21. O Milénio

A Bíblia ensina claramente sôbre um futuro reino milenário de Cristo, com base no restaurado trono de David em Jerusalém. Esta nova dispensação é chamada O Milénio. Em Apocalipse 20:1-7, o reino de mil anos é mencionado seis vezes.

Um reino futuro na Terra

Qundo o Senhor Jesus regressar à Terra, fá-lo-á como “Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Apocalipse 19:16), para estabelecer um reino para todo o mundo (Apocalipse 11:15). Daniel, numa  profecia importante do tempo do fim, comparou a Segunda Vinda de Cristo ao efeito da queda de uma grande rocha sôbre os reinos do mundo, desfazendo-os em pó e levados pelo vento, essa rocha transformando-se depois numa grande montanha abarcando toda a Terra e substituindo aqueles reinos pelo reino de Cristo (Daniel 2:34-35; 44:45). Zacarias afirma que Jesus será Rei sôbre toda a Terra (Zacarias 14:9).

Isto é semelhante à profecia sôbre o Senhor Jesus a reinar como Rei, dada a Maria antes do Seu nascimento (Lucas 1:31-32). O trono de David não é no céu mas sim na terra. Jesus não reina nesta altura literalmente do trono de David, pois tal trono foi temporàriamente suspenso depois do cativeiro na Babilónia. Cristo restaurará êsse trono a quando da Sua Segunda Vinda, reinando então a partir d’êle (Actos 15:16-17).

Os anciãos no céu (os santos já glorificados), sabem que vão regressar com Cristo e que vão reinar com Êle no Seu reino terrestre (Apocalipse  5:9-10; veja-se também  2 Timóteo 2:12). É portanto claramente evidente, que os acontecimentos do Apocalipse coincidem com uma poderosa proclamação de Jesus Cristo como Rei (Apocalipse 12:10). Quando Jesus, o nosso Sumo Sacerdote, que presentemente intercede por nós junto do trono do Pai, regressar à Terra, o poder e influência de Satanás serão quebrados e o Reino de Cristo estabelecido. O diabo deixará de ser o cabeça e deus dêste vil mundo presente (João 14:30; 2 Coríntios 4:4; Efésios 6:12; 1 João 5:19).

Uma prova ulterior de que o reino milenário não é no céu mas sim na Terra, é que, nesta dispensação, a inerente carnalidade e anarquia aínda existirá entre as nações, o que tornará necessário que sejam governadas com uma mão forte. Embora Satanás seja amarrado, proibido de enganar as nações e de as levar a praticar actos rebeldes, elas continuarão a ter naturezas caídas, que necessitam de disciplina. Em Apocalipse 12:5 e 19:15, afirma-se claramente que Cristo governará as nações com um bastão de ferro. E os Seus servos fiéis estarão incluidos nesta disposição (Apocalipse 2:25-27).

Durante o Milénio, o trono do Senhor Jesus em Jerusalém será o ponto de encontro entre o céu e a Terra, e por conseguinte um centro de sabedoria divina, de autoridade e de governação em rectidão (Isaías 2:2-4; 24:23; Zacarias 8:22). Uma situação como esta, em que não há incitamento a guerras, não há treino militar, e não se fabricam armamentos, nunca antes conseguiu vingar na Terra. Apenas se pode aplicar a um futuro reino de paz.

Porque o diabo estará amarrado durante o Reino de mil anos de Cristo, êle não será capaz de enganar as nações e não haverá portanto nem violência nem guerra. Outras formas de pecado também desaparecerão e todo o mundo reconhecerá e praticará exclusivamente a religião Cristã (Isaías 11:9). Até a criação animal beneficiará e a rapina entre animais cessará (Isaías 11:6-7). Jerusalém será expontâneamente  reconhecida como capital do mundo por todos os povos, e não haverá mais hostilidade ou tensão política entre as nações (Jeremias 3:17).

A volubilidade será a única forma de má conduta, pois algumas nações vão negligenciar o cumprimento dos seus deveres no serviço do Senhor. Continuará a ser uma questão de “o espírito por certo quere, mas a carne é fraca” (Mateus 26:41). A sua negligência dará ocasião a acções punitivas e repreensões por parte do Rei (Zacarias 14:16-17).

Durante êste periodo, haverá um remanescente não-salvo das nações da Terra, que será composto de pessoas mortais de carne e sangue. Devido à sua natureza pecadora, elas terão aínda de ser salvas, para verdadeiramente pertencerem ao Senhor Jesus. De acôrdo com Zacarias 14:16-17, sobreviverão à grande tribulação e à batalha de Armagedon. Embora não tenham recebido o número do Anticristo, não pertencerão a Cristo enquanto O não aceitarem como Salvador. A Bíblia indica que um pequeno remanescente de Israel e das nações, será salvo directamente depois da Segunda Vinda de Cristo (Zacarias 12:10-14; 13:1,9; Mateus 24:30-31).

Isto quere dizer, que o Milénio começará com uma primeira geração de Cristãos. Porque os mortais aínda possuirão a natureza adâmica que tende a pecar, novas gerações – como agora – vão nascer não-salvas, e terão de nascer de novo espiritualmente para serem filhos de Deus. Evangelizá-las será a tarefa dos Judeus evangelistas de Israel, que também serão mortais mas salvos. Êles ceifarão uma colheita para o Reino de Deus entre todas as nações (Isaías 27:6). Um estudo de Apocalipse 20 revela que, com o decorrer do  tempo, haverá menos membros das gerações futuras a ser salvos. Quando o diabo fôr solto depois do seu cativeiro de mil anos, milhões de pessoas não-salvas vão ser  atraídas por êle caíndo sob o seu poder (Apocalipse 20:7-9).

A primeira ressurreição

A doutrina das duas ressurreições também está claramente relacionada com o Milénio. Apenas aqueles que participaram na primeira ressurreição (Lucas 14:14; 1 Tessalonicenses 4:16), incluindo os crentes do Velho Testamento e os salvos durante a tribulação, vão reinar com Cristo. A ressurreição dos justos deve dar-se antes do reino milenário de Cristo. Ser digno disso vai ser uma grande bênção e algo porque nos devemos esforçar (Apocalipse 20:6; Fili-penses 3:11-12). O resto dos mortos é a multidão dos não-salvos de todos os séculos, e não ressuscitarão senão depois do fim dos mil anos (Apocalipse 20:5). Então vão comparecer perante o grande trono branco, para serem julgados e condenados ao lago de fôgo eterrno.

Características do reino milenário

O que segue são as mais importantes características do futuro Milénio:

Deus governará na Terra através do Seu Rei do reis, Jesus Cristo (Lucas 1:31-33; Apocalipse 19:15; Isaías 11:5-16). O trono de Cristo será em Jerusalém (Zacarias 8:22; Isaías 2:2-3; 24:23). O Seu govêrno será caracterizado pela rectidão (Isaías 1:26-27; Jeremias 23:5-6). Não haverá guerra (Isaías 2:4; Miquéas 5:4). Satanás estará fortemente amarrado para não enganar as nações (Apocalipse 20:1-4). O resto salvo de Israel regozijar-se-á no Senhor e evangelizará todo o mundo (Isaías 12:3-6; 27:6; 40:9). Fará com que o mundo dê fruto (Isaías 27:6), e Deus será honrado (Isaías 28:5; Zacarias 8:20-23). A Terra estará cheia com o conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar (Isaías 11:9-10; Habakuk 2:14). Não haverá doenças (Isaías 33:24). As pessoas viverão com saúde até uma idade avançada. Uma pessoa de 100 anos será considerada criança (Isaías 65:20-23). A natureza será libertada da escravidão e da corrupção para uma liberdade gloriosa (Romanos 8:19-22; Isaías 41:18-20). Haverá prosperidade económica (Amos 9:13-14; Joel 3:18; Isaías 65:21-23). Haverá harmonia no reino animal, porque o Senhor fará um novo contrato com êle (Isaías 11:6-9; 65:25; Hoséas 2:18).

A posição de Israel no Milénio

A posição de Israel na próxima era Messiânica, é descrita frequentemente no Velho Testamento, onde é relacionada especìficamente com o dia do Senhor. Será uma era de grandes bênçãos, abundância, alegria no Senhor e paz na Terra. Israel realizará o seu destino original e potencial como povo de Deus, e será uma nação através da qual Êle abençoará toda a Terra. Paulo diz de Israel: “Se a sua queda constitui riqueza para o mundo, e o seu fracasso riqueza para os gentios, quanto mais não será a sua plenitude! … Porque, se o serem afastados constitui a reconciliação do mundo o que será a sua aceitação senão vida depois da morte?” (Romanos 11:12,15). Através da queda de Israel, ao rejeitar e crucificar o seu Messias, o evangelho da reconciliação com Deus foi oferecido não só aos judeus mas também aos gentios. Que bênção tremenda para os gentios! Quanto mais não será Israel uma bênção para o mundo no Milénio, ao proclamar os louvores do Messias entre as nações! Isto será a muito esperada mas grande consumação do chamamento e destino desta nação única como povo escolhido por Deus.

Seguem-se exemplos de promessas sôbre a restauração e glória de Israel durante a próxima era Messiânica: Zacarias 8:23; Isaías 27:12; Jeremias 31:6-7,31,33; Malaquias 3:17; Amos 9:11-12, 14-15; Miquéas 7:11; Jeremias 31:38,40; 33:6-9,14-16; Isaías 62:6-7; Joel 3:17; Isaías 11:10; 12:4; 17:7; 26:1-2; 27:6; 28:5; 30:23,25; Sofonias 3:9. Estas e muitas outras bênçãos vão ser características do Milénio, quando o Messias reinar do trono de David em Jerusalém. Os Seus santos glorificados reinarão com Êle, e a rectidão prevalecerá na Terra. Israel desempenhará um papel de sumo relêvo nos assuntos mundiais, e será  a nação representante especial de Deus entre todas as nações do mundo.

Esperemos com ardor pelo Milénio, que começará depois da vinda do Rei, Jesus Cristo. Apenas Êle pode salvar o resto de Israel e das nações (Zacarias 12:10; Mateus 24:30-31), amarrar e incarcerar o diabo (Apocalipse 20:1-3), restaurar o trono de David (Actos 2:29-30; 15:16-17) e alterar tudo na Terra para melhor. Se estivermos preparados para sofrer agora e servir o Senhor em face de grande oposição (Actos 14:22), nós vamos acompanhá-l’O durante o seu triunfante regresso (Zacarias 14:4-5), e reinar com Êle na Terra (2 Timóteo 2:12).

Acima de tudo, a coisa mais importante do reino milenário é que o Senhor Jesus será completamente justificado e glorificado, nesta mesma Terra onde “andou a fazer o bem e a curar todos quantos andavam oprimidos pelo diabo” (Actos 10:38) e onde no entanto foi tão desgraçadamente humilhado, desprezado, rejeitado, cruelmente expulso como indigno e crucificado pelas mesmas criaturas caídas que, como Criador, tinha criado. A resposta de Deus a isto, é que, ao nome de Jesus todo o joelho se curvará e toda a lingua O confessará como Senhor (Filipenses 2:6-11).

Compromisso pessoal

Acredito na promessa de um reino milenial futuro de paz na Terra e, por essa razão, não me surpreende que semelhantes condições não existam durante a presente dispensação da igreja. Compreendo sim, que presentemente somos apenas estrangeiros e peregrinos num mundo que em grande parte é dominado e manipulado por fôrças malignas. Por êsse motivo, nós não somos reis mas soldados da cruz. Olhamos com antecipação para o dia em que o Senhor Jesus regressará à Terra como Rei dos reis, dia êsse em que seremos revelados com Êle em glória (Colossenses 3:4). Nessa altura, Israel restaurado será todo salvo e servirá o Senhor com um coração puro entre todas as nações. Como Abraão, nós temos uma visão da cidade com fundações (a nova Jerusalém) cujo construtor e criador é Deus (Hebreus 11:10). Que expectativa celestial a abraçar! E como nos deviamos dedicar mais ao serviço do Senhor e fazer obras de valor para a eternidade!

Perguntas

1.      Quando é que o Milénio começa e quanto tempo durará?

2.      Que diz a Bíblia sôbre o futuro reino de Jesus Cristo na Terra?

3.      Qual vai ser a posição de Jerusalém no Milénio?

4.      Qual vai ser a terefa mais importante do Israel salvo, no Milénio?

5.      Que é que os Cristãos glorificados vão fazer durante o Milénio?