14. Lei e Graça

Muitos Cristãos têm dificuldade em distinguir entre a lei de Deus e a Sua graça. Em alguns versos do Novo Testamento, a perpetuação da dispensação da lei é proibida, mas noutros versos os altos e eternos princípios da lei de Deus são-nos claramente mostrados, como guias para as nossas vidas, e como algo a que nos devemos entregar. Estas duas perspectivas divergentes são claramente evidenciadas nas cartas de Paulo. Por um lado, êle afirma que nós não estamos debaixo da lei mas sob a graça (Romanos 6:14), e também que, através das obras da lei nenhuma carne será justificada perante Deus, porque a lei condena todas as pessoas como pecadoras (Romanos 3:19-20). E êle diz aos galatas, que a lei se tornou uma maldição para nós (Galatas 3:13), visto que ninguém pode ser salvo pela observância da lei  (Galatas 5:4).

Por outro lado, Paulo afirma que a lei é santa e justa e bôa (Romanos 7:12), e que a sua relevância como princípio orientador nas nossas vidas está confirmada (Romanos 3:31). O Senhor Jesus também disse, que não veio para destruir a lei ou os profetas, mas sim para cumprir ambos, e que ninguém deve ser ensinado a quebrar êstes mandamentos (Mateus 5:17-19). Como é então, que devemos avaliar a lei, e qual é a relação entre a lei e a graça?

A lei e a sua aplicação no Novo Testamento

As leis do Senhor estão descritas nos primeiros cinco  livros da Bíblia, chamados a Torah, em Hebraico. Torah significa "instruir"e compreende os princípios e estatutos divinos de Deus, de acôrdo com os quais o Seu povo deve viver. Há 613 leis na Torah, que também é conhecida por Pentateuco. Algumas dessas leis são regras de sempre, universais, aplicáveis a toda a gente, enquanto que outras tinham apenas uma função preparatória, com vista à vinda do Messias. N'Êle seriam finalmente cumpridas, não podendo continuar na sua forma original sem O negar. Entre estas últimas contam-se os sacrifícios e muitas das festas. Até as regras eternas se cumpriram também no Messias, pois apenas Êle podia observar perfeitamente a lei. Através da Sua obra de graça na cruz , e do poder do Espírito Santo, Êle torna possivel aos crentes viver em harmonia com os princípios espirituais e morais da lei de Deus, que exigem um coração puro, uma vida santa, e um serviço dedicado ao Senhor. Êle torna-nos possível dar expressão prática aos elevados objectivos espirituais da lei (Miquéas 6:8).

Como é que podemos saber quais os aspectos da lei de Deus aínda aplicáveis no Novo Testamento? O Senhor Jesus fez um resumo de todos êles com a lei do amor (Mateus 22:36-40). Neste resumo, Cristo citou Escrituras que dividem a lei de Deus em duas partes, ou sejam – o amor para com Deus (Deuteronómio 6:5) e o amor para com os nossos vizinhos (Levítico  19:18,34). Se cumprirmos a lei do amor, cumpriremos todas as leis  destinadas a regular o nosso relacionamento com Deus, e com todos os nossos semelhantes. Se amarmos verdadeiramente a Deus, honrá -l'O -emos vivendo santamente perante Êle e nunca servindo outros deuses (2 Coríntios 6:14-18). O nosso relacionamento com outras pessoas, deve obedecer também ao mesmo princípio de amor (Romanos 13:8-10).

Nove dos Dez Mandamentos estão repetidos no Novo Testamento, resumidos na lei do amor e aplicados a todos os crentes. Os primeiros três mandamentos  exigem  amor para com Deus (Êxodo 20:2-7), enquanto que os últimos seis determinam a natureza das nossas relações humanas (Êxodo 20:12-17). O quarto mandamento  determina a observância do Sábado, no sétimo dia da semana (Êxodo 20:8-11). Êste é o único dos Dez Mandamentos que não aparece no resumo da lei dado por Cristo. Porque não? Porque êle foi dado apenas a Israel, como sinal entre Israel e Deus (Êxodo 31:16-17). A observância do Sábado, teve  por fim chamar  a atenção de Israel para o êxodo do Egipto (Deuteronómio 5:15), e também lembrar ao povo o facto de o Senhor os salvar e santificar (Ezequiel 20:12).

O Sábado, (significando "dia de descanso") era o cumprimento de uma das leis cerimoniais, que era apenas uma amostra de coisas futuras, pois veio a cumprir-se no Messias (Colossenses 2:16-17). Nós não estamos sujeitos a leis sôbre o que comemos, (excepto comer coisas sacrificadas a ídolos – Actos 15:20), festas e Sábados, visto que a nova vida em Cristo não depende da observância destas leis.

Em Cristo, nós entrámos no "descanso" do Senhor, e todos os dias devem ser dias a Êle dedicados. O têrmos dias especiais dedicados ao Senhor, é uma questão de convicção pessoal, segundo as nossas circunstâncias. (Romanos 14:5). Nós não temos  quaisquer regras ou leis rígidas a êste respeito, além da velha tradição Cristã do domingo de adoração. Tal tradição teve origem na ressurreição de Jesus  num domingo, na Sua prègação aos discípulos no messmo dia, (João 20:1,19-20,26), na sua reunião uma semana mais tarde também num domingo e no derramamento do Espírito Santo no sétimo domingo depois da ressurreição de Jesus. Coincidiu com o festival do Pentecostes, que foi sempre celebrado ao domingo (Actos 2:1-4; veja Levítico 23:15-16). Depois disso, os discípulos do Senhor reuniam-se expontâneamente aos Domingos, para comemorar a Sua ressurreição (Actos 20:7; 1 Coríntios 16:1-2), desassociando-se assim claramente das reuniões legalistas dos Judeus ortodoxos, no sétimo dia.

Os crentes do Novo Testamento, nas nações, devem  notar o facto  que nunca foram incluidos nas leis e concêrtos de Israel – nem estão sujeitos a tais depois da sua salvação. Uma parte importante do concêrto de Deus com os Judeus, é o direito de ocupação  da terra de Israel. Êste direito, bem assim como vários outros aspectos dos seus concêrtos com Deus, não foram transferidos para a igreja, e portanto não lhe são aplicáveis.

Características da lei

Embora a dispensação da lei tenha terminado, ela serviu    os seguintes fins importantes:

·       A lei trouxe-nos o conhecimeno do pecado – Romanos 3:20; 4:15; 5:13,20; 7:7; 1 Coríntios15:56.

·       A lei foi um preparativo importante para a vinda e obra da graça do Messias, mas o que era imperfeito tinha de abrir caminho para o perfeito – Hebreus 7:27-28; 10:1-11.

·       A lei manteve Israel protegido até à vinda do Messias, data em que Êle fez pelo povo o que a lei não podia fazer – Galatas 3:23-24.

·       A lei tinha de abrir caminho para um novo concêrto (Hebreus 7:22; 8:6-7). 

O fim da dispensação da lei

A dispensação da lei, como sistema integrado, terminou com a vinda do Messias, mais especìficamente com a Sua crucificação, ressurreição e derramamento do Espírito Santo (Romanos 10:4). A morte reconciliadora do Senhor Jesus, não só pôs fim à necessidade dos sacrifícios e da mediação de sacerdotes imperfeitos, como também à servidão do pecado, que era identificada pela lei, que assim colocava um fardo pesado sôbre as pessoas.

A lei de Cristo

Nós estamos sob a Lei de Cristo (João 13:34; Galatas 6:2) em que se encontram representados os princípios imutáveis da lei do Velho Testamento. No entanto, não podemos nunca encontrar a salvação fora de Cristo, em esforços fúteis para cumprir a lei, pois cairemos fora da graça se tentarmos justificar-nos nos têrmos da lei (Galatas 5:4). No que diz respeito aos imutáveis princípios do amor para com Deus, a norma foi melhorada consideràvelmente no Novo testamento. Como crentes, nós devemos ser cheios com o Espírito Santo e dotados com o Seu poder habilitador, vestindo-nos assim  com o Senhor Jesus, (Romanos 13:14; Galatas 4:19), caminhando como Êle caminhou (1 João 2:6), e sendo companheiros de trabalho de Deus, em Jesus Cristo (1 Coríntios 3:9). No que diz respeito ao nosso relacionamento com outras pessoas, a norma também foi melhorada. Já não é apenas o cometer o acto de adultério em si, que é pecado, mas mesmo também pensar em o cometer (Mateus 5:27-28). A vingança deve ser substituida pelo perdão e pela caridade (Mateus 5:38-42) e o ódio pelo amor (Mateus 5:43-47). Nós devemos elevar-nos a alturas mais altas na escada da perfeição divina (Mateus 5:48), tornando-nos santos em toda a nossa conduta, porque Deus, que nos chamou, é santo (1 Pedro 1:15-16).

Quando os princípios do amor de Deus estiverem  escritos nos nossos corações regenerados, (2 Coríntios 3:3), seremos capazes de espalhar a fragrância de Cristo em toda a parte (2 Coríntios 2:14), proclamando uma mensagem de esperança, amor e perdão num mundo de escuridão espiritual. Isto evitará sermos dominados pelo mal, ao habilitar-nos a vencer o mal com o bem (Romanos 12:21) demonstrando assim o amor, perdão e graça salvadora de Cristo. Somos também convidados a causar o ciume dos Judeus ortodoxos, pela maneira como servimos o Deus de Abraão, Isaac e Jacob através do Messias (Romanos 11:11). Êles devem ser ensinados a servir o Senhor na novidade do Espírito (Romanos 7:6). Quando os redimidos do Senhor celebram festas, elas devem ser verdadeiramente festas Messiânicas como a Santa Comunhão ou a festa da ressurreição do Messias aos Domingos. O Pentecostes e a festa dosTabernáculos, podem ser celebrados também como festivais Messiânicos, nos quais são explicitamente reconhecidas a primeira vinda do Messias, o derramamento do Espírito Santo e a esperança da segunda vinda do Senhor Jesus.

Quando assim se procede, a específica festa não constitui simplesmente uma amostra de coisas que estão para vir, mas sim algo que foi completamente realizado com a vinda do Messias (Colossenses 2:16-17). Desta maneira, o participante nessa festa proclamará a Israel e ao resto do mundo, que a sua celebração não está dentro do âmbito da lei, mas sim de harmonia com o plano Messiânico do Novo Testamento  para a salvação de todas as nações.

Compromisso pessoal

Dou graças a Deus pela Sua inexprimível graça, revelada a Israel e a todo o mundo, através do Messias. Por causa da Sua graça, nós não somos apenas salvos, mas os princípios de amor divino em que a lei também se baseia, ensinam-nos a opormo-nos à maldade e desejos mundanos desenfreados, e a vivermos sòbriamente em rectidão e santidade na era presente, olhando para a abençoada esperança e glorioso aparecimento do nosso Salvador Jesus Cristo (Tito 2:12-13). A Sua lei de amor estimula-nos a proclamar a mensagem da salvação e santificção a todas as nações.

Perguntas

1.    Qual é o cumprimento da lei de Deus no Novo Testamento?

2.    De que maneira é o amor o cumprimento da lei?

3.    Mencione três características da lei do Velho Testamento

4.    Dê exemplos das normas morais do Novo Testamento serem melhores que as do Velho Testamento.