20. O Assento De Julgamento, De Cristo

É importante que os Cristãos não sejam apenas motivados espiritualmente a um dia ir para o céu, mas também a viverem agora aqui na Terra vidas frutíferas, fazendo obras próprias do arrependimento (Mateus 3:8). O Senhor julgar-nos-á e recompensar-nos-á por tais obras depois do arrebatamento, e então ver-se-á claramente o valor espiritual do que foi a vida de cada Cristão na Terra. Teremos de dar conta do que fizemos com os nossos talentos e oportunides ao serviço do Senhor.

Pedro afirma, “a hora é chegada para o julgamento começar na casa do Senhor, (1 Pedro 4:17). Quando vier, Cristo recompensar-nos-á pelas nossas obras (Apocalipse 11:18; 22:12). Jesus promete uma corôa aos mártires da igreja de Smirna (Apocalipse 2:10). Às Suas testemunhas fiéis da igreja apóstata de Tiatira, Êle afirma que elas reinarão Consigo (Apocalipse 2:25-26). Aos Seus amados servos de Filadélfia, que continuaram a serví-Lo apesar da sua grande pobreza, Êle disse que deviam agarrar-se bem ao que tinham, para que ninguém lhes roubasse a sua corôa (Apocalipse 3:11). Que, devido à sua perseverança até ao fim, deviam manter-se dignos de receber corôas (Galatas 6:9; 1 João 2:28; 2 João 1:8). Os crentes têm a responsabilidade solene de estar preparados para se apresentarem a Cristo no seu trono de julgameno!

A entrevista

Todos os Cristãos têm uma entrevista definida marcada, para comparecer perante o assento de julgamento de Cristo – quer tenham sido servos fiéis quer não. Alguns receberão prémios, enquanto que outros comparecerão ali de mãos vasias. O facto é, que os servos do Senhor terão de dar conta de si mesmos (2 Coríntios 5:10; Romanos 14:10,12). Nesse dia, muitas das obras dos crentes vão ser declaradas sem valor, sem valor algum para a eternidade. O Senhor Jesus diz a todas as igrejas do Apocalipse: “Eu conheço as vossas obras…” (Apocalipse 2:2,9,13,19; 3:1,8,15). Êle recompensará cada membro de acôrdo com as suas obras.

Paulo explica aos Coríntios em muito maior pormenor, como é que Deus vai julgar as obras dos crentes por meio do fôgo do Seu julgamento. Do contexto torna-se claro, que as obras da fé realizadas depois da salvação vão ser verificadas, e que as obras de alguns crentes vão ser consideradas carnais, e serão portanto rejeitadas. Paulo também indica claramente que, como co-obreiros de Deus, nós temos uma tarefa definida a levar a cabo no reino de Deus. Mas devemos ter cuidado como o fazemos: não com a sabedoria da carne mas sim no poder do Espírito Santo (1 Coríntios 3:8-16). 

Nesta passagem, há alguns pontos importantes que se tornam evidentes:

·          A fundação do arrependimento, que é o princípio da nova vida em Cristo, tem de ser em primeiro lugar firmada nas nossas vidas, antes de podermos trabalhar para o Senhor.

·          Depois do arrependimento, somos mandados trabalhar para o Senhor, como Suas testemunhas, e assim fazer a nossa luz brilhar no Mundo. Devemos ser co-obreiros com Êle no alargamento do Seu reino.

·          Não podemos presumir que tudo quanto fazemos para o Senhor é feito sob a orientção do Espírito Santo, e portanto aceitável por Êle, uma vez que também podemos fazer obras sem valor, originadas na natureza humana carnal (1 Corínntios 3:1-3). Estas obras são a madeira, feno e palha, que não têm qualquer valor para a eternidade e que portanto serão queimadas. 

·          Àqueles que fazem obras inaceitáveis pelo poder da carne, pergunta-se: “Sabeis vós que … o Espírito de Deus reside em vós?” (1 Coríntios 3:16). Êsses devem dedicar as suas vidas à submissão ao Espírito Santo, e começar a servir ao Senhor no Seu poder. Essa é a vida Cristã normal.

Numa parábola em Lucas 19:11-27, o Senhor Jesus também se referiu ao dia em que os Seus servos terão de dar conta das suas vidas. Êle diz que foi dado dinheiro a cada um dêles, o que se refere a um dom de Deus para trabalhar no seu reino, isto é, o poder habilitador do Espírito Santo. O comando aos servos: “negociai até que Eu venha”, (Lucas 19:13),  quer dizer: “dirigi os trabalhos do Meu reino até Eu vir”. Quando Êle voltar como Rei, Êle vai chamar primeiro o seus servos, para ver o que ganharam com o seu trabalho. Ao que ganhou dez de lucro, vai dizeer: “Bem feito bom servo; porque foste fiel no mínimo, recebe autoridade sôbre dez cidades” (Lucas 19:17). Um outro recebe autoridade sôbre cinco cidades. Enquanto que aquele que guardou o dinheiro que lhe foi dado e não o usou, comparecerá perante o Senhor de mãos vasias, e será fortemente repreendido por causa da falta de dedicação da sua vida.

A base do julgamento

O Senhor tem entrevista marcada no assento do Seu julgamento, com todos os que lhe pertencem. É óbvio que êles não vão ser julgados à base da presença ou ausência de fé nas suas vidas. Êles são salvos através da graça pela fé, e isso é uma dádiva de Deus. Porque êles são todos crentes, a base do julgamento é outra coisa – as obras da fé. Estas são as obras que devem resultar de uma fé viva (Tiago 2:26).

Paulo afirma com toda a clareza em Efésios 2:8-9, que somos salvos pela fé sem as obras. Nenhuma pessoa pode ganhar a sua salvação trabalhando para isso. A salvação é uma dádiva gratuita de Deus. Mas, quando uma pessoa é salva, e se torna crente, espera-se dela que leve uma vida de devoção e bôas obras (Efésios 2:10). O Senhor não nos vai premiar pelo que estamos a fazer para Êle, mas apenas pelo que Êle está a fazer através de nós. Nós devemos ser usados por Êle. O que fazemos, deviamos fazê-lo no poder do Espírito Santo. Não devemos confiar nas nossas próprias ideias, mas reconhecer e consultar Deus em todos os aspectos das nossas vidas (Provérbios 3:5-6).

As cinco corôas seguintes são prometidas aos que se mantêm firmes até ao fim:

A corôa imperecível devida a uma vida santa – A corrida da vida, em que nós todos estamos empenhados, é comparada à corrida de um atleta. (1 Coríntios 9:24-27). Os atletas fazem por se manter saudáveis: Comem os alimentos apropriados, não fumam ou bebem. Na corrida da vida, devemos também alimentar-nos espiritualmente e evitar hábitos mocivos (pecadores), que possam impedir o nosso progresso (Hebreus 12:1). Um cometimento desta natureza conduz-nos à limpeza espiritual (2 Coríntios 7:1) e ao enchimento com o Espírito Santo (Efésios 5:18). A santificação e a decisão de servir ao Senhor, exigem auto-disciplina e a dedicação de uma pessoa ao exercício da rectidão (1 Timóteo 4:1). Paulo afirma: “Eu disciplino o meu corpo, levo-o à obediência” (1 Coríntios 9:27). Por uma vida santificada e dedicada, receberemos uma corôa imperecível – não como a dos atletas que competem por uma coroa de louros perecível e por apenas um curto momento de glória.

A corôa da alegria para os que ganham almas – A grande Comissão que Cristo deixou  aos Seus discípulos é a do evangelismo mundial. Nós fomos todos enviados a proclamar o evangelho (João 20:21; Marcos 16:15; Actos 1:8). Para aqueles que conduzem outras pessoas a Cristo é prometida a corôa da alegria (1 Tessalonicenses 2:19). Êste é um chamamento altamente estimado no reino do Céu, e é por isso que os ganhadores de almas são comparados a estrêlas brilhantes (Daniel 12:3). Da perspectiva de Deus, são também chamados gente sábia (Provérbios 11:30).

A corôa da glória para os pastores fiéis – O cuidado espiritual e crescimento da congregação, são um aspecto muito importante do serviço Cristão, que nos foi comandado pelo próprio Jesus. Se o pastor desempenhar todas as suas tarefas de forma honesta, dedicada e exemplar, receberá a corôa da glória das mãos do Pastor-chefe (1 Pedro 5:2-4). Uma das razões para a grande apostasia dos últimos dias, é o facto que os pastores fiéis e capazes, que apresentam a palavra da verdade correctamente, são muito raros. A maioria, a bem da popularidade e sob a influência de colegas, que são profetas falsos, segue o caminho da condescendência, proclamando uma mensagem fácil mas falsa do evangelho (2 Timóteo 4:3-4).

A corôa da vida para os mártires Cristãos – A todos quantos derem a vida pela sua fé, é prometida a corôa da vida (Apocalipse 2:10). Através de todos os tempos, houve sempre servos fiéis do Senhor que estavam prontos para levantar ao alto a chama da fé, num mundo hostil, à custa da sua segurança pessoal, do seu trabalho, das famílias e mesmo da própria vida (Lucas 10:3; João 16:33). Durante os últimos quase 2.000 anos, os Cristãos foram certamente perseguidos, expulsos, vítimas de troça, ameaçados, encarcerados em campos de concentração e de tortura em muitos países, ao mesmo tempo que milhões eram mortos pela sua fé. O Senhor vai premiá-los com a corôa da vida, pelo preço que pagaram por serem Suas testemunhas entre gente cruel e vingativa. O Senhor os recompensará. Incluidos na categoria de mártires, estão aqueles que sofreram experiências difíceis, aflições, e tentações além da perseguição por outros (Tiago 1:12).

As experiências desta natureza são várias, e podem estar relacionadas com a pobreza e a morte, incapacidades físicas, o cuidar dos incapacitados, doentes ou pobres, etc. Essas pessoas serão premiadaas com a corôa da vida pelo Senhor, se se mantiverem fiéis. Algumas recebem libertação das suas aflições nesta vida, outras não. A coisa mais importante é que se mantenham fiéis até ao fim (2 Coríntios 4:16-18; Hebreus 11:35).

A corôa da rectidão, para os que amam a Sua vinda – Para amar a vinda do Senhor, tem que se seguir o caminho das coisas com valor eterno. Devemos depositar os nossos tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem destroiem, e onde os gatunos não entram nem roubam. Se dissermos que amamos a vinda do Senhor Jesus, declaramos ao mesmo tempo que Êle é o nosso Rei, que estamos ocupados na extensão do Seu reino na Terra e que esperamos pelo dia em que Êle será revelado como Rei.

Entretanto, somos estrangeiros na Terra, visto que a nossa residência eterna não é aqui. Paulo travou a boa batalha da fé, ao proclamar o reino de Deus num mundo ateu. Pouco antes de ter sido executado pela sua fé, mais uma vez exprimiu a sua grande crença na vinda do Senhor Jesus Cristo e em receber a corôa que lhe está destinada “nesse dia” (2 Timóteo 4:7-8), referindo-se assim ao próximo Dia do Senhor, durante o período da tribulação. Nessa altura, a verdadeira Igreja, que escapou aos julgamentos de Deus, estará no céu, onde primeiro comparecerá perante o assento de julgamento de Cristo.

Compromisso pessoal

O grande propósito da minha vida é manter-me fiel ao Senhor que me enviou como Sua testemunha. Estou disposto a obedecer aos seus mandamentos, fazendo obras próprias do arrependimento. Para honra e  glória do Seu nome, desejo receber prémios por serviço fiel quando comparecer perante o Seu assento de julgamento. Compreendo que obras desta natureza só podem ser realizadas através do poder do Espírito Santo e, tendo isso em vista, oro por uma nova unção pelo Espírito de Deus. É apenas quando Êle me dá o poder, que eu posso fazer obras com valor para a eternidade. O trabalho do Senhor é muitas vezes levado a cabo em circunstâncias muito difíceis e penosas. Mas, à luz da nossa recompensa celestial, não perdemos a coragem ao sofrer por Cristo (Hebreus 11:24-26). Uma vez que apenas o Cordeiro é digno de receber a glória por tudo quanto foi conseguido em Seu nome, estas coroas serão depositadas a Seus pés. (Apocalipse 4:10-11). Que o Senhor me livre de comparecer à Sua frente nesse dia de mãos vasias, pois isso seria a prova vergonhosa de uma vida infrutífera.

Perguntas

1.    As pessoas não-salvas também vão comparecer perante o assento de Julgamento de Cristo? Indique  as razões.

2.    O que é que vai ser julgado nesse julgamento?

3.    Porque é que as obras são importantes na vida de um Cristão?

4.    Para receber quais coroas se esforça você?

5.    O que espera o Senhor, dos pastores das congregações?