e a lua não dará luz; as estrêlas vão cair do céu, e os poderes dos céus serão abalados. E então aparecerá no Céu o sinal do Filho do Homem, todas as tribos da Terra se vão lamentar, e verão o Filho do Homem descer nas núvens do Céu com poder e grande glória” (Mat. 24:29-30).

Não haverá paz enquanto o Senhor Jesus não vier. O mais que os governantes mundiais poderão fazer, será conseguir estabelecer uma falsa paz temporária, por meio de  ideologias em conflito. Mas não conseguirão uma paz duradoura e próspera, enquanto não vier Aquele que tem todo o poder no Céu e na Terra. Em primeiro lugar Êle vai encontrar-se secretamente com os seus discípulos, voltando sete anos depois com êles para reinar no mundo.