15. Dispensações na Bíblia

A história divina da humanidade, está ordenada no âmbito das oito dispensações abaixo indicadas. Tais dispensações são caracterizadas  por uma revelação progressiva do conhecimento do bem e do mal, que aumenta através de vários estágios, até conhecermos por completo como somos conhecidos por completo por Deus (1 Coríntios 13:12). Neste processo, não há apenas um aumento no conhecimento de Deus e Sua rectidão, mas também no conhecimento das obras do reino oposto da escuridão. As características mais importantes das oito dispensações são as seguintes:

1.  A dispensação da inocência

A primeira dispensação em que Adão e Eva se encontraram, foi a da inocência, no Eden. Êles não tinham conhecimento do bem e do mal, e não se envergonhavam da sua nudez (Génesis 2:25). Deus tinha-os proibido de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, e avisára-os de que decerto morreriam se comessem  do seu fruto (Génesis 2:17). Com grande esperteza, Satanás levou Adão e Eva a rebelar-se contra Deus e a desobedecer-Lhe (Génesis 3:1-5). Seguiram ambos o conselho de Satanás e, cedendo à sua influência maligna, tornaram-se assim pecadores. Êles não só tomaram consciência da distinção entre o bem e o mal, mas tornaram-se também vítimas do mal.  A morte espiritual tomou imediatamente conta dêles, transformando-os ao mesmo tempo fìsicamente, em seres mortais.  A dispensação da inocência terminou com a Queda do Homem,  que foi o resultado da decepção de Satanás. Adão e Eva foram expulsos do Eden.

2.  A dispensação da consciência

Durante muito tempo depois da Queda, a humanidade não tinha  lei alguma, e apenas podia distinguir o bem do mal  pela voz da consciência. Várias pessoas seguiam o caminho da rectidão de harmonia com as suas convicções íntimas e quaisquer revelações pessoais que Deus lhes desse. Algumas dessas pessoas, como Abel, Enoch, Noé, Abraão, Isaac, Jacob e José, tornaram-se prègadores da rectidão. Houve alturas, durante esta dispensação, em que a maldade foi tão intensa e generalizada, que acendeu a ira de Deus contra o ser humano. Durante o Dilúvio, só se salvaram oito pessoas. 

3.  A dispensação de govêrno humano, depois do Dilúvio

Depois do Dilúvio, Deus firmou um acôrdo com Noé (Génesis 9:1-9), e desde então tornou os chefes de grupos de famílias, tribos, ou nações, responsáveis pelas suas decisões e pelo bem-estar dos seus seguidores. De acôrdo com Romanos 13:1, Deus instituiu aquelas autoridades ou governos humanos. Génesis 10, dá-nos uma lista dos descendentes de Noé através de Sem, Cam e Jafeth, que se tornaram  chefes de famílias e mais tarde chefes de nações. Quando êstes governos caíram na idolatria, todos os seus súbditos os seguiram nos seus maus caminhos. Abraão foi um daqueles patriarcas de grande número de seguidores, mas acreditava em Deus e ensinou os seus a fazer o mesmo. A consolidação dos poderes humanos, deu origem ao estabelecimento do império mundial da Babilónia, o que constituiu  uma grave forma de rebelião contra o reino de Deus. E isto foi o início da formação de vários governos sem Deus na subsequente história da humanidade.

4.  A dispensação da lei

Com a introdução da dispensação da lei no Sinai, operou-se uma distinção muito mais clara entre o bem e o mal. Deus definiu a rectidão e o pecado nos Dez Mandamentos, mas também através  de um grande número de outras leis e decretos. E Satanás concentrou a sua atenção em Israel, para induzir a nação a pecar, num esfôrço para subverter e anular o seu chamamento como povo especial de Deus. Apesar de intensos avisos, Israel abandonou nuitas vezes essa distinção, adorando os ídolos dos gentios. A sua motivação íntima para servir a Deus obedecendo aos Seus mandamentos, era fraca.

5.  A  dispensação da graça (a era da igreja)

Com o derramamento do Espírito Santo, instaurou-se a era da igreja. O Espírito Santo foi dado para guiar as pessos em toda a verdade, convencê-las do pecado e da rectidão, regenerá-las e também para as dotar de poder das alturas, para o serviço de Cristo num mundo espiritualmente nêgro. O conhecimento do bem e do mal aumentou através do discernimento espiritual – nós temos os olhos iluminados da mente (Efésios 1:18), mas não aínda em toda a sua extensão:  "Porque nós sabemos em parte, e profetizamos em parte" (1 Coríntios 13:9). Embora os Cristãos tenham agora uma arma forte contra Satanás, os esforços dêste para anular o plano de Deus são mais intensos, pois, durante muito séculos, êle tem conduzido uma guerra em todas as frentes contra a igreja de Cristo, utilizando imperadores Romanos, a Igreja Católica Romana medieval e, mais tarde, o humanismo secular, o comunismo, o movimento inter-fés e o movimento Nova Era, numa tentativa para a destruir – que também falhou.

6.  A dispensação do reino do anticristo

Quando "aquele que resiste", isto é, a verdadeira igreja cheia do Espírito Santo, fôr tirado do caminho durante o arrebatamento, o Anticristo será revelado (2 Tessalonicenses 2:6-12). Na Terra reinará grande desilusão, e as massas acreditarão cègamente nas mentiras do Anticristo. O mal aumentará ao máximo, e não haverá limites para a conduta blasfema e para o pecado. A segunda metade do reino de sete anos do Anticristo, será um tempo de actividadde demónica sem precedentes (Apocalipse 12:12). Contrastando com isto, os verdadeiros crentes, que foram  arrebatados, terão corpos imortais perfeitos, perfeita alegria e perfeito conhecimento. Estarão para sempre com Cristo (1 Tessalonicenses 4:16-17).

7.  A dispensação do reino do Milénio

Durante o Milénio, os crentes glorificados reinarão com Cristo (Apocalipse 5:10; 20:6). Na qualidade de seres imortais, não estarão sujeitos à dôr, à tristeza, à miséria ou à morte, nem serão limitados por qualquer espécie de imperfeição. O seu conhecimento de Deus também será perfeito. Durante êsse tempo, o Israel espiritualmente restaurado proclamará louvores ao Senhor, e "a Terra será cheia do conhecimento do Senhor, tal como as águas cobrem o mar" (Isaías 11:9). O diabo será amarrado num pôço sem fundo (Apocalipse 20:2-3) e a paz e a rectidão de Deus prevalecerão sôbre toda a Terra.

8.  A dispensação da eternidade

Esta dispensação não terá fim. No novo céu e na nova terra, "não entrará de modo algum o que quer que seja que manche ou cause uma abominação ou mentira, mas apenas aqueles cujos nomes estão escritos no Livro da Vida do Cordeiro" (Apocalipse 21:27). Prevalecerão a paz e a alegria perfeitas, porque os crentes estarão na presença de Deus para sempre. O lago de fôgo onde Satanás, os seus demónios e todas as pessoas perdidas estarão presas e a ser castigadas por causa da sua rebelião contra Deus, também existirá por toda a eternidade (Apocalipse 14:9-11; 20:15; Daniel 12:2). Nunca mais haverá no mesmo lugar, como acontece agora aqui na Terra, a co-existência da luz e da escuridão. Luz e escuridão ficarão separadas para sempre.

O conhecimento durante as dispensações

Os cristãos precisam compreender a natureza das diferentes dispensações da Bíblia. Era imperativo, para as pessoas de cada dispensação, ter o melhor conhecimento possível do bem e do mal, de forma a poderem agradar a  Deus e tomar as decisões acertadas para serem vitoriosas na luta contra o pecado. Cêdo na dispensação da consciência, Deus explicou a natureza desta luta a Caím, e também a necessidade de dominar o pecado e as tentações (Génesis 4:7). No entanto, êle rejeitou o conhecimento do Senhor, escolheu não caminhar nos caminhos de Deus, e deixou assim que a maldade o dominasse e arruinasse a sua vida. Porque Caím, como toda  gente, gozava de livre arbítrio, êle tinha todas as opções à sua frente. O que acontece às pessoas, é o resultado das suas decisões voluntárias.

Durante a dispensação da lei, Deus revelou-se de uma maneira muito especial a Israel (Êxodo 20). Mas Israel  em breve esqueceu os decretos do Senhor e desencaminhou-se espiritualmente, seguindo o pecado e a decepção de Satanás. Esta inconstância foi o resultado directo da falta de conhecimento de Deus e da Sua santa vontade (Oséas 4:1,6). Deus chamou muitas vezes Israel ao arrependimento da sua inconstante condição (Jeremias 4:1; 5:3; 18:11; Oséas 14:2).

Durante a dispensação da igreja torna-se também vitalmente importante, que estejamos cheios do conhecimento da vontade de Deus, com toda a sabedoria e compreensão espiritual, para que possamos viver uma vida digna do Senhor, agradando-Lhe em tudo, sendo produtivos em toda a bôa obra e crescendo no conhecimento de Deus (Colossenses 1:9-10; João 8:31-32). O próprio Deus é a verdade, Jesus é a verdade e o Espíirito Santo é o Espírito da verdade, que nos guiará no conhecimento de toda a verdade (João 17:17; 14:6; 16:13). A que ponto conhece o leitor a verdade?? Sem um bom conhecimento das verdades divinas, não seremos capazes de caminhar sempre nessas verdades e, consequentemente, seremos incapazes de fazer a vontade de Deus em todos os aspectos das nossas vidas.

Durante o período da tribulação, que se aproxima, o conhecimento de Deus e da Sua Palavra vai ser tão raro na Terra, (Amos 8:12), que as pessoas vão aceitar erradamente o Anticristo como verdadeiro Cristo, adorando-o também, (Apocalipse 13:4,8). Se nós não crescermos na graça e conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, (2 Pedro 3:18), seremos víitimas do espírito de decepção de Satanás.

Compromisso pesssoal

Que previlégio termos uma perspectiva bíblica do plano de Deus para a humanidade! À luz dêste conhecimento, compreendo que estamos presentemente a viver no tempo do grande afastamento  da verdade, e que devemos fazer todos os esforços no sentido de continuar firmes contra as manobras de Satanás. Dou graças a Deus pela Sua Palavra e Espírito, que me dão discernimento para poder crescer no conhecimento de Deus (Efésios 1:17-18;  Colossenses 1:9-10). Será nossa culpa se nos faltar  nas nossas vidas êste conhecimento e poder espiritual (Mateus 22:29). Numa altura como esta, muito próximo do fim da dispensação da igreja e perante o actual aumento da iniquidade, (Mateus 24:12), devemos ter um conhecimento claro das tendências contemporâneas e precavermo-nos contra o arrefecimento do nosso amor pelo Senhor. Devemos também estar informados sôbre o mistério da anarquia, de Satanás, de forma a  podermos resistir-lhe activamente (2 Tessalonicenses 2:7). Que o Senhor nos encontre bem  atentos e em oração quando Êle chegar (Lucas 21:36), e a trabalhar para levar a cabo a Grande Comissão que legou aos Seus discípulos.

Perguntas

1.    De que consta a dispensação da lei?

2.    Quais são os princípios da dispensação da graça?

3.    Quais são as diferenças entre a dispensação da igreja e a dispensação do reino?

4.    Quais são as principais características do próximo govêrno do Anticristo?