8. Santificação

O facto da justificação do crente durante o arrependimento, deve levar a uma experiência definitiva de santificação nas vidas de todos os Cristãos. A Bíblia atesta claramente a necessidade de tal experiência. Quando esta necessidade é devidamente comprendida, a auto-negação e o enchimento com o Espírito Santo são reconhecidos, e mais Cristãos os vão procurar diligentemente.

A santificação, como segunda obra da graça depois da justificação, é uma experiência essencial. A falta dela, dá aso a uma vida em que a velha natureza adâmica – embora afastada em princípio – não está aínda crucificada  na prática, e a pessoa aínda não está portanto cheia com o Espírito Santo. Em consequência disso, as obras da velha natureza (a carne) continuarão dominando essa vida. Elas vão-se manifestar em disposições como o egoísmo, a arrogância espiritual e sentimentos de superioridade, o materialismo, o amor do mundo, a crítica e a condenação de outros crentes, a ausência de frutos espirituais, prioridades incorrectas e uma vida espiritual sem consistência. O que segue é uma lista de algumas afirmações bíblicas claras, sôbre a necessidde da santificação, focando de ângulos diferentes o mesmo problema, e oferecendo a mesma solução:

Egoismo na vida dos discípulos. Os discípulos mostravam uma necessidade real de serem cheios com o Espírito Santo, porque estavam cheios de si mesmos (Mateus 20:27-28; Lucas 22:24-26). Êles presumiam de facto, erradamente, que podiam manter-se fiéis a Jesus na sua própria fôrça (Mateus 26:33-35).

Ausência de frutos espirituais. Uma outra indicação da necesidade da santificação, é a ausência de frutos espirituais na vida de uma pessoa. Tal pessoa pode ser comparada a uma árvore, que está viva mas não produz fruto algum, e portanto não serve a expectativa do lavrador (Mateus 3:8; João 15:4).

A necessidade do poder do Espírito Santo. O Senhor Jesus instruiu os discípulos no sentido de não começarem a sua missão evangélica, antes de receberem poder do alto (Lucas 24:49). Tal poder seria o muito necessário equipamento espiritual para levarem a cabo essa missão. (Actos 1:8).

Novos enchimentos. Depois da primeira experiência do enchimento com o Espírito Santo, muitas vezes acontece que – como resultado de crises na vida – uma pessoa necessita de novos enchimentos com o Espírito Santo, nos quais o Senhor toca, fortalece, encoraja e equipa a pessoa, para poder fazer face a novos problemas (Actos 4:29-31; 13:50-52).

Vitória sôbre as tentações. Somos aconselhados a olhar e a orar constantemente. Desta maneira, manter-nos-emos contìnuamente em Cristo e Êle em nós. Somos encorajados a viver  vidas dedicadas e a vencer tentações e fraquezas (Mateus 26:41).

Uma nova atitude para com o pecado e a santidade. A santificação exige uma disposição clara contra o pecado e a  favor da rèctidão de Deus (Romanos 6:11,22). Devemos precaver-nos sempre contra a conformidade com o  mundo, e escolher antes em todas as circunstâncias ser santo e aceitável aos olhos de Deus (Romanos 12:1-2).

O efeito paralizante de ser carnal. Uma atitude carnal tem um efeito paralizante sôbre os Cristãos, eliminando toda a possibilidade de crescimento espiritual (1 Coríntios 3:1-3; Galatas 5:17). Sem a eliminação do "eu" (egoismo), e sem carregarmos a cruz, as pessoas não sairão do seu  estado de carnalidade por seu próprio esfôrço.

O obstáculo do velho homem. O motivo porque os Cristãos não crescem expontâneamente para a maturidade espiritual e para a vitória sôbre o pecado, é o obstáculo do velho homem – a natureza adâmica que tende a pecar, e que deve ser primeiro mortificada pela crucificação – (Efésios 4:22-24; Romanos 6:6).

A contínua mortificação da mente carnal. A mente carnal é inimiga de Deus, e não pode sujeitar-se às leis de Deus (Romanos 8:7). Para sair dêste conflito íntimo, há só um caminho, e êsse caminho é a crucificação da velha natureza carnal (Romanos 8:13; Galatas 6:14).

Imaturidade espiritual. O fenómeno da imaturidade espiritual entre os filhos do Senhor, mostra claramente a necessidade da santificação e crescimento. Sem êstes, uma pessoa não está apta para o serviço, e falta-lhe discernimento espiritual  (Efésios 4:13-14; Hebreus 5:12; 6:1).

A necessidade de uma segunda obra da graça. A segunda obra da graaça está ligada a uma vida santa, e segue-se à primeira obra da graça, que se refere à nossa limpeza inicial do pecado durante o renascimento. Jesus Cristo ofereceu-Se para nos limpar e santificar (Efésios 5:25-27).

A vida controlada pelo espírito. Esta vida torna-se realidade, quando nos opomos a todo o domínio do pecado e do egoísmo nas nossas vidas, e submetemos todo o nosso ser – corpo, alma e espírito – à direcção total do Espírito Santo (Galatas 5:16).

O esfôrço pela perfeição. Nós não somos perfeitos, mas estamos a caminho de uma maior perfeição. Para conseguirmos realizar êsse objectivo, precizamos de, conscientemente pôr de lado a vida anterior, e dedicar-nos diàriamente a agir em conformidade com a vida renovadora de Jesus Cristo (Filipenses 3:7-12).

Viver como Cristo viveu. Nós somos chamados a caminhar tal qual Jesus caminhou (1 João 2:26; 1 Pedro 2:21). E só poderemos seguir os Seus passos, se o Espírito Santo nos ajudar a vestirmo-nos com o Senhor Jesus Cristo, e não dermos ocasião a que a carne realize em nós os seus desejos (Romanos 13:14).

Uma vida em harmonia com princípios celestiais. À luz da nossa cidadania celestial, (Filipenses 3:20), devemos viver santamente neste mundo mau e pecador (1 Tessalonicenses 2:10-12; Hebreus 12:4). Agora, devemos estar preparados para nos encontrar face a face com o Senhor Jesus Cristo (1 João 3:3).

Uma vida totalmente mudada. No processo de santificação depois da conversão, devemos continuar a pôr de lado todos os restantes aspectos da vida velha, vestindo-nos ao mesmo tempo mais e mais, com a nova vida. Êsse é o nosso claro chamamento (Colossenses 3:8-14).

A necessidade de uma santificação completa. Depois da limpeza inicial dos nossos pecados durante o arrependimento, necesitamos aínda, defenitivamente, de ser cheios com o Espírito Santo, para sermos completamente santificados (1 Tessalonicenses 5:23-24). Devemos ser inatacáveis em santidade perante Deus (1 Tessalonicenses 3:13).

O abandono dos desejos mundanos. A graça do Senhor, que nos foi conferida durante a justificação, ensina-nos a repudiar sempre o mal e os desejos mundanos e a viver sòbriamente, em rectidão e em santidade, enquanto esperamos pela Segunda Vinda de Cristo (Tito 2:11-13).

Motivação para vivermos uma vida santa. A motivação para a nossa santidade, deriva do carácter e vontade do próprio Deus, que nos chamou da escuridão para a Sua luz maravilhosa (1 Pedro 1:15; 1 Tessalonicenses 4:3,7-8). Temos de pôr de lado todos os artifícios, hipocrisia, invejas e falas maldosas (1 Pedro 2:1-2).

O mundo, a pedra de tropêço.  Comprometermo-nos com o mundo, com os seus vis estilos de vida e instituições, significa infidelidade espiritual para com o Senhor (Tiago 4:4). Devemos rejeitar o mundo e os seus princípios e regozijarmo-nos apenas na cruz de Jesus Cristo (Galtas 6:14).

A regra para a vitória sôbre o pecado. A regra básica da vida do Cristão nêste mundo, é que êle deve manter-se fiel ao Senhor não pecando. Se pecar, êle mancha espiritualmente  a sua vida. Os pecados dos cristãos podem ser perdoados, mas devem de preferência ser evitados (1 João 2:1).

As obras como prova da fé. A submissão, na santificação, coloca a nossa mente na disposição correcta  para produzirmos o fruto do Espírito Santo nas nossas vidas. Estas obras  não são opções extra nas nossas vidas. Elas são sim, prova da nossa fé no Senhor Jesus e são essenciais (Tiago 2:14-26).

Mais santidade. A santificação é um processo dinâmico, que necessita de crescer em intensidade e volume. Nós devemos crescer contìnuamente na graça e conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (2 Pedro 3:18), e portanto tambem, no aperfeiçoamento da nossa santidade (2 Coríntios 7:1; Apocalipse 22:11).

Perseverança na doutrina sã. A santificação exige perseverança na doutrina sã, bem assim como a correcção dos que comprometem a fé, dos apóstatas e dos falsos professores (2 Timóteo 4:2-5). Aqueles que se afastam da verdade, devem voltar a Cristo e à Sua Palavra (Tiago 5:19).

Aviso constante contra a apostasia. Os êrros de doutrina levam à apostasia espiritual e à depravação moral. Há pessoas que cedem às tentações de Satanás, e abandonam as suas convicções e princípios. Devemos precaver-nos contra isso (Hebreus 3:12-13; Galatas 6:1; 1 Coríntios 10:12).

Um chamamento alto, na terra e no céu

Paulo afirma que nós temos um alto chamamento de Deus em Jesus Cristo (Filipenses 3:11). É importante que, como Cristãos, observemos o nosso chamamento na terra e no céu. Através do processo da santificação, devemos levar a cabo a nossa missão na terra, preparando-nos ao mesmo tempo para o nosso encontro com o Noivo celestial. Na era presente, somos testemunhas de Cristo, num mundo que está sob a influência do maligno. Somos embaixadores de Cristo em terra estranha. Como santos, assim chamados, devemos ser representantes valiosos do reino do céu aqui na terra (Filipenses 2:15).

O nosso destino no céu deve motivar-nos a esforçarmo-nos por uma maior santidade através de toda a nossa vida aqui, na realização do nosso trabalho. Essa motivação deve-nos dar coragem e perseverança, enqunto levamos a cabo o nosso trabalho como estrangeiros e passageiros num mundo vil (Filipenses 3:20-21). Necessitamos santificar-nos, em preparação para a nossa futura existência celestial em associação íntima com o Senhor Jesus. Ali teremos o mesmo corpo de ressurreição que Êle, e viveremos na Sua santa presença (1 João 3:2-3).

Compromisso pessoal

Que graça indizível ter o Espírito Santo sido derramado sôbre mim, para me convencer do pecado e me regenerar, e também me encher e fortalecer para ser uma testemunha eficiente de Jesus, neste mundo de escuridão! Compreendo que a carne tem de ser crucificada e continuar sempre crucificada, para não mais voltar a controlar a minha vida. Compreendo também que, como Cristão cheio do Espírito, aínda tenho limites e fraquezas humanas, mas dou graças a Deus que o Espírito Santo me ajuda nessas fraquezas (Romanos 8:26). Sou previlegiado por o Espírito Santo me ajudar a vestir o novo homem, criado pela vontade de Deus em rectidão e verdadeira santidade. Confio n' Êle para uma mais profunda obra de graça na minha vida, e ponho toda a minha vida no altar, para ser santificada e separada ao serviço do Senhor.

Perguntas

1.    Explique a segunda obra da graça depois da conversão.

2.    Qual é o grande obstáculo a ser cheio com o Espírito Santo, na vida dos Cristãos?

3.    De que maneira está a santificação relacionada com a maturidade espiritual e serviço do Senhor?

4.    Como é que o Senhor nos prepara para o céu?