19. O Anticristo

Durante toda a dispensação da igreja, houve sempre muitos tiranos que desempenharam um papel tìpicamente anti-cristão enganando, opondo-se aos Cristãos e lutando contra êles. Todos êles eram anticristos e assim precursores do grande Anticristo do tempo do fim. (1 João 2:18). Paulo dá-nos mais pormenores da revelação do Anticristo final, bem como da sua destruição na altura da Segunda Vinda de Cristo em (2 Tessalonicenses 2:3-12). 

Nesta Escritura, temos uma indicação clara do afastamento d’aquele  que trava o acontecimento, antes que o sem lei (o Anticristo) possa ser revelado. Aquele que trava é a verdadeira igreja de Cristo como templo do Espírito Santo na Terra (1 Coríntios 3:16; 6:19). Devemos lembrar-nos que apenas o Espírito Santo pode opôr-se ao Anticristo e ao seu satânico espírito de terror (1 João 4:1-6). Quando a igreja partir, no arrebatamento, a luz do mundo apaga-se e deixa o mundo em total escuridão espiritual. Então, quando não houver quem exponha as obras da escuridão, o Anticristo será revelado sem oposição e será aceite mundialmente.

Os quatro cavaleiros

De acôrdo com Apocalipse 6:1-8, o Anticristo vai ser revelado de uma maneira muito deceptiva, como anjo da luz, num esfôrço para primeiro enganar as pessoas e mais tarde para extender sôbre elas a sua ditadura sem compaixão. Na primeira fase do seu govêrno, aparecerá ao mumdo como homem da paz que traz esperança e novas oportunidades de sobrevivência económica num mundo cheio de conflitos e pobreza (o cavaleiro no cavalo branco). Êle vai enganar toda a gente e disfarçar com êxito a sua verdadeira identidade. A sua pretensão de ser um homem de Deus especial, vai basear-se em poderes sobrenaturais espantosos e milagres. Todas as religiões do mundo o vão aceitar como  messias comum. Para os Cristãos nominais enganados, êle será o Cristo; para os Judeus o Messias; Para os muçulmanos o Imam Mahdi; para os Indús Krishna e para os Budistas Maitreya Buddha. Numa manifestação de astuta diplomacia, vai unir o mundo polìticamente, tornando-se o cabeça de um govêrno mundial.

Quando as suas iniciativas de paz e reformas unificadoras políticas e religiosas falharem, depois de 3 anos e meio, o Anticristo mostrará a sua verdadeira natureza, adoptando a violência para aplicar a sua autoridde no mundo, tornando-se  um ditador militar cruel (o cavaleiro no cavalo vermelho). A sua actividade lógica seguinte será a imposição de pesadas medidas de fiscalização económica e de racionamento de productos alimentares, durante as guerras e fome que se seguirão (o cavaleiro no cavalo preto). Depois destas calamidades, a única actividade deixada ao Anticristo é cavalgar como anjo da morte, para ceifar tantas almas quantas possível para o acompanhrem na sua perdição (o cavaleiro no cavalo amarelo). O que começou com um movimento de paz, terminará na maior das tragédias.

Identidade do Anticristo

Em Apocalipse 13, dâo-se mais pormenores sôbre a identidade e carácter dêste vil ditador mundial. Êle é descrito como uma bêsta com sete cabeças, enquanto que o seu companheiro, o falso profeta, é também  descrito como uma bêsta mas de aparência diferente (Apocalipse 13:1-18). Em Apocalipse 17 menciona-se outro aliado íntimo do Anticristo, e ali podemos aprender mais sôbre a bêsta. Trata-se da mulher prostituta que representa todas as religiões falsas anticristãs de todos os tempos (Apocalipse 17:1-18). Esta mulher é a mãe dos apóstatas e, como tal, organização espiritual parente de todas as religiões falsas (uma aliança, ou corpo ecuménico). Ela esteve ìntimamente associada aos antigos impérios mundiais, e vai  também gozar o reconhecimento oficial no futuro reino da bêsta. Em Apocalipse 17:9-11 é-nos dada mais informação sôbre ela e sôbre a bêsta que monta.

A primeira conclusão a que devemos chegar no que respeita a esta Escritura, é que ela não se refere às sete montanhas de Roma, e que, portanto, a profecia não é sôbre a Igreja Católica Romana. Ela diz, que as sete montanhas são sete reis (ou reinos) que se sucedem cronològicamente uns aos outros. Sabemos também, que não se refere a imperadores romanos, pois que só entre Nero e Constantino estiveram no poder dez Césars anti-cristãos. Nesta passagem, Deus dá-nos uma perspectiva larga de sete impérios mundiais consecutivos, como sendo os maiores baluartes das religiões não-cristãs através dos séculos. Em Génesis, Isaías e Daniel, faz-se menção dêstes impérios.

São êles: 1. O antigo Império Babilónico estabelecido por Nimrod; 2. O Império Assírio, que levou as dez tribos de Israel cativas no século oitavo BC; 3. O Império Neo-babilónico que conquistou o  reino de Judá no século sexto BC e levou muitos dos seus súbditos cativos para a Babilónia; 4. O Império Medo-persa; 5. O Império Grego; 6. O Império Romano; e 7. O Império do Anticristo, do tempo do fim.

Quando o Apocalipse foi escrito em 95 AD, cinco dêstes impérios tinham caído – do antigo império Babilónico ao Grego – o Romano estava no poder, enquanto que o império da bêsta (Anticristo) do fim dos tempos, era aínda futuro. Isto é precisamente o que Apocalipse 17:10 diz, ou seja, “cinco cairam, um existe e o outro aínda não chegou”. Êste último império é simbolizado pela cabeça com os 10 chifres. A alusão à bêsta, no verso 11, dizendo que ela “é o oitavo” e “dos sete” reinos, dá-nos a indicação que o seu reino será simultâneamente o sétimo e o oitavo. O sétimo, é um reino semelhante ao Romano, em que o Anticristo governa em aliança com outros reis durante os primeiros 3 anos e meio (verso 12); enquanto que o oitavo é quando, como único ditador militar, êle governa o mundo inteiro durante os 3 anos e meio finais (Apocalipse 13:3-4).

Uma característica comum dos seis primeiros impérios, é que todos êles foram extremamente hostís ao reino de Deus na Terra. As suas práticas ocúlticas, panteísmo, imoralidade, deificação dos chefes, o humanismo, e a rebelião contra Deus, vão atingir a culminância no sétimo reino, chegando aínda a maiores profundezas de escuridão e decepção espirituais. Esta unanimidade entre êles, tem origem na Babilónia-mistério, a mãe imoral de todas as religiões falsas. Ela exerceeu uma influência poderosa sôbre os impérios mundiais anteriores, e foi responsável pela sua vil natureza. (Apocalipse 17:18).

O Anticristo identifica-se tão intimamente com os impérios mundiais anteriores, que é representado com corpo de leopardo, patas de urso, bôca de leão, e com 10 chifres na cabeça. (Apocalipse 13:2). Êstes símbolos correspondem aos indicados em Daniel 7, onde o Império Babilónico é representado como um leão, o Mêdo-Persa como um urso, o Grego como um  leopardo e o Romano como um animal feroz com 10 chifres na cabeça.

É evidente que o Império do Anticristo não será apenas um Império Romano ressuscitado, mas sim um reavivar de todos os grandes impérios mundiais. E terá, em especial, fortes características babilónicas. Por tal motivo, está errado considerar a Europa Ocidental o renasccido Império Romano, e alegar que o Anticristo tem de vir de Roma. A sua origem será um país que formou parte de todos os impérios mundiais anteriores, como por exemplo o país do rei do Norte (Daniel 11:36-45). Êste país fica situado a nordeste de Israel, e foi, referido durante vários períodos da história, como Babilónia, Assiria e Síria. Presentemente é constituido pela Síria e Iraque, mas o seu  coração está no Iraque. É aí também, que se situa a antiga cidade da Babilónia, que está agora a ser reconstruida. Isaías 10:12-14 e 20 também se referem a êste assírio do final dos tempos, de cuja tirania Israel vai ser salvo durante o próximo Dia do Senhor.

Govêrno mundial

O Anticristo vai instituir uma ditadura baseada em fontes de poder políticas, religiosas e económicas. Êle controlará totalmente estas três áreas, com o fim de privar todas as pessoas das sua liberdade humana básica. As pessoas não terão quaisquer direitos políticos, liberdade religiosa e económica, fora das estruturas da sua nova ordem mundial. Declarar-se-á Deus no templo reconstruido de Jerusalém, e mandará executar todas as pessoas que se recusarem a adorá-lo ou à sua imagem (2 Tessalonicenses 2-4; Apocalipse 13:15).

Comprar e vender por aqueles que estiverem econòmicamente activos serão controlados pela criação de uma economia mundial, computerizada e sem dinheiro (Apocalipse 13:16-18). A afirmação por algumas pessoas, que não haverá qualquer perigo ligado a uma economia sem dinheiro, e que o número e a marca do Anticristo não devem ser tomados literalmente, são parte da campanha de propaganda de Satanás para preparar as pessoas para a aceitação do seu futuro sistema de números e para assinarem um acôrdo com êle.

O princípio filosófico em que o Anticristo vai basear o seu sistema global de govêrno religioso, político e económico, é o princípio do monismo – quer dizer, tudo é um. E é óbvio, segundo as profecias, que o Anticristo  chefiará uma nova ordem mundial baseada no conceito da unidade. Em têrmos de unidade religiosa, alega-se que todas as religiões são uma, e que toda a gente deve adorar o mesmo messias universal (Apocalipse 13:4). O conceito de unidade política abrirá caminho à união de todos os povos sob um dirigente (Apocalipse 13:4-7). A unificação económica justificará a criação de uma economia global, que será controlada centralmente por um govêrno, a favor de todas as nações. A ideologia to tudo é um abre o caminho à emergente nova ordem mundial anti-cristã.

É óbvio que a visão mundial Cristã é diametralmente oposta à filosofia monística do Anticristo. A Bíblia não nos ensina monismo-tudo é um, mas sim dualismo-tudo são dois. Há duas vastas e irreconciliáveis realidades que confrontam uma pessoa, isto é, o Reino de Deus e o reino de Satanás. Êles estão totalmente polarizados e implacàvelmente opostos.

O ataque final contra o reino de Cristo pelo Anticristo, o Falso Profeta e seus aliados, vai acontecer durante a Batalha de Armagedon. Êles vão  juntar um exército multi-nacional no Médio Oriente, num esfôrço para destruir por completo o remanescente de Israel, e para esperar pela vinda do Verdadeiro Messias ao Monte das Oliveiras, e tentar lutar contra Êle. Mas isso só levará à eterna perdição do Anticristo e do Falso Profeta (Apocalipse 19:19-21), e à prisão de Satanás (Apocalipse 20:1-3). E então será estabelecido na Terra o reino do milénio prometido por Cristo.

Compromisso pessoal

Os Cristãos Evangélicos devem resistir à subida e planeada revelação do Anticristo. Nós somos a luz num mundo de escuridão, e devemos opor-nos com fé aos poderes da escuridão. Embora não estejamos na Terra durante o tempo do Anticristo, devemos resistir aos preparativos para a instituição do govêrno mundial, e da aliança de todas as religiões como instituições anticristãs. A ideologia do Anticristo do globalismo político, religioso e económico, bem asim como a sua cultura do pecado em que tudo é permitido (2Tessalonicenses 2:3), estão a tornar-se uma ameaça real aos direitos dos Cristãos, e está já a ser abraçada pela maioria dos governos. Comprometo-me pessoalmente a  avisar outras pessoas contra estas reformas e pensamentos unitários, e a ordenar a minha própria vida estrictamente de acôrdo com princípios biblicos.

Perguntas

1.    Será o Anticristo uma pessoa, ou um sistema impessoal?

2.    De que país ou região vai o Anticristo vir?

3.    Com que impérios mundiais vai êle estar associado?

4.    Descreva o seu papel como  falso principe da paz

5.    Quais vão ser as bases do poder do Anticristo, e como vai êle castigar quem se não submeter à sua autoridade e exigências?